Por
João Pedro Moura
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” João 6:56
O tempo passou e a tensão diluiu-se entre os crentes que usavam uma linguagem cada vez mais crispada e intolerante para com o escritor que deu a Portugal um Nobel e à literatura portuguesa enorme prestígio. Ainda há trogloditas que não digerem o fascínio do escritor, lhe dirigem insultos e acalentam rancores.
Os bispos, padres e outros avençados do divino usam uma linguagem mais dissimulada e sonsa mas é igual o ódio que os devora e o ressentimento que manifestam.
Seria interessante, se não fosse perigosa, esta inquietação dos católicos em torno de Saramago. Este cumpriu o dever de dizer tudo o que disse, e o que mais lhe aprouve, e aqueles gozam de igual direito em relação a Saramago e ao ateísmo. Não assustando já as penas do Inferno, uma lucrativa invenção pia que rendeu grossos cabedais, deliram alguns com a situação de Salman Rushdie, vítima da demência de um aiatola que o condenou à morte por ter criticado o Islão. O que está em causa é a intolerância que em certas latitudes foi contida pelas democracias e em outras anda ainda à solta.
A ICAR abomina o riso e a felicidade mas é uma fonte de um e de outra. Torna felizes os que acreditam e diverte quem não a leva a sério.
Entre as fogueiras índias e as novenas católicas não há dados que indiciem a supremacia de umas sobre as outras quanto à eficácia na pluviosidade. As penas do chefe índio e o camauro do papa só diferem sob o ponto de vista estético. Os vestidinhos de seda do pontífice não se distinguem das vestes dos feiticeiros pelo ridículo, apenas pelo luxo e o conforto.
A cigana que lê a sina não é menos eficaz a espantar os maus olhados do que um padre a esconjurar os espíritos malignos e a garantir o Paraíso. Às vezes a clientela é a mesma e procura na água benta o sinergismo das mezinhas e rezas ciganas.
Um feiticeiro que em África receita uma poção de corno de rinoceronte moído só é mais antipático do que o padre que celebra a missa de ação de graças e ministra a comunhão porque põe em perigo a extinção de uma espécie animal, mas não é diferente a eficácia sobre a convalescença de um doente ilustre.
O batismo com água benta é mais inócuo do que uma circuncisão, que deixa marcas, ou uma excisão, que põe em risco a vida e destrói de forma irreversível a felicidade sexual.
Mas não há motivo para não nos rirmos dos rituais religiosos. Poucas encenações são tão hilariantes.
Vereador do RS pede exoneração de servidora por ela não acreditar em Deus
Por
João Pedro Moura
1- Esta é a enorme e fundamental falácia de todos os religionários…
Para a mente simplória e sumamente estúpida dos crédulos divinais, deus seria como que uma mera autoridade, dador benévolo de liberdade, para o bem e o mal, mas isento de responsabilidades, se a criatura se orientasse para o “mal”…
… Mas não pode ser!
2- E não pode ser, porque o tal deus não é, apenas, uma mera autoridade concessora de liberdades, mas, essencialmente, um criador, no dizer dos crédulos…
Ora, se é um criador, não pode ficar ilibado do mal, pois que “criou” pessoas maléficas, isto é, pessoas que se sentem impelidas para fazerem maldades. Pessoas que até podem, toda a vida, andarem certinhas sem fazer mal a ninguém, mas, um dia, cometeram um crime e uma maldade das grandes, para só falar das grandes…
3- Acresce que os crédulos do divino cometem um erro fundamental, também, de conceberem o tal deus como um ser antropomórfico que, supostamente, daria liberdades e que depois ignora o que se passaria no futuro, como qualquer ser humano concessor de liberdades aos outros…
…Mas deus não ignora e sabe sempre o que se passará no futuro… de resto, como se passou no passado…
… Porque deus é … deus… criador, governador e justiceiro, omnipotente, omnisciente e omnipresente…
4- Logo, deus, na medida em que criou um indivíduo que vai causar males, é responsável pela malevolência, pois sabe que tal indivíduo vai ser maléfico, porque assim deus o criou…
5- Portanto, se tanto pode haver “mal” como “bem”, para nada serve o culto a tal divindade…
6- Se deus deu liberdade às massas geológicas para elas se movimentarem devagarinho, sem causar estragos, ou rapidinho, causando mortes e destruições, para nada serve cultuar-se tal aberração… pois que esta é caprichosa… no bem e no mal…
7- Por isso, o raciocínio lógico do genial filósofo grego, Epicuro (341-270 a.C.), na questão divina, quando comentou um incêndio num templo, no seu tempo, é simplesmente devastador:
“O fogo chegou à casa do vosso Deus e consumiu-a. Pergunto-vos: por que razão não evitou esta calamidade, se realmente é justo e bom?
Ou ele a quis evitar, mas não pôde; ou pôde e não quis; ou não quis nem pôde, ou, enfim, quis e pôde.
Se quis e não pôde, é impotente; se pôde e não quis, é perverso; se não pôde nem quis, é impotente e perverso; se pôde e quis, é monstruoso.
Assim, para que prestais culto a semelhante divindade?”
Pergunto-me como é que os crédulos responderão a isto?…
in Ateu-sem censura
Naquele tempo, em Magdala, na antiga Palestina, uma multidão preparava-se para apedrejar Maria sobre quem recaía a acusação de pecadora. Fora um boato posto a correr, talvez por um corcunda da tribo de Manassé, ressentido por se ter visto recusado, que a sujeitara ao veredicto de que não cabia recurso.
O princípio do contraditório ainda não tinha sido criado, nem era hábito ouvir o acusado, jamais sendo mulher, nem a absolvição era previsível nos hábitos locais. A lapidação de Maria tinha transitado em julgado.
A lapidação era, aliás, um divertimento em voga, que deixava excitados os autóctones das margens do rio Jordão que atravessava o Lago Tiberíade a caminho do mar Morto. Diga-se, de passagem, que esse desporto ainda hoje é muito popular nos países islâmicos, para imenso gáudio das multidões e satisfação de Maomé.
Aconteceu que andando o Senhor Jesus a predicar por aquelas bandas, depois de indagar o que se passava, aproveitou a multidão para se lhe dirigir, e disse:
– Aquele de vós que nunca errou que atire a primeira pedra.
Todos pareceram hesitar. Muitos deixaram cair as pedras com que chegaram municiados. Havia crispação nos que vieram de longe, com sacrifício, e um certo desapontamento de todos os que esperavam divertir-se. Só o Senhor Jesus continuava sereno, a medir o alcance das suas palavras. Mas, eis que da multidão se ergueu um braço e Maria de Magdala caiu derrubada por uma pedra certeira.
Enquanto algumas pessoas a reanimavam, na esperança de repor o espetáculo que tão breve se esgotara, o Senhor Jesus foi junto do atirador e disse-lhe:
– Então tu, meu filho, nunca erraste?
– Senhor, a esta distância, nunca.
Tertúlia Direito à Liberdade Religiosa
Promovida pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC), teve a participação de Paulo Sérgio (departamento da Liberdade Religiosa da Igreja Adventista em Portugal), de Fernando Catroga (catedrático de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) e do presidente da Associação Ateísta Portuguesa.
À sessão, em que participaram cerca de 40 pessoas, seguiu-se um animado debate onde a categoria académica do Prof. Catroga e o espírito aberto do representante da Igreja Adventista foram pontos salientes.
Inicialmente foi passado um vídeo onde se perguntava a alunos da U.C. o que pensavam das religiões.
A unanimidade registou-se quanto à necessidade da laicidade do Estado para evitar a conflitualidade das religiões na disputa do mercado da fé, bem como nos privilégios injustificados da Igreja católica.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.