(Enviado por Paulo Franco)
O mundo é uma máquina infernal de triturar seres humanos simplesmente porque o mundo está inflamado de más ideias. Ainda há lugares onde as pessoas são executadas por crimes imaginários como a blasfémia – e onde toda a educação de uma criança consiste em estar 12 horas a recitar um livro de “ficção cientifica”.
Existem países onde as mulheres são privadas de quase todas as liberdades humanas, excepto a procriação. E, no entanto, essas mesmas sociedades têm adquirido a
grande velocidade arsenais de armamento avançado verdadeiramente aterradores. Se não conseguirmos persuadir o mundo desenvolvido, e o mundo muçulmano em particular, a perseguir fins que sejam compatíveis com a civilização global, então espera-nos um futuro negro.
A disputa entre religiões é totalmente estéril. Se a violência religiosa continua a reinar entre nós é porque as nossas religiões são intrinsecamente hostis umas às outras.
Quando não parecem sê-lo, é porque o conhecimento secular e os interesses seculares estão a restringir os desvarios mais perigosos da fé. Está na altura de reconhecermos que não existe nenhum fundamento real nos cânones do Cristianismo, do Judaísmo, do Islamismo, ou de quaisquer outras religiões que apontem para a tolerância e para a diversidade religiosas.
Se a guerra religiosa alguma vez se tornar algo de impensável para nós, à semelhança do que parece estar a acontecer com o canibalismo e a escravatura, veremos que isso será apenas uma questão de renunciar-mos ao dogma da Fé. Se o nosso tribalismo alguma vez der lugar a uma identidade moral generalizada, as nossas crenças religiosas não poderão continuar a ser protegidas dos grandes movimentos de indagação e da crítica genuínas. É chegado o momento de admitimos que a presunção de conhecermos aquilo de que só temos uma esperança devota é uma atitude maligna. Onde quer que seja que a convicção aumente na razão inversa da sua própria justificação, teremos perdido a base de cooperação entre os Homens. Se tivermos razões para acreditar naquilo em que acreditamos, não precisamos da Fé. O lugar das pessoas que mantêm convicções fortes sem fundamento é nas margens das nossas sociedades, não nos corredores do poder. A única coisa que devemos respeitar na Fé de uma pessoa é o seu desejo de uma vida melhor neste mundo; jamais precisaremos de respeitar a sua certeza de vir a tê-la num outro.
Nada é mais sagrado do que os factos. Ninguém deve marcar quaisquer pontos no nosso discurso por se iludir a si mesmo.
Este texto é da autoria de Sam Harris.
“Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceite como variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: o que é a verdade? A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade.”
Friedrich Nietzsche.
Paulo Franco.
Por
João Pedro Moura
Eis um excerto da atividade diária de Deus:
Levanta-se da cama, toma o pequeno-almoço, olha para o mundo, com o seu olhar judicativo e infalível e pensa: “Ora, o que é que eu vou fazer hoje?”
Remira o mundo, que desfila à sua frente, e começa a trabalhar…
– Ali, naquele sítio, vou mandar para lá um furacão, que já vai sendo tempo, e o sítio é conhecido pela avenida dos ditos…
– No outro lado do mundo… ora vai a continuação da cheia aquática… e é ver aquele povo todo, afanoso, a minorar a sua desdita…
– Mais para a direita, naquela terra onde criei e cultivo os meus maiores tolos, segue um bombista suicida, que entra pelo mercado dentro e se faz explodir, matando mais umas dezenas…
Enfim, como diria um conhecido comentador dum diário inimigo, “Deus não é incompatível com a existência do mal, desde que o mal faça parte de um desígnio divino.”
– Mais uns desígnios meus, para o dia:
Está ali uma criança a sofrer imenso naquele hospital. Tem cancro, tem metástases, por todo o lado, e os pais já não sabem o que fazer. Está tudo desesperado.
Ah, que gozo que isto me dá!…
E como diria um religionário meu, ligeiramente tresmalhado, mas danado para me interpretar: “O facto de existir mal moral e natural não é incompatível com a existência de um desígnio divino, que o tenha considerado relevante num processo evolutivo de natureza espiritual.”
Eu não diria melhor… e sou Deus!…
Ora, continuando a aperfeiçoar o meu “processo evolutivo de natureza espiritual”…
Agora, vou-me dedicar ao Bem…
– Olha ali, naquele santuário, lá estão os meus adeptos na pedinchice milagreira habitual…
Ora, deixa ver, quem é que eu irei ajudar, entre milhares de peticionários… … pode ser aquele ali, que me pediu ajuda para um mal de garganta que o apoquenta há anos…
Não é que ele seja boa pessoa, mas, como diria o meu religionário especial “Se Deus tudo pode, então também pode ter querido que o mundo evoluísse com as polaridades do Bem e do Mal, nas suas diversas formas de expressão.”
É isso! Ora me polarizo no Mal, ora no Bem. Sou polarizável e os meus desígnios serão sempre insondáveis…
Por hoje, chega, continuando o resto da minha programação diária, determinada há muito tempo…
Fim de excertos do diário de Deus.
Apostila: O problema não está em Deus…
O problema está nos crédulos que concebem semelhante entidade, achando que ela existe e que merece ser cultuada por aquilo que faz…
Dirijo-me a todos os ateus e ateias, aos crentes de qualquer religião, aos agnósticos, aos homens e mulheres do meu país, independentemente da cor da pele, do estrato social e das opções sexuais. Mas dirijo-me apenas aos que quiserem refletir e não se ofendam.
Faço-o sem a arrogância dos padres, que enviam a bênção a quem a recusa, sem a prepotência dos bispos que julgam que todos lhes devem vassalagem, sem uma câmara de televisão a conferir importância pública ao que tem relevância particular.
Sem vestes talares, nem báculo, mitra, cruz, ódio ou ressentimento, sem fé no divino ou crença em milagres, sem dogmas nem outras aldrabices, saúdo os correligionários e os adversários.
Não o faço por ser o rescaldo do 13 de maio que os católicos fabricaram para manter um evento político contra a República e rechear os cofres pios. A minha mensagem não fala do Céu, não exorta à castidade, não é moralista nem impõe quaisquer mandamentos.
Exorto-vos, caros leitores, a rejeitar o charlatanismo e a superstição mas, se isso vos faz felizes, continuem a viajar de joelhos à volta de uma igreja, a fazer o circuito das velas acesas, a contar ao padre o que não contam ao irmão ou companheiro/a e a ir a Fátima.
Desejo o melhor para todos os que referi. Cultivem o prazer de ler, ouvir música, ir ao teatro, ver cinema, enfim, gozem os prazeres da cultura. Mas, se a desgraça vos bateu à porta e uma hóstia vos alivia e se acreditam em milagres, rezem o terço, oiçam missas, beijem o pezinho do menino Jesus, persignem-se e peçam a bênção ao padre.
Ninguém tem direito a roubar a felicidade. Se a abstinência satisfaz os castos, se o jejum agrada ao masoquista e a procissão recreia o créu, não se poupem a exóticas distrações, não faltem à missa, à procissão ou à novena. Desobriguem-se e comunguem e sintam-se melhor da obstipação, das lombrigas e do reumático.
O ateísmo é um caminho difícil. Ensina que não há Inferno mas tira-vos a consolação do Paraíso. É por isso que esta mensagem não vos oferece uma ideologia, um sistema filosófico ou a vida eterna.
Quero que sejam afortunados; que pensem como entenderem, sem receio de castigos; que consigam mudar de opinião sem medo das labaredas; que possam baldar-se à missa sem angústia; que façam amor sem cismarem na eterna perdição.
Sejam felizes. Boa semana para todos.
Por
Paulo Franco
O Padre Mário de Oliveira volta a questionar as aparições de Fátima. O Padre da Lixa defende que as 3 crianças foram vitimas de uma montagem do clero de Ourém e compara este caso com as noticias do escândalo de pedofilia na Igreja.
«Eu quase que me atrevo a dizer que as 3 crianças que foram envolvidas pelo clero de Ourém, em 1917, naquela montagem das aparições de Fátima, que essas crianças acabaram por ser vitimas de toda essa montagem, e isso perfaz, na minha sensibilidade de Padre dentro da Igreja e até de ser humano, perfaz um crime, um abuso, pelo menos tão grave como a pedofilia. Porque o crime de pedofilia ainda pode ser, de certa maneira, como que reparado, com acompanhamento de especialistas ainda pode vir a ser superado. Ali não: duas crianças morreram, não foram assassinadas pelos Padres, é claro, mas em consequência dos horrores todos que viveram, de todos os medos que os padres incutiram com aquele tipo de discurso, com os chamados sacrifícios que as crianças foram persuadidas a fazer pela conversão dos pecadores, porque as imagens que na pregação davam sobre o inferno eram tão horríveis que impressionavam tanto a mente e a consciência das crianças que elas nem dormiam perturbadas e preocupadas com a salvação dos pecadores.
E então faziam sacrifícios de toda a ordem e feitio: não comiam, não bebiam água em pleno verão. Quando veio a gripe pneumónica, poucos meses depois das chamadas aparições, a pneumónica levou muitas pessoas e também levou aquelas crianças que estavam demasiado
fragilizadas, não puderam resistir.
A Lúcia sobreviveu porque era mais velha, não era tão sensível às histórias das conversões dos pecadores e talvez ela tivesse percebido que tinha sido ali um teatrozinho que tinham montado. Depois tem outra agravante: para além da morte dos dois irmãos, como sobreviveu a Lúcia, em vez de porem fim aquilo tudo, porque a senhora de Fátima afinal não valeu às duas crianças, acabaram por morrer da gripe pneumónica, como é que depois se anda a tentar implantar uma coisa a dizer que vai ali fazer milagres e curar os doentes quando os próprios dois supostos videntes morreram, nossa senhora não protegeu os seus próprios, então, em vez de soltarem a menina, a adolescente Lúcia para ela fazer uma vida normal, não, encurralaram-na, encarceraram-na por toda a vida, isto é uma coisa hedionda, é um crime horroroso».
Este texto foi retirado da net.
O padre Mário de Oliveira faz ainda uma acusação que me parece totalmente justa. Acusa o Vaticano de total falta de vergonha ao canonizar o Papa João Paulo II pois, durante o seu mandato, centenas de padres pedófilos foram protegidos pela igreja. A igreja católica marimbou-se simplesmente para as crianças vitimas de abusos sexuais e apenas se preocupou em defender o bom nome da instituição. Inclusive, vários padres abusadores foram mudados de uma paróquia para outra e aí continuaram a fazer vitimas. Tudo isto com o encobrimento vergonhoso do Vaticano.
Ainda sobre Fátima: se o “milagre do sol” aconteceu mesmo, como é que não foi visionado pelo mundo inteiro onde era de dia?
Só há uma incongruência, uma inconsistência na forma de pensar do padre Mário de Oliveira: então se ele, a meu ver muito bem, percebe que a “nossa senhora de Fátima” não faz milagres porque nem sequer salvou os dois pastorinhos que morreram da pneumónica, como é que, mesmo assim, ainda acredita num Deus todo poderoso que ama os seres humanos?
Na mesma lógica de pensamento, também deveria excluir a hipótese “Deus” pois também Ele permite que milhões de pessoas, muitas delas crianças, morram das formas mais absurdas e cruéis que se possa imaginar.
É impossível encontrar pensamento lógico ou racional na cabeça de um crente.
A presidente argentina Cristina Kirchner recebeu uma carta do papa Francisco e decidiu divulgá-la. Na sequência, porém, o Vaticano negou a autoria do documento, dando início a dúvidas sobre a autenticidade da carta.
Na noite da última quinta-feira, tanto a Santa Sé como o governo argentino confirmaram que o comunicado é oficial, mas não é uma carta e sim um telegrama, reporta o jornal Clarín.
A história soa confusa, e é mesmo.
De acordo com vários líderes religiosos ortodoxos, as recentes inundações que assolaram os Balcãs foram provocadas pela vitória de Conchita Wurst no F
estival Eurovisão da canção. Segundo estes, Deus terá enviado a chuva para relembrar as pessoas que não devem optar pelo seu lado mais selvagem.
Devido à preenchida agenda de Conchita, não param de chegar encomendas de embarcações aos estaleiros navais de todo o mundo.
Eis o que penso sobre aquilo que diz sobre a inspiração que sente na personagem do Papa João XXIII.
Não conheço nada do Papa João XXIII, mas acredito que tenha sido uma excelente pessoa e com todas as virtudes que aponta como sendo verdadeiramente inspiradoras. Mas estas mesmas virtudes e qualidades poderiam ser apontadas a um ateu ou a um crente de um outro credo religioso que não deixariam de ser igualmente inspiradores.
O que eu quero dizer com isto é que as excelentes virtudes de uma pessoa nada dizem
sobre a veracidade das suas crenças teológicas.
Certamente que existem pessoas muito virtuosas no mundo Islâmico, no Judaísmo, entre as pessoas que acreditam na Astrologia, entre as pessoas que acreditam na Reencarnação, ou entre as pessoas que não acreditam em nenhum Deus. Mas o facto de uma pessoa ser uma excelente pessoa em nada fica demonstrado que essa pessoa é detentora de uma GRANDE VERDADE TRANSCENDENTE.
Eis o maior problema das religiões: todas as religiões querem fazer crer a toda a humanidade que detêm a maior verdade de todas. Quando detêm poder para isso, e se o contexto político, cultural e económico for favorável, cada uma das diferentes religiões tenta impingir à força as suas crenças.
Mas nunca demonstram nenhum resquício de provas para corroborar ou confirmar que as suas reivindicações teológicas são realmente verdadeiras.
Quais são as provas de que realmente existem Anjos? Ou que o Inferno realmente existe? Ou que alguma vez um ser humano ressuscitou? Ou que o espírito de uma virgem falecida à milhares de anos pode fazer milagres?
Absolutamente zero.
E com todas as reivindicações teológicas das outras religiões se passa o mesmo. Todas fazem referências transcendentes sobre a criação do universo, sobre a vida depois da morte, sobre a existência de seres sobrenaturais mas nunca apresentam nenhuma prova nem nenhum tipo de discurso racional com que alguém possa lidar por forma a perceber a veracidade dessas reivindicações extraordinárias. Muito pelo contrário.
A ciência já demonstrou centenas de vezes que muitas destas reivindicações, que têm centenas (ou milhares) de anos, são falsas.
Existe uma regra implícita nas relações humanas que nunca deveria ser quebrada sob pena de pôr em risco a boa convivência entre os seres humanos.
Todas as reivindicações extraordinárias exigem provas extraordinárias. Se eu faço uma referência a algo extraordinário que me aconteceu e depois quero que todas as pessoas acreditem que essa coisa extraordinária foi ou é real, é evidente que é fundamental que eu apresente provas ou testemunhos que corroborem ou confirmem a minha história. Se não, corro o risco de perder credibilidade ou mesmo de ser ridicularizado.
Se eu afirmar que vi uma girafa a voar, será que o tio conseguirá acreditar em mim se eu não apresentar provas muito convincentes?
Sabendo que morrem mais de 20 mil crianças por dia em todo mundo, como poderei eu ou alguém acreditar que existe um Deus super poderoso,
que nos ama muito e que nunca nos falta com a sua protecção?
Espero que a sua resposta não seja “temos de ter fé”, porque se para todas as grandes questões existenciais do Homem simplesmente bastar “ter fé”, desde que com isso nos sintamos muito confortados, então para qualquer tolice que nos conforte nas nossas misérias encontraremos razões para nela depositar-mos toda a nossa fé e devoção. Se me disserem que uma melancia é Deus, e se eu não exigir nenhum tipo de prova de que isso é verdade, poderei alegremente acreditar nisso e sentir-me assim muito feliz e satisfeito, correndo o risco, no entanto, de ser ridicularizado por quem não partilhe da mesma “fé”.
Com todo o respeito.
Um grande abraço.
Paulo Franco.
O medo é o mais fiel aliado das religiões e o sofrimento o húmus onde floresce a fé. A aflição e a angústia debilitam o intelecto, mortificam o corpo e tornam consciências lúcidas em farrapos que as religiões enrolam na manta de charlatanismo que tecem.
Todas as religiões se reclamam do Deus verdadeiro, único que tem a chave do Paraíso. Assim se vê que todas as religiões são falsas, menos uma, na melhor das hipóteses, e certamente todas.
Uma doutrina, impostura ou código de valores que obriga a humanidade a prostrar-se, em vez de a ensinar a viver de pé, não dimana de um ser superior, brota da vontade de um sádico, nasce no cérebro de um néscio ou da tentação de um biltre.
É explorando fraquezas, medos e inquietações que a religião aparece como panaceia para o abatimento, remédio para a agonia e bálsamo para todas as moléstias.
O padre é o autor da trapaça, o artífice da fraude, o intermediário do embuste. Deus é apenas uma imagem que o tempo corroeu, uma droga que excedeu o prazo de validade mas que ainda ocupa as prateleiras de uma drogaria à espera de falência.
No vértice da pirâmide está o chefe dos embusteiros, o homem do chicote, o frio juiz que aprecia as vendas, pede esclarecimentos e dita as regras. Umas vezes chama-se ayatollah, outras patriarca, mullah, arcebispo ou papa. São espécimes zoológicos da mesma estirpe, implacáveis prosélitos de livros obsoletos que esmagam a liberdade e zelam pelos rancores divinos.
A fé vive do medo do Inferno, da morte e do insondado. Outrora eram deuses o Mar, o Sol e os Ventos, hoje são outros os monstros e mais sofisticados os atributos. O deus de serviço vagueia à rédea solta pelo Universo a espiar a humanidade e a ruminar castigos para quem abomina os padres e despreza os sacramentos.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.