Loading

A intolerância hindu

Ontem, 24 de maio de 2017, um dia depois do trágico atentado de Manchester, surgiu a notícia da vandalização, no último domingo, da “Capela de Nossa Senhora de Fátima”, na localidade indiana de Godamakunta.

Fanáticos hindus atacaram o edifício, inaugurado a 13 de maio, e destruíram as imagens de Jesus, da Senhora de Fátima e restante iconografia católica. A demência pia contagia todas as religiões, ainda que o hinduísmo não seja propriamente um teísmo, com as suas 330 mil divindades diferentes cultuadas, e sendo raro o culto da trindade Brama, Shiva e Vixnu.

Desta crença, onde a permanência das castas e a desonra das viúvas que voltam a casar, (deviam acompanhar o marido na pira funerária), são os aspetos mais repulsivos, temos a ideia de que o pacifismo é a sua matriz imperecível.
Uma crença com mil milhões de seguidores apresenta fatalmente nuances pioradas pelo nacionalismo hindu. Não esqueçamos que é a terceira ‘religião’ do Planeta, rivalizando com o número de não crentes, depois do cristianismo e do islamismo.

A mais antiga tradição viva, onde não há formalidades litúrgicas nem congregações de crentes, é vulnerável ao nacionalismo.

Nas últimas eleições regionais, em março, depois da vitória dos nacionalistas hindus, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, figura pouco recomendável, decidiu nomear governador do estado de Uttar Pradesh (200 milhões de habitantes), Yogi Adityanath, execrável sacerdote comunitarista hindu militante, reacionário, que incita ao conflito e à violência contra os muçulmanos (20% da população) e defende a Índia exclusivamente hindu.

No berço da ‘dinastia’ Gandhi, onde nasceu o pacifista Mahatma Gandhi, emerge agora, pela via democrática, um déspota desejado, com delírios de grandeza, a atiçar medos e a instigar a violência, acirrando ódios, e capaz de edificar um templo hindu no local onde os extremistas arrasaram uma mesquita em 1992.

A maior democracia do mundo está ameaçada através do voto, paradoxo que começa a repetir-se das Filipinas à Índia, da Europa ao Médio Oriente, num mundo que a religião corrompe e o populismo insano aproveita.

Escaqueirar a imagem da Senhora de Fátima é uma ínfima metáfora do ódio sectário de que as religiões são capazes.

1 thoughts on “A intolerância hindu”
  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    «A maior democracia do mundo…»

    Eu acho uma piada a esta frase!…
    Como se a democracia se medisse pelo maior ou menor número de cidadãos dum país democrático!…

    O país democrático mais populoso do mundo. Pronto!
    Agora, a “maior democracia do mundo”…

    Democracia é um sistema político, baseado em eleições para os órgãos de poder.
    Logo, a sua qualidade, que não quantidade, poderá traduzir-se pela maior ou menor fidedignidade do voto popular e sua representação, direta e proporcional.

    Já agora, vamos à piada simétrica:
    – Qual é «a menor democracia do mundo»?

You must be logged in to post a comment.