Loading

João César das Neves: acudam, que se faz tarde…

Por

E – Pá 

“O economista João César das Neves defende que o problema da Saúde em Portugal não tem que ver com dinheiro, mas é religioso, sustentando que “o Serviço Nacional de Saúde não existe, é uma ficção”.

“O problema verdadeiro da Saúde é religioso e quem tem a solução é a pastoral da saúde”, ou seja, “passa pelo trabalho da comunidade cristã”, defendeu o economista, em Fátima, no penúltimo dia do XXIV Encontro Nacional Da Pastoral Social da Igreja Católica Portuguesa.

O professor de economia da Universidade Católica afirmou ainda que “falar sobre o SNS é como discutir a paz no mundo, a fome em África, a globalização”, acrescentando:”É apenas uma maneira de fazer congressos em sítios simpáticos”.

A verdade, defende, é que o SNS é uma entidade abstrata e “aquilo com que temos de nos preocupar é com aquilo que é real, com as pessoas e os prestadores de cuidados de saúde que nos são próximos”.

Contudo, João César das Neves afirmou ainda “o problema da pastoral da saúde não é tratar dos pobrezinhos, que isso até os comunistas e os ateus o fazem”.

Os cristãos “não são chamados a serem bonzinhos, mas a serem felizes, mesmo no sofrimento dos hospitais e isso só é possível confiando em Jesus Cristo”, frisou.” link

Acabo de ler esta notícia e não quero acreditar!

Trata-se de um professor da Universidade Católica. Um professor de economia de uma instituição que segundo ‘reza’ o seu site “afirmou-se ao longo destes anos pela qualidade do seu ensino, pela exigência da sua formação, pelo prestígio dos seus professores, pelos importantes quadros dirigentes que formou, que se afirmam não apenas no país mas também no estrangeiro”… link

E se o Professor JCN, nos intervalos das suas ‘orações’, ‘prédicas’ e ‘cruzadas‘,  dedicasse algum do seu tempo a estudar ‘proselitismo’ e a combater o ‘sectarismo’, quiçá, a controlar compulsivos instintos ‘fundamentalistas’’?

Não seria mais útil à sua ‘pastoral‘, ao SNS e aos portugueses?

Como é possível caminhar tão apressadamente da crença ao ridículo sem a mínima noção da realidade?

20 thoughts on “João César das Neves: acudam, que se faz tarde…”
  • Huni

    Você deve estar brincando mesmo … como é que é isso que esse energúmeno disse? De fato, já se sabe o quanto os fiéis-cristãozinhos são “bonzinhos”, pra quê gastar dinheiro público com remédios, se basta uma pequena fézinha ao doente, e esse dinheiro vir a comprar uns quilinhos de ouro para os bancos que tanto penam com a crise e com as fiscalizações tão malvadas, que de birra ainda dão anotações para a Imprensa?
    As igrejas evangélicas estão vendendo uns ´óleozinhos” que são uma “bernça” para dos doentes. É só o dizimista comprar uns frascozinhos e também acocorar na cabeceira da cama dos moribundos nos hospitais, de preferência se são de família com algumas posses, para que seus parentes sejam muito agradecidos quando o enfermo “morrer em paz”, e eles corram a agradecer com muitas ofertas para as igrejas. Ô, grória! A vergonha na lata, se tinham alguma, perderam há muito tempo.

  • GriloFalante


    Como é possível caminhar tão apressadamente da crença ao ridículo (…)?”
    A linha que separa a crença do ridículo é tão ténue, que a esmagadora maioria dos crentes dela não se apercebe.
    Quod erat demonstrandum.

  • Tradicionalista

    O que o João César das Neves disse é um enorme disparate. Mas ainda fica a anos-luz do Citadino, quando, em post anterior, afirmou que um feto não é um ser humano porque a personalidade jurídica se adquire com o nascimento. Tão burro que até faz nem saber interpretar o que consta no artigo 24 da Constituição Portuguesa, quanto à inviolabilidade de toda a vida humana, incluindo obviamente os fetos. Afinal, os ateus são uma cambada de estúpidos. Não apenas a esmagadora maioria, mas a totalidade.

    • GriloFalante

      Quando a tua igreja começar a baptizar os fetos, vem falar com a gente.
      Outra coisa: depois dessa espécie de comentário, nunca te esqueças de dizer que os ateus é que insultam.
      Percebeste, cretino malcriadão?

    • Citadino

      Agora estás a confundir a Constituição da República Portuguesa com a tua adorada Bíblia! Esta é que se lê de trás para a frente, de lado e em diagonal, porque o que lá está escrito afinal quer dizer outra coisa qualquer conforme dê jeito aos traficantes de droga.
      Ora vejamos o que diz o 24º da CRP.
      Art. 24º da CRP: (Direito à vida), nº1- A vida humana é inviolável; nº2- Em caso algum haverá pena de morte.

      Do nº1 extraíste a brilhante conclusão que se refere também aos fetos porque fala em vida humana e para ti a vida intra-uterina já configura um ser humano completo e acabadinho como um homem ou mulher adultos porque tu queres. Brilhante raciocínio!
      Se um embrião fosse a “vida humana” a que se refere o art.24º nº1 da CRP, então o recurso ao aborto seria inconstitucional e não haveria volta a dar-lhe como se lhe deu através do referendo. Houve algum jurista que defendeu isso? O César das Neves deve ter defendido, mas esse além de chanfrado é economista.
      Outra coisa é a protecção da vida intra-uterina. Obviamente que ninguém pode livremente prejudicar ou usar a vida intra-uterina como bem lhe apraz, mas isso não significa que estejamos a falar de um ser humano! Há graus de evolução biológica desde a fecundação até ao “nascimento completo e com vida” (66º, nº1 do Código Civil. Vai ler!). Por isso é que a lei que despenaliza o aborto apenas o permite quando verificadas determinadas condições.
      Quanto ao 24º, nº2 da CRP (“Em caso algum haverá pena de morte”), contende directamente com o Catecismo da ICAR porque este admite a pena de morte em certas condições. A não ser que consideres que este nº2 se refere aos fetos!
      Para o direito português só há pessoa após o nascimento completo e com vida (Código Civil). A Constituição da República Portuguesa impede a pena de morte EM QUALQUER CASO, o que deve ser um transtorno para ti e para a ICAR.
      Imagino que detestes o 66º do C.C. e o 24º da Constituição da CRP, mas a lei portuguesa sobrepõe-se à Bíblia e ao Catecismo da ICAR.
      Temos pena, né?

      • snope

        Não gostei. É demasiado perigoso deixar nos políticos o dizer se é já humano em grau bastante. Já vimos o que deu na Europa com os alemães. E é olhar para o que fazem os yanques: esperar 9 meses e depois espetar a tesoura na cabeça do ainda não humano (pois, só parte do corpo saíu, pelo que não nasceu completamente e depois da tesoura, já não sai com vida). Bárbaro e animalesco.

        • Citadino

          Ainda e sempre a mistificação para confundir as coisas.
          O ponto é que só existe pessoa após o nascimento, mas isso não significa, como escrevi no comentário ao Tradicionalista, que não haja protecção da vida intra-uterina e que o aborto só se possa fazer legalmente em determinadas condições, nomeadamente até determinado tempo de gestação.
          O facto da pessoa humana só existir após o nascimento impõe que não haja, em Portugal, pena de morte e que se possa interromper legalmente a evolução embrionária até determinado tempo da gravidez.
          Claro que os cristãos insistem na mistificação de haver um ser humano desde o momento da fertilização do óvulo(!) porque continuam na cruzada contra o aborto. E assim chegam ao paradoxo de admitir a pena de morte relativamente a um ser humano com 30 anos de vida, e a considerar a interrupção da evolução de um óvulo fertilizado há 1 hora como um homicídio!
          Isto é um absurdo porque a religião é um absurdo ainda maior!
          Há graus de vida desde a fecundação do óvulo até ao nascimento. Por isso é que essa vida tem progressivamente uma maior protecção na medida em que se vai desenvolvendo.
          Para os cristãos também são altamente reprováveis os meios anticoncepcionais porque se estão a impedir novas fecundações, ou seja novos “seres humanos” após o momento da fecundação!
          Porque não baptizam os óvulos fecundados?

          P.S.  “E é olhar para o que fazem os yanques: esperar 9 meses e depois espetar a tesoura na cabeça do ainda não humano (pois, só parte do corpo saíu, pelo que não nasceu completamente e depois da tesoura, já não sai com vida). Bárbaro e animalesco”

          Não entendo estas frases! O que é que isto quer dizer?
          Realmente, religião parece que é sinónimo de falsidade, mistificação…Ou são parvos ou fazem-se, para continuar agarrados a absurdas crendices e superstições. 

          • snope

            Não entende?
            O chamado late term abortion é demasiado vulgar entre os yanques. Respeitando perfeitamente a sua idéia de que o ser humano só é pessoa (!) após o nascimento “completo” (corpo todo fora). Ora, se só parte do corpo estiver fora, espetar uma tesoura na cabeça (do ser pré-humano) é perfeitamente bárbaro, mas aceitável. E quando nasce é cadáver, pelo que nao chega a ser humano. Horrendo.
            Interessante é a coincidencia entre as grandes fortunas yanques e alguns supostos progresistas neste assunto. 

          • Citadino

            Mas claro que é horrendo! E a lei portuguesa veda-o em absoluto!

        • stefano666

           aborto é direito da mulher

  • HAMONBAAL

    Está aqui está o tony aldrabão a dizer que o neves é o maior defensor do estado social.

    Este conhecido neoliberal apontou exactamente a receita que o Tony diz que é o ideal em matéria de estado social :

     – Entregar os serviços sociais aos privados e igrejas, esvaziando completamente a principal função do estado.

    – Entregar ao controle dos privados e das igrejas os meios financeiros do estado.

    O Tony até podia formar um novo partido de união nacional.

    Como se diz um acérrimo defensor do estado social mas defende exactamente o mesmo sistema que os neoliberais mais fanáticos, podia reunir imensa gente no melhor de dois mundos.

    Juntava os neoliberais mais fanáticos que querem destruir o estado social e os defensores do estado social suficientemente estúpidos para se deixarem enganar pela conversa dele de que é seguindo as políticas neoliberais que se defende o estado social.

    Juntava imensa gente…

  • António Rodrigues

    Em parte, o JCN tem razão: o problema religioso é um caso de saúde!…
    Trata-se de uma patologia de grave de saúde mental.

    • HAMONBAAL

      A avaliar pela participação dos crentes neste blog, infelizmente começo a acreditar que tens razão.

  • P M M P Alves

    Ao ler alguns comentários a esta notícia não poderia deixar de partilhar a minha humilde opinião. Deve-se antes de mais respeitar as opiniões dos demais por muito difícil que seja. Não é mandar as pessoas para não-sei-onde ou ofendê-las de outra forma que conseguiremos mostrar que temos razão amigo(as)! Respeito acima de tudo.

    Acho que à semelhança do que se passa em outras profissões, existe bons profissionais e maus. Nem todos os crentes terão segundas intenções ou defendem ideias do tempo da idade média.

    HAMONBAAL já que falas-te na questão da crença queria dizer algumas coisas:
    A maior parte das pessoas que vão à igreja são “aqueles com uma idade já avançada” não concordas? Eu acho que isso acontece porque nós, seres humanos, apesar de milénios de existência ainda não lidamos bem com o facto de sabermos que vamos morrer. Por isso, procuramos encontrar reconforto ou tentamos combater a solidão a que muitas vezes somos sujeitos pelas nossas famílias… (existe com certeza mais motivos)
     
    E nem vou falar das hipocrisias que existe… Por muito que custe, muitos crentes têm uma mentalidade extremamente fechada e mesmo quando nos limitamos educadamente a relatar factos, preferem ignorar (talvez porque têm medo de dar razão presumo eu…). Mas como todo o ser humano, reconheco que posso estar errado e por isso digo que terei todo o prazer em trocar ideias com outras pessoas caso façam questão de tentar provar que não tenho razão. Abraço

    • HAMONBAAL

      Concordo absolutamente.

      Eu respeito a crença e as razões da crença, embora não concorde com elas.

      Apenas no tocante às hipocrisias.

      Quem quer respeito tem de se dar ao mesmo.

      Ora, hipocrisia é uma falta de respeito, um insulto.

      Um hipócrita não pode esperar que aqueles a quem ele insulta o tratem como se ele, que começou a insultar, merecesse algum respeito.

      Infelizmente na sociedade dá-se muita importância às apar~encias e pouco às essências.

      A hipocrisia, o pior insulto de todos, passa por algo de bom tom.

      Essa é uma aberração do socialmente correcto com que nunca vou pactuar.

      Um hipócrita é um ser desprezível.

    • GriloFalante

      “A maior parte das pessoas que vão à igreja são “aqueles com uma idade já avançada” não concordas”
      Claro que sim, mas não sei se posso concordar com as razões que aduzes a seguir. As pessoas com idade mais avançada continuam a ir à igreja, e continuam a não encarar a morte. Criaram o hábito.
      Há dias, numa aldeia do distrito de Bragança, conversava com um indivíduo que se diz comunista. No dia seguinte, vim a saber que esse mesmo indivíduo “estava a chegar, porque tinha ido à missa”.
      Perante o meu espanto – um comunista na missa? – fui elucidado: naquela aldeia (e em muitas outras) a missa é um acto social. Vai-se à missa como se vai à taberna, ou ao café, ter com os amigos. Ou se vai aos anos uns dos outros. Quem visitar uma aldeia depois da hora da missa, há-de encontrar as pessoas reunidas em grupos, onde se pergunta pelo “Zé da Burra” ou pela “Miquinhas da Loja”, onde se fazem negócios. Por isso, não devemos, de ânimo leve, dizer que todos os que vão à missa o fazem com devoção ou por não lidar com a morte.

  • carlos cardoso

    Caros Alves e Hamon,
    Julgo que ambos caíram no erro muito comum de confundir o respeito que se deve às pessoas e à liberdade de cada um a ter as suas ideias, opiniões e crenças e a exprimi-las com um respeito a essas mesmas ideias ou crenças, o que seria uma aberração.
    Ninguém pode exigir, como o fazem muitos crentes, respeito pelas crenças. É como se pedissem respeito pelas doenças quando o que merece respeito são os doentes.
    É curioso que este é exactamente o raciocínio de muitos crentes quando dizem que se deve odiar o pecado mas amar o pecador. Deveriam pois aceitar que possamos respeitar os crentes e ridiculizar as suas crenças.
     

You must be logged in to post a comment.