Loading

Categoria: Ateísmo

27 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Resposta a um inquérito académico (4)

P – Existe verdadeira liberdade religiosa em Portugal comparativamente à generalidade dos países europeus?

Resposta – Sim, sem hesitação. Existe inclusivamente a liberdade de se ser agnóstico, cético, ateu, em suma, a de se ser livre-pensador. A intolerância dos crentes é idêntica à que pode ser encontrada em ateus. É um defeito herdado da ditadura, a intolerância para com o que é diferente.

Apesar dos privilégios de que goza a Igreja católica, a liberdade de culto, de qualquer culto, é hoje uma realidade que não merece contestação.

26 de Junho, 2014 David Ferreira

Deus e futebol

O jogador está no centro da área. Desmarca-se para receber a bola. Sente uma leve brisa no ombro e atira-se ao chão. O árbitro apita. Grande penalidade. O jogador levanta-se, exultante, ergue os braços ao céu e agradece a Deus. Perante os protestos do jogador adversário que também olha para o céu e abana a cabeça, incrédulo, clamando inocência. Como é possível, meu Deus?!

Neste jogo da vida pode um Deus omnipotente acudir a todos os pedidos e orações dos que nele creem? Não pode. A concessão de um simples pedido, de um desejo ou de um sonho a um indivíduo em particular quebraria a ordem natural, o rumo aparentemente caótico dos acontecimentos, e provocaria demasiadas incoerências e injustiças. Nada mais faria sentido, sendo que o que nos faz sentido varia de acordo com a adaptação constante da autoconsciência ao plano de existência causal em que evoluímos.

É precisamente o resultado do desempenho dessa autoconsciência que permite a recompensa ao farsante e a consequente penalização ao inocente, ao mesmo tempo que converte a culpa em graça por intermédio de uma reconfortante réplica do ego projetada extrinsecamente, a que dá o nome de Deus, um super-eu.

Neste jogo mais arbitrário que de livre-arbítrio, o árbitro, o juiz, o que decide a verdade de um facto ou de uma ocorrência, somos todos nós. Os que experienciamos, os que ajuizamos. Sempre iludidos pelas aparências devido às nossas limitações físicas e sensoriais. E para repor a verdade e a justiça não precisamos de Deus. Apenas de tecnologia.

26 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Resposta a um inquérito académico (3)

P –  O que pensa do avanço e aplicação do secularismo em Portugal?

Resposta – O avanço do secularismo (doutrina da filosofia inglesa que reivindicava a administração laica dos bens eclesiásticos e, mais tarde, significou a confiscação de bens eclesiásticos) tem hoje um significado diferente, sendo a doutrina que tende a emancipar as instituições do seu carácter religioso. Neste sentido, e só neste, é defendido pelos ateus da Associação ateísta Portuguesa (AAP) que, para além de não acreditarem em qualquer deus, seja o Deus abraâmico ou outro, se reveem na Declaração Universal dos Direitos Humanos e no respeito pela Constituição da República Portuguesa.

No entanto, dada a conjuntura económica atual, com o empobrecimento da população portuguesa, não estou certo de que o secularismo esteja ainda a avançar. A prática religiosa católica caminhava para valores residuais e nota-se agora uma estabilização, afirmação que faço sem rigor científico, dada a pouca transparência da Igreja católica a revelar o que se passa no seu interior, e um aumento progressivo de práticas religiosas por outras Igrejas cristãs que disputam a fé. Em períodos de crise, as crenças têm tendência a exacerbar-se e constituem uma âncora psicológica e, às vezes, material, com o contributo das Igrejas.

Permito-me recorrer a duas citações que definem o carácter democrático e plural do ateísmo que perfilham os sócios da AAP:
«O Estado também não pode ser ateu, deísta, livre-pensador; e não pode ser, pelo mesmo motivo porque não tem o direito de ser católico, protestante, budista. O Estado tem de ser cético, ou melhor dizendo indiferentista» Sampaio Bruno, in «A Questão religiosa» (1907).

«O Estado nada tem com o que cada um pensa acerca da religião. O Estado não pode ofender a liberdade de cada qual, violentando-o a pensar desta ou daquela maneira em matéria religiosa». Afonso Costa, in «A Igreja e a Questão Social»

25 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Resposta a um inquérito académico (2)

P – Num estado constitucionalmente secular e laico o que pensa da Concordata e desta num contexto em que existe a Lei da Liberdade Religiosa?

Resposta – Num Estado secular e laico a Concordata é uma aberração. As religiões deviam estar em igualdade e ao Estado competir apenas a defesa da liberdade de culto, uma vez que a liberdade de associação e reunião estão amplamente asseguradas.
A Lei da Liberdade Religiosa tornou-se uma necessidade, face à Concordata, para dar migalhas que escondessem os privilégios escandalosos da Igreja católica que, um pouco à semelhança dos países muçulmanos, vai aumentando progressivamente a sua influência no ensino, saúde e assistência, transformado direitos constitucionais, numa época de crise, em assistencialismo pio.
Num Estado laico o direito à crença e à descrença deve ter igual valor e não cabe ao poder de turno definir o que é a verdade religiosa ou ser um instrumento de propagação da fé e de sustentação de qualquer culto.

A existência de capelanias hospitalares, militares e prisionais (sempre católicas) são um instrumento de discriminação das outras confissões religiosas.

20 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Arca de Noé: a mais bonita história de um genocídio

Por

Paulo Franco

Numa sociedade perfeita, um genocídio deveria ser considerado sempre como algo absolutamente horroroso e inaceitável. Mas nós não vivemos numa sociedade perfeita.

Vivemos numa sociedade onde uma borbulha no rabo do Cristiano Ronaldo é noticia em horário nobre no jornal da noite mas a miserável condição de vida das crianças talibés de África – que são violentamente espancadas, exploradas e obrigadas a recitar diariamente o Alcorão durante várias horas por Islamitas – só têm direito televisivo entre as 3 e as 4 da manhã (no programa “Toda a verdade”).

Vivemos numa sociedade que tem muita moral para prevenir que as crianças não assistam a cenas de sexo ou à simples nudez, na televisão mas é totalmente permissiva em relação às cenas de assassínio e violência gratuita.

Vivemos numa sociedade onde se considera a tourada parte integrante da nossa cultura. Talvez, metaforicamente, o sangue que escorre pelo lombo do pobre animal torturado possa simbolizar as lágrimas que deveríamos derramar por um ato tão bárbaro e primitivo ainda ser permitido realizar.

Mas os erros da nossa cultura têm raízes históricas muito profundas.

Por todo mundo, a história da “Arca de Noé” é publicada em milhares de livros infantis como sendo uma das mais belas histórias bíblicas. ” Vejam como é bela a imagem do mundo primitivo onde centenas de animais, um casal de cada espécie, vão caminhando para dentro de um barco.”

Para além da enormidade da falácia que é transmitida com a representação de um mundo com apenas algumas centenas de espécies, quando na realidade já então haveria muitos milhões – a maioria das quais de tamanho microscópico, e portanto, impossíveis de recolher um casal de cada espécie – esta interpretação distorcida do mundo ancestral ainda consegue ser suplantada pela audácia de tentar camuflar um genocídio como se fosse uma bela e edílica história de encantar.

O lado negro da religião é caracterizado precisamente por esta especial capacidade de envenenar as mentes ao ponto de se aceitar o inaceitável.

Os defeitos e as virtudes humanas amplificados até ao limite são parte constitutiva no carácter dos deuses antropomórficos da antiguidade e são a prova definitiva de que tais mitos são de fabrico meramente humano.

As lacunas da nossa educação impedem-nos de compreender melhor a origem das interpretações equivocadas e só mergulhando bem fundo no estudo da história poderemos ver um pouco mais longe.

8 de Junho, 2014 Carlos Esperança

CARTA ABERTA AO COMANDANTE-GERAL DA GNR

Por

João Pedro Moura

Senhor tenente-general Manuel Couto, Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana

Conforme se lê na página da GNR, da Internet, o senhor comandante foi visitar o papa, ao Vaticano, em 6 de Junho de 2014, levando uma estátua duma tal “Nossa Senhora do Carmo”, “padroeira” da GNR, que o papa “abençoou”. Este último atributo, “padroeira”, decorre do documento “Beatam Maria Virginem”, dimanado pela Congregação Para o Culto Divino, no Vaticano, em 26 de fevereiro de 1986, com que o papa da época designou a tal “senhora” padroeira da GNR.

Ora, conforme a Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 13º, ponto 2: “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.”

Portanto, o Estado português é oficialmente laico, não professando, concomitantemente, uma religião.

Consequentemente, lanço aqui alguns quesitos:

1-    Com que propósito é que o sr. Manuel Couto teve o desplante de ir a Roma levar uma boneca estatual, a que chamam “Nossa Senhora do Carmo” para ser “abençoada “ pelo papa???!!!

2-    Em que parte da Lei Orgânica da GNR é que se enquadra a atividade focada acima???!!!

(Lei Orgânica da GNR: http://www.gnr.pt/documentos/Legislacao/LEI_ORGANICA.pdf)

3-    Quem é essa “Nossa Senhora do Carmo”? Quando nasceu, que obra relevante fez, quando morreu, e o que é que, tendo existido e feito obra relevante, em que é que isso concerne à GNR???!!!

4-    A boneca “NSC” foi “abençoada”, e parece ter sido este o propósito da visita do comandante da GNR. O que é uma “bênção” e em que é que isso concerne à GNR???!!!

5-    O que é que o sr. Comandante foi fazer a Roma, que não podia ter feito em Portugal???!!!

6-    O que é que uma organização, como a GNR, pertencente a um Estado que não professa religião, anda a fazer com uma “padroeira”, tornando a entidade policial afeta a uma religião???!!!

7-    O que é uma “padroeira” e o que faz essa “padroeira” à GNR???!!!

Posto isto, penso assentar firmemente as seguintes declarações:

– O sr. Manuel Couto, Comandante-Geral da GNR, foi a Roma, ao Vaticano, promover uma cerimónia infratora da laicidade portuguesa.

– O Comandante-Geral da GNR foi gastar, presumivelmente, dinheiros públicos numa cerimónia completamente fútil e inútil.

Notícia completa sobre o desaforo da GNR, aqui.

7 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Como se arranja um milagre

Imagem de Nossa Senhora encontrada no oceano nas buscas pelo avião que sumiu!!!

Olhem o que foi encontrado no Oceano Índico, quando mergulhadores estavam procurando o avião! Saiu em todos os noticiários, fica ao critério de cada um que tem fé acreditar. Uma imagem da Virgem Maria mãe de Deus foi encontrada, não há explicação, aos seus pés havia pétalas de rosas, que certamente, pela lei da gravidade, deviam flutuar na água. A imagem é enorme; no video dá para ver que é, pelo menos, o dobro do tamanho de um homem). Se caiu de um barco, deveria ter-se partido; se estivesse lá há bastante tempo, certamente teria algas. A virgem está intacta.