Loading

Categoria: Diário de uns ateus

30 de Junho, 2021 João Monteiro

Jeová

Texto de Onofre Varela, publicado no jornal Trevim.

Jeová é o nome português para referir Deus. Numa consulta à Wikipédia somos informados de que o termo é uma tentativa de tradução de um tetragrama (conjunto de quatro letras) hebraico, de leitura impossível: YHWH. Mas podendo ler-se como YAH. Seria esse o verdadeiro nome do deus de Israel que figura na Bíblia.

(Vem a propósito referir que os textos bíblicos misturam factos e personagens da História com narrativas fabuladas no intuito de contar a história dos Judeus afirmando-os o Povo eleito de Deus. Provavelmente a criação do Deus único foi um modo expedito que os Judeus [Israelitas] usaram para se imporem aos seus vizinhos egípcios, que não só eram poderosamente ricos, como também possuíam inúmeros deuses. Os israelitas, na sua realidade de pastores e comerciantes, não tinham nas suas sacolas de nómadas espaço para albergar tantos deuses. Um deus chegava-lhes. E mostraram a fibra do povo que eram, impondo aos egípcios um único Deus que seria estrondosamente mais importante do que todos os deuses do panteão do vizinho! Esta imposição está espectacularmente narrada no Velho Testamento contando as façanhas de Moisés na retirada do seu povo do Egipto… cuja acção é mitológica!… A História não a confirma).

Razões históricas levaram a que, através do tempo, a vocalização do nome de Deus se perdesse, pelo facto de ter sido evitada entre os séculos III e II a.C.. Não se negava, apenas, a pronunciação do nome de Deus, mas também a representação da sua figura, tal como acontece no Islão, que proíbe a figuração de Maomé. É possível ver referências muito diversas ao nome de Deus (embora próximas) como: YHVH, JHVH, IAVÉ, JAVÉ, YEHOVAH e YAHWEH.

João Ferreira Annes de Almeida, natural de Torre de Tavares (Mangualde), onde nasceu em 1628, foi o primeiro tradutor da Bíblia para a Língua Portuguesa, e nela usou o termo JEHOVAH, que considerou mais próximo do tetagrama impronunciável em hebraico, que se lê “Je-ho’vah” e que quer dizer “Eu Sou o que Sou”. No entanto, a controvérsia mantém-se entre os eruditos, havendo quem defenda o uso do termo JAVÉ. A origem do termo não tem uma explicação pacífica por haver várias correntes de opinião.

Aqui deixo uma das explicações para a sua origem, que eu tomo como muito interessante: as línguas Hebraica e Aramaica (duas das três línguas em que foram registados os textos bíblicos – a terceira é o Grego) não usavam vogais; só as consoantes. Logo, as vogais não tinham pronúncia.

Desse modo se construiu uma palavra impronunciável com as letras inexistentes: JEOVÁ, composta pelas cinco vogais, assim dispostas: I-E-O-U-A.

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)

OV

Imagem de James Chan por Pixabay
29 de Abril, 2021 João Monteiro

Mulher Mártir

Texto de Onofre Varela.

Nawal el-Saadawi (1931-2021) acabou de nos deixar. Era egípcia, médica e escritora. Escreveu dezenas de livros abordando temas tabu, como sexualidade e prostituição, e era líder da luta pelos direitos da mulher no mundo árabe. 

Foi perseguida e detida várias vezes por pensar de modo diverso do estabelecido numa sociedade machista, e divulgar o seu pensamento. Teve os seus livros confiscados e proibidos, tal como em tempo de ditadura Salazarista por cá se fazia. Na sua biografia tem um discurso semelhante ao da escritora espanhola Cristina Fallarás, aqui divulgado no último artigo. Nawall cresceu numa cultura patriarcal onde as raparigas são sujeitas a vários abusos desrespeitadores da mulher, como são o casamento infantil e a mutilação genital. Sofreu tal mutilação por imposição familiar e tornou-se activista contra tão aberrante procedimento praticado em nome de uma tradição cultural criminosa. Na verdade a mutilação genital é uma condenação ao sofrimento da mulher por toda a vida, impedindo-a do prazer sexual, o qual é substituído por dores sempre que tem relações. 

Escreveu dezenas de livros abordando temas tabu, como sexualidade e prostituição. Observando o mundo pleno de sociedades patriarcais e homófobas, teve uma frase semelhante à de Cristina Fallarás: “Depois de viajar por todo o mundo, descobri que as raparigas são educadas de uma maneira muito parecida – estamos todas no mesmo barco. O sistema patriarcal, capitalista e religioso é universal”. 

Desta universalidade nasce o desrespeito pela mulher. Na nossa sociedade (no Portugal de 2021) ainda se discute o óbvio: se a mulher que executa o mesmo trabalho de um homem, deve receber um ordenado do mesmo valor! As tabelas salariais são sempre mais baixas para a mulher!… Esta discriminação não significa nada mais que não seja atribuir o estatuto de menor importância à mulher, e tem origem em milenares conceitos religiosos. Se no mundo ocidental (onde tanto se fala no sentido do humanismo cristão) esta verdade existe, em países muçulmanos o drama é substancialmente ampliado.

Lembro um caso acontecido na Turquia, onde os chamados “crimes de honra” ainda são entendidos como o eram na medievalidade. No ano 2000 os jornais deram conta do caso de uma rapariga turca, de 14 anos, ter cometido a imprudência de ir ao cinema com umas amigas sem a prévia autorização da família… o que era uma vergonha!… Em reunião caseira de machos foi sentenciada a pena capital para a “portadora da vergonha familiar”, e um sobrinho da jovem, também menor, foi encarregado de executar a “justiça”. Sem pestanejar nem se interrogar por que haveria de fazê-lo, o moço aceitou naturalmente a incumbência como um ritual a ser cumprido sem questionamento. Provavelmente até se sentiu honrado por ter sido escolhido para aquela tarefa que lhe daria mais valia curricular de macho. Saiu da sala, passou pela cozinha onde pegou numa faca, foi-se à tia… e degolou-a!… E a Justiça turca nada pôde fazer… por aceitar a figura do “lavar da honra com sangue”!…

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico) 

OV

1 de Abril, 2016 Carlos Esperança

Opinião de um leitor

A opinião de Jaime Santos, agnóstico, em relação a este post.

Todas as religiões monoteístas têm no seu núcleo fundamental de valores a defesa de sociedades patriarcais, teocráticas, misóginas e profundamente homofóbicas. Isso já o sabemos, é um facto. No Ocidente, fruto da Reforma Protestante e do Iluminismo, o Poder Eclesiástico foi primeiro submetido ao Poder Secular e, depois de despidas as diferentes denominações religiosas do seu poder temporal, afirmou-se o princípio da separação entre o Estado e a Igreja. De notar que no caso do Catolicismo, o fundamentalismo religioso ainda inspirava o poder temporal em sítios como a Espanha ou a Croácia no sec. XX (menos em Portugal, onde a ICAR tentou apesar de tudo manter alguma independência em relação a Salazar).

 

Este processo de inculturação levou séculos e permite que o Cristianismo conviva de forma pacífica com Estados Seculares, não sem procurar exercer a sua influência na redação das leis (como é do direito dos crentes enquanto cidadãos, penso eu). No Mundo Muçulmano nada disto se passou (ainda), e depois do falhanço rotundo do pan-arabismo e da humilhação continuada desses povos, primeiro pelo colonialismo e mais recentemente pela interferência das grandes potências na política interna desses países e ainda pela ocupação israelita (que não é mais do que uma forma de colonialismo, note-se), a resposta de uma juventude sem horizontes e que contempla o falhanço da sua civilização foi o abraçar do fundamentalismo religioso e da guerra de civilizações.

Eu quero crer que o Islão é mais do que isto. Os santos sufis cujos túmulos foram destruídos pela Al Qaeda no Mali, abraçaram uma corrente que defende a não violência. A vasta maioria dos muçulmanos que vivem no Ocidente querem viver em Paz e admiram a Liberdade Religiosa das nossas Sociedades… Na Tunísia, onde se iniciou a Primavera Árabe, o processo democrático continua, e inclui Partidos Religiosos de natureza fundamentalista. Enfim, o Islão é algo mais que o wahabismo.

Agora, não conseguiremos com certeza lutar com eficácia contra esses criminosos enquanto continuarmos a dar cobertura a regimes que são em tudo iguais ao Daesh, e que o financiam, a bem dos negócios…

24 de Março, 2016 Carlos Esperança

Acontece

O voto de pobreza é para as crianças da casa do gaiato, ainda assim, há pecados mais graves, v.g., ser pai ou ter mulher.

O sacerdote, constituído arguido esta manhã pela PJ, terá adquirido casas e carros de luxo com desvio de verbas. Uma das cinco IPSS a que esteve ligado é a Casa…
DN.PT|POR RUTE COELHO
27 de Março, 2015 Carlos Esperança

Diário de uns Ateus

Bastou exigir um endereço eletrónico válido para destroçar a alcateia que, segundo me era comunicado, vinha para as caixas de comentários a bolçar uma linguagem soez e o ressentimento de quem digeria mal as hóstias.

Com as caixas de comentários reservadas, a quem não teme que a PJ investigue calúnias e difamações, não parecem ser necessárias mais medidas para que os invertebrados e os provocadores emigrem para outras paragens.

Um destes dias voltarei a visitar os comentários, certo de que salubridade regressou e de que é possível combater ideias sem insultar pessoas. Os crentes merecem ao Diário de uns Ateus um respeito igual ao dos ateus embora a suas crenças mereçam desprezo e o mais firme combate.

As religiões foram das piores invenções humanas e os deuses os mais dementes seres ilusórios que a imaginação criou.

Os três monoteísmos destacam-se, não pela originalidade, pelas perversões a que deram origem, por crimes que cometeram e pelo atraso civilizacional de que foram culpados.

Esperamos manter a retaguarda deste blogue, caixas de comentários, arejada e visitável.

Boas discussões!

20 de Março, 2015 Administrador

Alteração no sistema de comentários

Devido aos abusos que têm vindo a ser prática corrente de certos comentadores, a Direcção da AAP decidiu que, a partir de hoje, apenas poderão participar nos comentários leitores registados com um endereço de email válido.

Agradecemos a compreensão dos nossos leitores e esperemos que os futuros debates do Diário de uns Ateus se mantenham dentro dos limites do razoável.

26 de Janeiro, 2015 Carlos Esperança

O Diário de uns Ateus e os crentes ignaros

Há mais de um mês que não ia a qualquer caixa de comentários, sabendo que os amigos da hóstia e de Gil Vicente são primatas pouco recomendáveis, na linguagem, na ignorância e na agressividade.

Hoje fui a uma e, no primeiro comentário, deparei com um Oscar, que tirou um curso de História numa madraça qualquer, que afirmava que Hitler tinha sido excomungado pela Igreja católica.

Perante a ignorância do néscio, só tenho um caminho, deixá-lo a falar sozinho. O talibã confunde Hitler com Estaline e o Papa com a Virgem Maria.

28 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Correio dos leitores

De

Frei Bento

Caríssimo irmão em Cristo: com pedido de publicação no Diário de uns Ateus, remeto, em anexo, um resumo de um extenso relatório por mim elaborado. Esse relatório é fruto de intensos estudos, não só da Bíblia mas também, e principalmente, de documentos existentes nas catacumbas da nossa Abadia e pretende, de uma vez por todas, desmontar a desonesta falácia ateísta de que o Nascimento de Nosso Senhor é uma cópia de outros pretensos nascimentos. Deus só há um, é Aquele e mais nenhum.

Faço notar que este relatório teve a bênção do nosso venerável Abade Faria, também auto-intitulado Abade de Priscos, tendo merecido o “Enviatur”, que veio, graças às novas tecnologias, substituir o arcaico “Imprimatur”.

Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

***

Natal, e tal…

Caríssimos irmãos em Cristo, eu vos abençoo em nome do Pai, natural e compreensivelmente babado e ainda a distribuir charutos por tudo quanto é santos, anjos, arcanjos, serafins e querubins, e que até deixou Satanás tirar umas passas de ganza, do Filho, que berra como um desalmado quando não está a chupar nas tetas da Maria, e mama como se fosse morrer já a seguir, o que todos sabemos não ser verdade, ainda demorou mais de trinta anos mas Ele ainda não sabe, e tem dado uma trabalheira do caraças, porque fica com cólicas provocadas pelos gazes e a desgraçada da Maria é que tem de andar de noite com o puto de cu para o ar para ver se ele se peida e alivia a tripa, e do Espírito Santo, que tem andado escondido, não se sabendo se por razões celestes ou terrenas.

Amém.

Por esta época, alguns ateus ignorantes ou malformados, ou ambas as coisas, que essa gentalha é perita em malformações e ignorância, aparecem aí a comparar o nascimento de Jesus Nosso Senhor com toda essa catrefada de deuses – Mitra, Apollo, Soyuz, Hórus, eu sei lá! Esquecem-se, ou não querem saber, que Satanás encenou tudo para que o Nascimento, assim com letra maiúscula, fosse tido como uma cópia dos “nascimentos” dos tais deuses. Foi ao contrário, e só um filho da puta daqueles é que era capaz de engendrar o “mimetismo diabólico”. Mas não nos alonguemos. Porque podem os ateus correr e saltar: esses pretensos “nascimentos” nunca existiram!

Os evangelhos não mentem, e nós, frades neo-Goliardos em busca do transcendente, não andamos aqui para enganar ninguém. Basta ler Lucas e Mateus e analisar, por exemplo a árvore genealógica de Jesus para concluir, sem o menor vislumbre de dificuldade, que ela só poderia ter sido elaborada após rigorosos estudos científicos e infindáveis pesquisas pelos registos civis lá do sítio. Ali não falha nada, pelo contrário: até há antepassados a mais, para o que der e vier.
Adiante.

Pois os ditos evangelhos mencionam, com o mesmo rigor com que descrevem as também ditas árvores genealógicas, a presença de uma entidade incontornável, mas ainda não é por aí que eu quero ir.

Jesus Nosso Senhor nasceu à meia-noite do dia 24/25 de Dezembro, ponto final. Há registos em iluminuras, gravuras, e até um primoroso fresco pintado a óleo sobre tela, de autor desconhecido, que mostram São José que, na altura era José “tout-court” uma vez que o São só apareceu após a devida defunção, como vem sendo rigorosamente tradicional na Igreja, dizia eu que há registos pictóricos de José contemplando, alternadamente, as estrelas para ver as horas, e a genitália de Maria, para ver se o puto nascia à hora consagrada nas Escrituras Sagradas. Pois bem, e era aqui que eu queria chegar, os Evangelhos, com o rigor que lhes conhecemos, atestam sem margem para dúvidas que os primeiros a chegar junto ao Menino, estava Maria a mudar a fralda da primeira cagada, foram os pastores. Os pastores, senhores! Como sabeis, ou deveríeis saber, naquele tempo era normal os pastores andarem de noite, não só porque a erva era mais tenra entre as vinte e três horas e as duas da manhã, mas também porque os pastores aproveitavam para ir tomar vez para tirar senha para a consulta na Caixa, pois o Serviço Nacional de Saúde local ainda não tinha sido inventado e, muito menos, destruído. Naturalmente, não se pode destruir uma coisa que nem sequer está inventada. E agora digam-me, senhores: em que “nascimento” dessa catrefada de deuses aparecem os pastores? Vá, respondam! Eu digo: em nenhum. Pois se não houve pastores, também não houve nascimentos.
Acho que ficam devidamente elucidados.

Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

Abadia, aos 25 de Dezembro de 2014

11 de Agosto, 2014 Carlos Esperança

Beatos, fascistas e malcriados

Há devotos do Diário de uns Ateus, avezados aos textos aqui publicados, incapazes de migrarem para outras paragens zoologicamente mais adequadas.

Saem das missas, cheios de raiva dos ateus, com a hóstia ainda colada ao palato, a trocar os padre-nossos pelos insultos, as ave-marias pela provocação e a fé pelo ódio. A crença e a malquerença andam misturadas, as orações substituem-se pelo fanatismo e as igrejas são madraças católicas onde explode a raiva, rangem dentes e ruminam vinganças.

Podiam os créus usar um módico de civilidade, um mínimo de bom senso, um resquício de humanidade, mas não se pode esperar muito de quem tem o monopólio do verdadeiro deus, do único livro sagrado e da exclusividade da água benta.

Fazem pena, na sua raiva pequenina, no seu pequeno mundo de um deus que inventaram só para eles. São saprófitas do divino, lacaios do Vaticano, agarrados às sotainas.

Enquanto os ateus se limitam a negar a existência de um ser imaginário e a combater as superstições, os devotos tornam-se malcriados para agradarem ao deus que inventaram e fascistas por tradição. Desde Mussolini, considerado enviado da Providência pelo Papa de turno, os católicos reacionários seguem o déspota, que acabou mal mas deixou bem a Igreja católica, com dinheiro público, um Estado mal frequentado e religião obrigatória nas escolas do Estado.

O Papa não lhe faltou com a bênção nem o povo com o julgamento cruel, à boa maneira católica. É dos descendentes desses trogloditas que nasceram os fascistas malcriados que vêm em bandos a destilar impropérios à caixa de comentários de um blogue nascido contra o obscurantismo e a superstição.

Como eles dizem, nas suas orações, bem-aventurados os pobres de espírito.