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Hóstia dominical – III

Racionalizar a premissa de uma primeira causa não causada argumentando que tudo teve uma causa é uma armadilha grotesca de ginástica intelectual.

Se tudo teve uma causa, não pode haver uma primeira causa e se a capacidade que possuímos para deduzir uma primeira causa não causada pode ser aduzida como justificativa de tal possibilidade, a capacidade que igualmente possuímos para racionalizar uma causa causada ad infinitum destrói impiedosamente qualquer noção de primeira causa.

É perante este simples raciocínio que toda a apologética que tenta viabilizar não só a conceção de Deus como também a sua irredutível inegabilidade, implode no seu próprio paradoxo.

 

26 thoughts on “Hóstia dominical – III”
  • orenascido

    “Se tudo teve uma causa, não pode haver uma primeira causa”
    David Ferreira

    Se tiver havido uma causa primeira, pode haver sucessivas causas secundárias.

    Logo, a hipótese de Deus, como causa primeira, anula a tua hipótese e não está demonstrado que tudo teve uma causa.

    Por isso, a causa primeira não é incompatível com sucessivas causas secundárias.

    Caíste na tua própria armadilha grotesca Ferreirinha: esse ” SE tudo teve uma causa” tramou-te. Falta apurar se tudo teve mesmo uma causa.

    Sabes o que havia antes do Big Bang ferreirinha ?

    • Guest

      Aqui partimos das premissas do argumento ontológico.

      Você diz: “Se tiver havido uma causa primeira, pode haver sucessivas causas secundárias”. Verdade de La Palisse. Não demonstra e muito menos consegue provar essa primeira causa.

      A hipótese de Deus não anula nada, não deve ter lido bem a argumentação.

      • orenascido

        Estamos os dois no campo das hipóteses, ferreiriha, e a tua proposição também implica uma verdade de La Palisse:

        ” SE tudo teve uma causa”. Se…

        Mas qual foi a causa do big bang, ferreirinha, sabes ? O Universo teve uma causa ? Se sim, qual ?

        • kavkaz

          Faz essa pergunta ao teu Jesus Cristo que disseste ter dentro de ti. Ele responderá imediatamente às tuas perguntas existenciais inúteis. Fazes perguntas que NINGUÉM pode responder. Nem tu com qualquer grau de fiabilidade! O que fazes é INVENTAR a resposta que alimenta o negócio da tua religião.

          É bem claro que o Universo não precisou de deuses para chegar aos dias de hoje e continuar assim eternamente. Queres melhor que isto? Tu nunca consegues responder às perguntas sobre os teus deuses, o que eles fazem, o que dizem e onde se encontram… Queres mais vazio na tua cabeça sobre os teus deuses? É impossível.

          – Em que é que um “Allá” ou outro qualquer deus INVENTADO será menos criador do Universo, para um crente, que o teu “Deus” cristão? A esta pergunta NÃO tens resposta!!!

      • David Ferreira

        Este post onde apareço como “Guest” é para ignorar. Mais uma partida do Disqus. Abaixo está o comentário completo.

    • David Ferreira

      Aqui partimos das premissas do argumento ontológico.

      Você diz: “Se tiver havido uma causa primeira, pode haver sucessivas causas secundárias”. Verdade de La Palisse. No entanto, eu contra argumento a premissa dessa primeira causa, algo que você não conseguiu refutar. Por outro lado não demonstra e muito menos consegue provar essa primeira causa.

      A hipótese de Deus não anula nada, não deve ter lido bem a argumentação.
      PS: Não percebo essas confianças a nível de tratamento. Muito menos por parte de quem sucessivamente tem sido abusivamente malcriado com a minha pessoa sem motivo aparente que não seja o facto de ter uma forma de pensar diferente da sua e despida da crença e superstição.

      • orenascido

        Já respondi mais abaixo ao teu anterior comentário, ferreirinha. Andas muito intranquilo ferreirinha, mas já te esqueceste dos insultos que me dirigiste e dos aplausos que diriges aos teus coleguinhas que me insultam, como bom hipocrita que és?

        • David Ferreira

          Caso ande esquecido ou simplesmente perdido, embora não o mereça, sempre o tratei com a cordialidade possível, algo que você manifestamente revelou não ser merecedor.

          Aproveite a pouca paciência que já me sobra para lhe prestar alguma atenção, pois não gosto de perder tempo com nulidades e muito menos com pessoas portadoras de deficiência empática.

          • orenascido

            Para bobo bastas tu e os teus caricatos e ridículos textos. Aquilo só dá vontade de rir e muito, mesmo muito

          • Anti tolo

            Não passas de um merdas mesmo. Quando não te aguentas partes para a tentativa de ridiculizar as pessoas. Não vales o ar que respiras.
            Ri macaco ri. É só para o que serves.

      • orenascido

        Pois, não sabes o que havia antes do Big Bang.

        • David Ferreira

          Não sou eu que afirmo mas sim todas as variantes do argumento ontológico. Leia com atenção os textos antes de tecer comentários despropositados.

          Você gosta muito de utilizar essa palavra – elementar – qual Sherlock Holmes; mas fica-se mais pelo elementar do John Holmes: muita parra, pouca uva, grandes argumentos, flacidez de desempenho, se é que me faço entender…

          • orenascido

            Muita parra e pouca uva ? Os teus risíveis textos ? Aquelas vergonhas em que colocaste a tua assinatura ?

          • Anti tolo

            Deem um gelado ao menino Antolo se não ele faz birrinha. Lá para o Norte também está calor.

        • David Ferreira

          Ninguém sabe.

        • kavkaz

          Esqueceste-te de dizer que a tua meia Bíblia, metade rasgada por ti, não fala de qualquer Big Bang… Querem ver que tu armado em cristão, inventaste um elemento novo que “a palavra de Deus” se esqueceu de incluir na “Revelação”?

          – Tens de inventar uma nova Bíblia, pois esta foi por ti anulada e meio rasgada.

  • Provocador

    O BOBO DO DduA

    Local de exibição: DduA

    Actor principal: David Ferreira

    Sinopse: “Nesse breve e eterno momento em que me deixo envolver espontaneamente na memória mofenta de fogueiras a carbonizar gritos desesperados e de cães enraivecidos em condicionada convulsão a espumar ignorância das gengivas apodrecidas a escorbuto e devoção”

  • Pedro Torres
    • Deusão

      Sempre que um crente aparece com “contribuições” surge o proselitismo; agora, quando é para o lado deles, contribuições = dinheiro.
      Que tal trocarmos isso, crentelho ?
      Mande-nos dinheiro e lhe enviaremos um discurso sobre o ateísmo…

    • Moisés

      Há dezenas de variantes do argumento ontológico, mas S. Anselmo foi o primeiro a articulá-lo deste modo. A falha neste raciocínio é tratar a existência como um atributo. A existência é um dado adquirido. Nada pode ser grande ou perfeito a menos que exista primeiro, portanto o argumento está invertido.

      Uma boa maneira de refutar este raciocínio é substituir “ser” e “Deus” com outras palavras. (“A Ilha do Paraíso é uma ilha…”) Dessa forma poderíamos provar a existência de um “vácuo” perfeito, o que significaria que nada existe!

      O argumento esmaga-se a si próprio, porque pode conceber-se deus como tendo massa infinita, o que é refutado empiricamente. E está-se a comparar maçãs com laranjas ao se supor que a existência na concepção pode de alguma forma estar relacionada com a existência na realidade. Mesmo que a comparação fosse válida, por que é a existência na realidade “maior” (seja lá o que isso signifique) do que a existência na concepção? Talvez seja ao contrário.

      Não admira que Bertrand Russell tenha dito que todos os argumentos ontológicos são um caso de má gramática!

      • Thor

        A prova ontológica recebeu, ao longo da história da Filosofia, duas refutações claras e sistemáticas. O primeiro a denunciá-la como sofisma, foi Tomás de Aquino no século XIII; depois Kant no século XVIII, iria adotar postura semelhante, ante a prova anselmiana.

  • JT

    “Se tudo teve uma causa, não pode haver uma primeira causa”

    Isto corresponde a validar uma de duas deduções lógicas:

    A – nada existe

    ou

    B – Nada tem causa

    “Só algumas coisas têm causa”, por ser parte do tudo, está excluída como premissa, neste caso.

    Estamos perante o absurdo.
    Aqui sim, uma ginástica mental, com sucessivos alongamentos para incorporar o absurdo no domínio do racional. Muito mais ainda quando a “causa” se contrapõe o “acaso”.

    Julgo que o autor ainda não percebeu o ridículo da sua argumentação, pois esta é atípica discussão de ignorância: “quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo.”

    Este tipo de divagação é contrária ao pensamento científico actual, muito mais sistematizado, e que procura atribuir causa a tudo. Nesse sentido se criou o CERN. O busão de Higgs é uma tentativa de demonstrar, precisamente, o contrário do que o autor aqui tenta suportar.

    Bem, mas deixe-se de lado a irracionalidade da “questão da galinha e do ovo”, pois a o absurdo do autor vai um passo mais além. Pois, a sua negação das leis governam o universo visa atingir um fim muito mais absurdo: provar que Deus não existe.

    Sendo Deus, “atemporal”, nada disto
    se lhe aplica, evidentemente. Tanto mais que o tempo é uma concepção humana para
    racionalizar o sincronismo dos fenómenos e percepção de toda a factualidade
    correlata (as causas precedem os efeitos e as consequências sucedem a estes). Tudo
    isto fica no domínio da fenomenologia material.

    Só que, para Deus “ante omnia”, saímos
    fora da realidade material. Energia e matéria, a mesma coisa em estados
    diferentes, são elementos materiais. Já a “ordem” que liga os vários elementos,
    a “regularidade” que lhes dá estabilidade, a sua ocorrência, o facto de se
    conjugarem exactamente esses factores e não outros, são causas imateriais.

    Dessas causas estão longe das hipóteses do autor. A menos que se assumam coisas do género: o meu pc tem um teclado com todos os caracteres, e este texto criou-se, por acaso, tendo necessitado apenas da existência dos elementos físicos que o compõe.

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