A persistência da fé
As religiões são as únicas empresas isentas de limites à publicidade e sem um código deontológico. Podem agarrar em lactentes e proceder a uma cerimónia que os torna propriedade da religião, perpetuando tradições a que os constrangimentos sociais impedem a libertação.
O silêncio dos crentes assemelha-se ao das vítimas de burla ou de violação que, por vergonha, calam a desgraça. O conto do vigário e a homilia são truques que os padecentes ocultam. E não vale a pena imaginar o que se passa no silêncio dos confessionários, uma arma ao serviço da ICAR e da manutenção do poder.
A liberdade é o pior inimigo da fé. A neutralidade do Estado em questões religiosas, uma obrigação dos países civilizados, leva ao progressivo afastamento dos templos e à emancipação dos dogmas. O fanatismo só persiste onde a repressão do Estado, da sociedade, ou de ambos, se manifesta com violência.
A Europa aproveitou a democracia para se afastar dos templos e se libertar das sotainas. O Inferno deixou de povoar os terrores nocturnos das crianças nascidas de pais civilizados e o medo dos castigos divinos não ultrapassa a eficácia dos artifícios para que os meninos comam a sopa.
Um extenso inquérito realizado em países islâmicos, onde o terror de deus oprime os homens, revelou que o que mais apreciavam os inquiridos no Ocidente era a liberdade religiosa. Imagine-se o grau de violência a que estão submetidos para fazerem jejum, rezarem as orações e mijarem para o lado contrário a Meca.
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