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  • 28 de Abril, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Religião e alienação

Por

Paulo Franco

Existem muitas formas de alienação da realidade. Todas elas tóxicas mas com consequências muito diferentes umas das outras. O álcool e as drogas são um meio para a alienação tal como a religião ou a crença em cartomantes.

A forma como atulhamos as nossas mentes com crenças religiosas ou místicas altamente bizarras (para não dizer dementes), é também um sintoma desta incapacidade que o cérebro humano tem para lidar com o “absurdo da existência”. Mas o “absurdo da existência” só é sentido enquanto tal quando não conseguimos “ver” a incrível sorte de estarmos a usufruir de milhares de milhões de anos de evolução, que nos trouxe até aqui e que nos permite contemplar a vida com um grau de compreensão nunca antes experimentada por um ser vivo no planeta Terra.

O que mais perturba quando se tenta demonstrar o lado pernicioso e falso da crença religiosa é que poderá estar-se a tentar destruir aquilo que parece dar sentido à vida de muitas pessoas. É frustrante perceber que milhões de pessoas não percebam o quanto são mais maravilhosas e verdadeiras as descobertas de Charles Darwin ou de Albert Einstein (e muitos outros imbuídos do mesmo espírito) em comparação com crucificações, profecias, demónios, diabos, purgatórios ou deuses causadores de
genocídios e supremos legisladores de leis obtusas.

Um bêbado, com o cérebro encharcado em álcool, até pode sentir-se feliz quando está no auge do seu inebriante estado de alienação. Poderá mesmo sentir-se completamente feliz por ver todas as correntes limitadoras do seu espírito de repente quebradas e enfim sentir-se livre como nunca, não sentindo, qual momento de glória, os constrangimentos que as convenções sociais habitualmente o inibem. Mas isso em nada contribui para que a sua vida se torne mais digna ou mais respeitável.

Da mesma forma que um peregrino que vai percorrer 200 Km para Fátima; ou um Filipino que, no Domingo de Páscoa, se autoflagela e se deixa crucificar; ou um membro da Opus Dei que se atormenta com o cilício bem apertado na perna deve
alguma vez ver o seu acto de autoflagelação elogiados. Em vez de elogios, devem ser criticados e denunciados como actos absurdos e irracionais de quem está intoxicado com a ideia obscena de que existe uma qualquer entidade divina que se delicia
ao contemplar estes sacrifícios em seu nome.

Tal como foi dito pelo brilhante Christopher Hitchens, a religião envenena tudo.

5 thoughts on “Religião e alienação”
  • Oscar

    O crente materialista e ateista, chamado Carlos Esperança, acha todas as crenças más, menos a sua.

  • K.

    «Se és de uma religião, cumpre-a, tendo simultaneamente a certeza de que tudo aquilo é nada.»
    -Agostinho da Silva

    • Oscar

      Esta também interessa ?

      “Você tem de saber estar familiarizado com o misterioso, com a única
      coisa que você jamais conseguirá desvendar. E já que é impossível
      decifrar sua natureza interior, a solução do problema está em aceitá-la
      como sendo INCOGNOSCÍVEL. Essa é a única solução”

      Agostinho da Silva, ” Reflexões, Aforismos e Paradoxos

      • K.

        Deve-te interessar mais esta:

        «A ideia de deus que aparece em todas as religiões me parece a mim que poderia ser substituída.»

        – Agostinho da Silva, Espólio.

  • Carlos

    “Existem muitas formas de alienação da realidade. Todas elas tóxicas mas com consequências muito diferentes umas das outras.”

    O ateísmo é uma delas. Talvez seja uma das piores que hoje existe.

    “O que mais perturba quando se tenta demonstrar o lado pernicioso e falso da crença religiosa…”

    E quem é que “demonstra” isso? És tu a dizer palermice sobre palermice? São os ateus com aldrabices e mentiras, apelidando as suas ideias (tortas e contaminadas de ódio) de certezas, verdades e leis incontestáveis? Quem é imbecil ateu, genericamente um analfabeto em religiões, doutorado em pesquisa na Internet e “aceitante” de toda a palermice que lê, desde que seja anti-religiosa, para autoproclamar dono o ente correcto e o padrão de certeza, de verdade, de valores e de princípios?

    O ateísmo sempre foi uma seita de fanáticos, impostores e aproveitadores, parasitando a sociedade em que se inserem. Curiosamente, diz-me a experiencia, que não passam de uma bando ignorantes e malfeitores, como sempre aconteceu na União Soviética, onde, aliás, no dia em que alguém com formação, inteligência e juízo chegou a líder do bando, a União Soviética caiu logo. Era aí que existia um plano para “desmontar o lado pernicioso e falso da crença religiosa”. Foi aí que os bandidos, alienados mentais e ignorantes ateus, ao serviço de um estado que se baseava na aldrabice, faziam sessões de esclarecimento públicas para desmascarar a falsidade da religião, e para roubar o que as religiões tinham.

    “É frustrante perceber que milhões de pessoas não percebam o quanto são mais maravilhosas e verdadeiras as descobertas de Charles Darwin ou de Albert Einstein (e muitos outros imbuídos do mesmo espírito)…”

    Personagens essas que também eram crentes e não ateias.

    A generalidade dos crentes não só parecia as maravilhosas descobertas, como está empenhadíssima na evolução de todas as descobertas, muito mais do que os crentes. Aliás, cada descoberta nova não faz mais do que alargar o conhecimento da maravilhosa criação de Deus e alargar o conhecimento que temos da obra maravilhosa do Criador.

    Cada nova descoberta é uma verdadeira dádiva do Criador, fortalece a ligação do Homem com Deus e demonstra que vale a pena ter fé.

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