
Ex professor do Vaticano, o alemão David Berger diz que a própria maneira como a igreja Católica condena a homossexualidade acaba por tornar o sacerdócio atraente para gays.
Talvez seja por isso que
Faleceu hoje, aos 88 anos, o ateu, escritor, cartoonista, pintor e humorista português cuja popularidade o tornou desprezado por pretensiosos aristocratas que se acanham a reconhecer-lhe o talento multifacetado.
Iconoclasta, jacobino e democrata era uma figura incómoda. O traço mordaz e a prosa verrinosa valiam-lhe a prisão e apreensão dos livros. É justo lembrar quem tanto gozo proporcionou aos anticlericais no combate solitário que foi a sua imagem de marca.
José Vilhena autorizou a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) a utilizar os desenhos com que zurzia os tartufos.
No seu passamento, aqui fica um.
Na pequena aldeia, fazia um frio impressionante. Postado à janela da casa paroquial, o padre Benevides contemplava a neve que acabara de cair. O deserto da rua foi interrompido pela Luisinha que, mal agasalhada, puxava um corpulento touro pela arreata, apesar dos seus pouco mais que dez anos. Perante a cena, o bom padre não se conteve, e abriu a janela:
– Aonde vais, Luisinha, com este frio?
– Vou levar o touro ao senhor Cirpiano, para lhe cobrir a vaca.
Chocado com o que ouvira, o pio padre exclamou:
– E o teu pai, ou o teu irmão vais velho, não podiam fazer isso?!
– Não, senhor padre. Já experimentaram, mas não dá, tem de ser o touro mesmo.
A Europa, sob pena de renegar os valores, cultura e civilização que a definem, não pode deixar de socorrer e tentar integrar as multidões que fogem de países falhados, Estados terroristas e regiões que o tribalismo e a demência dominam.
A Europa, tantas vezes responsável por agressões devastadoras, cujas consequências ora a confrontam, não pode renunciar ao dever de solidariedade para com os acossados, não por expiação de culpas mas por imperativo ético.
Nunca a metáfora da bicicleta, caindo quando para, foi tão certeira como aplicada à UE, que não soube ou não quis federar as nações que a compõem com o aprofundamento da política comum, nas suas vertentes económica, social, fiscal, militar e diplomática, para quem, como eu, acredita num projeto europeu.
Mal dos europeus se o medo os paralisa e preferem abandonar os náufragos a assumir o risco de salvar um terrorista, mas, pior ainda, se descuram o perigo que a exigência ética comporta, se não souber distinguir os crentes, que precisam de ajuda, das religiões que exigem combate.
A Europa civilizada morre se renunciar à solidariedade que deve e suicida-se se não se defender da perversão totalitária de culturas exógenas que vivem hoje o medievalismo cristão e o pendor teocrático do seu próprio passado que o Iluminismo erradicou.
A civilização europeia será laica ou perece. Não pode ceder a poderes antidemocráticos, permitir a confiscação de espaços públicos por quaisquer religiões que incitem ao crime, em nome de Deus ou do Diabo.
O Islão, na sua deriva sectária, é puro fascismo a exigir contenção. Enquanto não aceitar a igualdade de género, o livre-pensamento e as liberdades individuais não pode ser tratado como as religiões cujo clero se submeteu ao respeito pelas regras democráticas e à aceitação do Estado laico.
A laicidade, paradigma da cultura europeia, é a vacina que salva o pluralismo religioso, preserva a sua civilização e evita a xenofobia que alimenta a direita antidemocrática que pulula nas águas turvas do medo e da demagogia.
Não se exige mais a quem chega do que a quem já estava, a submissão às leis do Estado laico e democrático.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.