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Categoria: Ateísmo

10 de Janeiro, 2015 David Ferreira

Prefiro morrer de pé

“Prefiro morrer de pé do que viver ajoelhado”, disse o director do Charlie Hebdo, como que a antecipar o fatídico destino.

De pé! Não como um cobarde e muito menos como um traidor. De pé!

Após a sua profetizada morte, logo saíram à rua todos os hipócritas, cobardes, inocentes e idiotas úteis da sociedade a gritar – Eu sou Charlie Hebdo! A pensarem que são Charlie Hebdo.

Não, não são. Gostariam de o ser, porventura, mas não o são. Nunca o serão. Muitos estarão nos antípodas de Charlie Hebdo. Muitos serão responsáveis pela necessidade de um Charlie Hebdo.

Stéphane Charbonnier foi o paradigma da coragem. Deu a vida pela liberdade. Não por uma liberdade patética e anárquica. Deu a vida pela sua liberdade de expressão e pela liberdade dos outros de não concordarem com ela. Teve nas veias o calor do sangue que a transfusão do iluminismo nos legou. Mesmo sabendo que a sua vida corria perigo. E muito poucos dos que se auto-intitularam Charlie Hebdo seriam capazes de o fazer. Palavras leva-as o vento, assim dizia Florbela Espanca. E assim o vento levará todas as pias mensagens de tolerância para com os intolerantes que muitos ímpios lhe atiram de joelhos.

Morreu Stéphane Charbonnier. Um ateu como tantos outros. Um cidadão como tantos outros. Mas diferente de tantos outros. Feriu com o som das palavras, morreu ao eco das espingardas. Morreu às mãos de intolerantes. E há quem tenha o cinismo de o apelidar de intolerante. Ateus inclusive. Porque há ateus que apenas o são para justificar a sua incapacidade de integração na sociedade. Para manifestar o seu desprezo pela sociedade. Tal como os intolerantes que mataram Stéphane Charbonnier.

Morreu Charlie Hebdo. Morreu um jornal. O símbolo máximo da liberdade de expressão. E há cobardes que se dizem Charlie Hebdo. E há fanáticos que apoiam outros fanáticos, que negam outros fanáticos, porque não conseguem admitir que os seus dogmas ideológicos possam estar errados e desadequados da civilização.

Morreu Charlie Hebdo.

Viva Charlie Hebdo!

E quanto aos cobardes… Os cobardes já morreram. De joelhos. Porque os cobardes morrem muitas vezes antes de morrer. E sempre de joelhos.

9 de Janeiro, 2015 Carlos Esperança

Carlos Brito, um grande cartunista francês, emigrante português

Droits de l'homme

 

Por acasos da vida conheci Dino Monteiro, um quadro do Partido Socialista Francês e um dos fundadores do PS português. Fugiu à fome e à ditadura, ilustrou-se e tornou-se um quadro de uma grande empresa a cujo serviço o conheci e de quem me tornei amigo.

Foi ele que me pôs em contacto com Carlos Brito, um amigo seu, e que me autorizou a usar os seus desenhos no Diário de uns Ateus.

Ouvi-o há pouco, numa entrevista da SIC-N, emocionado com a morte dos 3 colegas e amigos íntimos de 4 cartunistas do Charlie Hebdo que o fascismo islâmico assassinou.

Deixo aos meus leitores um desenho de Brito, «politicamente ateu e filosoficamente agnóstico», dos vários que me enviou e conservo numa pasta com o seu nome.

6 de Janeiro, 2015 Carlos Esperança

O ateísmo cresce com a ciência

As religiões vão desaparecer no futuro?

Um número cada vez maior de pessoas – milhões delas, em todo o mundo – diz acreditar que a vida definitivamente acaba depois da morte e que não existe Deus nem um plano divino. Esse movimento parece estar ganhando força. Aliás, em alguns países, o ateísmo assumido nunca foi tão popular.

“Há muito mais ateus no mundo hoje do que jamais houve, tanto em números absolutos quanto em porcentagem da humanidade”, diz Phil Zuckerman, professor de sociologia e estudos seculares no Pitzer College, na Califórnia, e autor de Living the Secular Life (“Vivendo uma vida secular”, em tradução livre).

Segundo uma pesquisa do instituto Gallup International, que entrevistou mais de 50 mil pessoas em 57 países, o número de indivíduos que se dizem religiosos caiu de 77% para 68% entre 2005 e 2011, enquanto aqueles que se identificaram como ateus subiram 3%, elevando a 13% a proporção dessa parcela.

2 de Janeiro, 2015 Carlos Esperança

Cristo e Maomé

Naquele tempo o anjo Gabriel era o alcoviteiro de serviço. Foi ele que disse a Maria que estava grávida o que qualquer mulher teria percebido. Foi ele também que, seis séculos depois, se encontrou com Maomé para lhe dizer qual era a sua – dele, Maomé -, missão.

Os anjos viviam muito tempo embora poucos conhecessem notoriedade, levando uma existência anódina. Gabriel distinguiu-se. Foi criado por judeus, que faziam anjos como o Papa João Paulo II faria santos, que acreditavam em milagres com a mesma fé com que alguns padres rurais acreditaram na existência de Deus.

Maomé nasceu em Meca durante o ano de 571 e viria a morrer em Medina em 632. O Corão e as agências de turismo fizeram santas as duas cidades e há períodos do ano em que uma multidão de fanáticos aí acorre, apesar dos perigos que os espreitam.

Muito parecidas com as largadas de touros, um espectáculo ainda em uso no concelho do Sabugal e noutras localidades portuguesas, as peregrinações têm perigos idênticos. O apedrejamento ao Diabo, um ódio transmitido de geração em geração, salda-se sempre por várias mortes enquanto o Diabo fica incólume, à espera do próximo apedrejamento.

Maomé teve uma vida pouco recomendável, um casamento com uma menina de seis anos, coisa que a Igreja católica também não via com maus olhos, e um casamento com a rica viúva Cadija cuja fortuna lhe permitiu dedicar-se à guerra, à religião e ao plágio do cristianismo.

Depois aconteceu-lhe o mesmo que a Cristo. Começou a ser adorado, correu o boato de que tinha nascido circuncidado, de que tinha ouvido Deus, de que foi para o Paraíso em corpo e alma, enfim, aquele conjunto de coisas idiotas que se atribuem aos profetas.

Hoje já ninguém pergunta se tomavam banho, se sofreram prisão de ventre ou foram vítimas das salmonelas, se urinavam virados para Meca ou para o Vaticano, que hábitos sexuais ou manifestações de lascívia tinham.

Cristo e Maomé tornaram-se cadáveres adorados e os apóstatas cadáveres desejados.

29 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Instruções para se tornar ateu

– escolha um deus qualquer diferente daquele em que acredita.

– explique as razões pelas quais não acredita nele.

– aplique as mesmas razões ao seu deus.

28 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Os monoteísmos e a violência

As religiões provaram ao longo dos séculos a sua nocividade e falsidade, sobrevivendo através dos interesses instalados e de constrangimentos provocados. Os sistemas criados mantêm os povos na sujeição do clero e a intoxicação começa à nascença.

Os monoteísmos distinguiram-se pela sua intolerância e inquinaram as sociedades onde se consolidaram. Nem a modernidade os conseguiu implodir. De um livro da Idade do Bronze, o Antigo Testamento, de matriz hebraica, surgiu o judaísmo cujos seguidores residuais (cerca de 18 milhões) ainda creem na Conservatória do Registo Celeste, onde estará guardada a escritura que lhes garante direitos imprescritíveis sobre a Palestina.

Paulo de Tarso fez a única cisão bem conseguida do judaísmo, criando a primeira seita de vocação global, que o Imperador Constantino imporia com inaudita violência como a religião do Império Romano, a que serviu de cimento.

O catolicismo romano só viria a reconhecer a liberdade religiosa na década de sessenta do século XX, durante o Concílio Vaticano II. Nem o Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa o conseguiram vergar.

No entanto, o mais implacável dos monoteísmos, o Islamismo, fez da cópia grosseira do cristianismo com laivos de judaísmo, um inflexível é totalitário código de conduta que se agrava com a decadência da civilização árabe mas mantém, no seu primarismo dos 5 pilares, um poder de sedução a que não são alheios radicalismos em certas idades e em várias fases da adolescência de indivíduos que vivem à margem dos valores humanistas que a Europa herdou do Iluminismo e da Revolução Francesa.

Se as democracias continuarem a abdicar da laicidade, única forma de conter o carácter prosélito dos dois últimos monoteísmos, em especial o Islão, ficam desarmadas contra os surtos terroristas de superstições à escala global, que se reclamam da vontade divina para imporem aos outros o que só têm direito de usar como crença doméstica.

O proselitismo é a mais nefasta nódoa das crenças e a laicidade o único antídoto para o conter.

28 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

Hoje há Igrejas piores.

Anselmo Borges, padre, doutorado em Filosofia e professor da Universidade de Coimbra fala da miséria moral em que a Igreja Católica esteve mergulhada, das mudanças operadas e expectáveis de Francisco e defende o fim do celibato obrigatório dos padres e da condenação de divorciados e homossexuais.

O pretexto foi o livro “Deus ainda tem futuro?”.

Diário de uns Ateus – A humanização e modernização das Igrejas não as torna verdadeiras mas podem contribuir para um menor sofrimento imposto à Humanidade.

27 de Dezembro, 2014 Carlos Esperança

A Cúria romana não vale tanto

«A Cúria tem feito mais ateus e provocado mais abandonos da Igreja do que Marx, Nietzsche, Freud e outros ateus juntos».

(Anselmo Borges, padre católico e catedrático de Filosofia em Coimbra, in D. N., hoje)