1- O mal do método criacionista é o de começar por afirmar que nada provém do acaso. Consequentemente, segundo tais luminárias, a primeira causa é “deus”.
Mas se dizem que tal colosso de fancaria constitui a primeira causa, então, criou-se a si próprio, o que constitui uma contradição com todas as premissas que os criacionistas requerem para a matéria, isto é, para o que existe…
…E esse deus está dentro do que existe, pois que nada existe fora do que existe…
Os criacionistas denotam uma contradição insanável: como não conseguem justificar o seu deus, protegem-no com um enunciado conveniente: o deus é a causa primeira. Porque, para eles, a matéria nunca poderia irromper, sem causa.
Mas um colosso omnisciente, omnipotente, omnipresente, pelos vistos, já pode criar-se a si próprio, dispensando-se a necessidade duma causa…
…Que se exige para a matéria…
Quesito:
O que leva os criacionistas a conceberem uma causa primeira para a matéria, que se vê, mas a dispensar tal causa para o seu deus, que, ainda por cima, não se evidencia???!!!
2- O bem do método científico é o de verificar a existência de matéria, enfim, todo o mundo que nos rodeia, e partir para uma retrospetiva investigativa até ao evento primordial que a gerou, a superexplosão do Big-Bang, há mais de 13 mil milhões de anos.
Não sabemos o que existia antes. Apenas poderemos concluir, porque, do nada, nada provém, que a matéria é eterna. Nunca foi criada.
3- Ao longo de 10 biliões de anos, a interação de todos os componentes, cada vez mais diferenciados da matéria, foi gerando uma probabilidade de ocorrência de fenómenos vitais, até que, há 3,5 biliões de anos, se desenvolveu a primeira célula.
Um mero acaso na interação da matéria, em biliões de interações, durante biliões de anos.
É a lei das probabilidades…
Isto é: nós sabemos que é extremamente difícil alguém conseguir ganhar o primeiro prémio do Euromilhões, pois que conseguir obter 5 algarismos e duas estrelas certas, para um indivíduo, é praticamente impossível. Mas se dezenas de milhões de pessoas jogarem nisso, a probabilidade aumenta drasticamente para uma ocorrência de êxito, por semana, ou de duas em duas semanas, ou até mais.
Todavia, sabemos que alguém, em dezenas de milhões de concorrentes, infalivelmente irá alcançar a chave certa, em breve prazo, geralmente em um ou dois concursos, raramente mais.
Infalivelmente!
É o que aconteceu com os “jogos” do acaso na interação material na Terra, há biliões de anos…
…E durante biliões de anos…
Pretender que, desse acaso, é impossível surgir vida, é pretender que é impossível acertar no Euromilhões, entre dezenas de milhões de concorrentes, a jogarem uma ou duas vezes por semana…
Impossível é surgir um deus do nada! Ex nihilo, nihilo!
Caríssimo irmão em Cristo, confesso que não tenho argumentária para desmontar toda essa efabulação, pois que a minha vida de oração me deixou os neurónios algo ressequidos e destrambelhados. Confio, assim, no irmão Oscar, que, certamente, não deixará de o contestar com a lucidez que se lhe reconhece, e isto porque o tenho recomendado nas minhas orações. O que prova que, afinal, Deus existe, de contrário, quem iluminaria o ilustre Oscar?
Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.
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4 thoughts on “Laicidade é isto”