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Equívocos, parte 13. A imagem de Deus.

Na sua série sobre os «Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo», o Alfredo Dinis continua a insistir que o «Equívoco fundamental [do ateísmo] é […] estar estruturalmente impedido de conseguir os seus objectivos». Este uso do termo “equívoco” faz-me lembrar as sábias palavras de Inigo Montoya. O Alfredo insiste também na falsa dicotomia de que o ateísmo «ou tece críticas inteligentes […] à religião, e nesse caso só pode ser benéfico para ela; ou as suas críticas não são nem inteligentes, nem objectivas [e] não beliscam a religião.»(1) Omite a possibilidade mais importante, a do ateísmo desmascarar como infundada a confiança com que cada crente caracteriza o seu deus.

Neste episódio, o Alfredo Dinis aproveita novamente a ambiguidade da expressão “leitura literal” para induzir o equívoco de que os ateus estão «ao lado dos fundamentalistas cristãos que fazem uma leitura literal [da Bíblia]»(1). Consideremos o exemplo menos polémico do “Édipo Rei”, de Sófocles. Se por “leitura literal” se diz considerar todo o texto literalmente verdadeiro, então é óbvio que ninguém faz uma “leitura literal” desta peça dramática. É uma obra de ficção, baseada em lendas da época. Mas também não seria correcto ignorar o que lá está escrito e interpretar a obra como retratando a partilha de responsabilidade entre pais e filhos e a emancipação da mulher, fingindo que a morte de Laio e o incesto com Jocasta são apenas metáforas para o amor filial e a liberdade sexual. Ou qualquer outra coisa que se quisesse impor à leitura do texto. A intenção de Sófocles era que se lesse essa história como a tragédia que lá está descrita, e não como uma metáfora hippie sobre paz e amor.

É isto que os ateus fazem com a bíblia. O ateu não faz a “leitura literal” dos fundamentalistas. Eu não julgo que Deus tenha mesmo transformado a mulher de Lot num pilar de sal. Mas essa história não é uma metáfora para os perigos de comer sal em excesso, ou qualquer outra interpretação que agora possam dar-lhe para que Deus pareça mais bonzinho. É evidente que o autor queria transmitir literalmente o que escreveu: se desobedecem a Deus, por muito insignificante que seja a falta, ele lixa-vos com F grande. Principalmente às mulheres.

Segundo o Alfredo, «Dawkins e os demais autores do novo ateísmo ignoram que os diversos textos bíblicos foram redigidos em épocas, circunstâncias e culturas diferentes». Claro que não. Todos sabem que a Bíblia é uma selecção de histórias de muitos autores, com muitas ideias e prioridades diferentes. Se fosse tudo do mesmo, seria de esperar que Deus ou fosse o Kal-El ou o General Zod. Só essa diversidade explica que ora seja um ora seja o outro, conforme calha. Ao contrário do que o Alfredo defende, a divergência entre ateus como eu e crentes como ele não vem de julgarmos que a Bíblia é literalmente verdade nem de sermos ignorantes quanto à sua origem.

É precisamente pela diversidade cultural e ideológica dos seus autores que discordo do Alfredo quando afirma «que se deve ter em mente o sentido do conjunto dos textos bíblicos». Assumir um sentido conjunto para as histórias da Bíblia é que implica o erro de ignorar «que os diversos textos bíblicos foram redigidos em épocas, circunstâncias e culturas diferentes». Além disso, discordo também que «contextualização histórica e cultural» seja interpretar textos antigos de acordo com o que agora se considera aceitável numa religião, relegando para “metáfora” (de quê, nunca é claro) tudo o que pareça moralmente reprovável ou factualmente implausível, e retendo apenas o que for aceitável por critérios modernos. A «contextualização histórica e cultural» é precisamente o contrário. É ler Sófocles como Sófocles pretendia, e dar aos textos da Bíblia o significado que os seus respectivos autores lhes queriam dar.

Mas a divergência mais fundamental é outra, e resulta também de um equívoco. Escreve o Alfredo que «A imagem de Deus que os novos ateus recolhem da Bíblia baseia-se em passagens do Antigo Testamento nas quais Jahvé é descrito com traços vingativos e cruéis [… mas …] há que considerar que a imagem de Deus que se encontra na Bíblia é um conjunto de imagens sucessivas cujo pleno significado se atinge somente em Jesus Cristo.» Os ateus não “recolhem uma imagem de Deus”. Os ateus sabem que há muitas “imagens” de Deus. Os muçulmanos têm umas, os evangélicos outras, os budistas outras e até católicos como os meus avós têm uma “imagem” de Deus diferente da imagem que o Alfredo tem. Se assim não fosse eu não teria sido logo baptizado com medo que parasse no inferno por falta de bênção. O problema principal é não haver fundamento para qualquer destas “imagens” de Deus.

O Alfredo diz que o «pleno significado se atinge somente em Jesus Cristo», mas o peso das evidências não favorece essa hipótese sobre as do muçulmano, judeu ou budista. Mais importante ainda, se considerarmos o contexto em que surgiram as tradições religiosas e a diversidade das “imagens” de Deus, o mais plausível é que sejam apenas fruto da imaginação humana. Esta é uma hipótese crucial porque, se as religiões forem obras de ficção – como tudo indica serem – deixa de se justificar a teologia, o sacerdócio e o poder eclesiástico. A prestidigitação argumentativa acerca da definição de Deus, das interpretações da Bíblia e dos alegados equívocos dos ateus apenas serve para disfarçar a incapacidade de responderem à pergunta mais básica: como é que sabem que essa religião é verdadeira? Sem resposta para isto não há razão para dar crédito a qualquer “imagem” de Deus.

1- Alfredo Dinis, Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo

Em simultâneo no Que Treta!

19 thoughts on “Equívocos, parte 13. A imagem de Deus.”
  • Anónimo

    Ludwig

    De momento tenho escasso tempo para comentar, mas, quando puder, aqui regressarei para tecer comentários adicionais. Por ora, quero dizer que é um prazer puder ver a forma inteligente como você argumenta. Já li considerações suas que eram de bradar aos céus, mas foram produzidas em momentos passados e não pretendo estar aqui a reinvocá-las. Apesar das minhas divergências em relação a muito do seu argumentário, reconheço que existe uma diferença abissal, entre si e alguns panfletários e odientos ateus.

    Nas suas palavras, noto a pretensão de exercer uma linha de raciocínio escorreita, dentro da sua específica visão filosófica, naturalista e fisicalista , que naturalmente respeito.

    E quanto às críticas que você faz neste texto, em muitos aspectos concordo consigo.

    O grande mal de muitos teólogos foi o de pretenderem conciliar o inconciliável.

    Evidentemente, que a concepção de Deus do AT é altamente deplorável e completamente contraditória com a ética de Jesus de Nazaré.

    Não podem ser o mesmo Deus. O AT é para rasgar e deitar fora, metaforicamente falando. Como documento literário, no entanto, mostra-nos como o pensamento humano antropomorfizou o conceito de Deus à medida da sua própria mediocridade. Há alguns escassos livros do AT que são belos e eticamente elevados, mas são muito poucos. O resto da “paisagem” são passagens terríficas e de uma insensibilidade humana gritante.

    Eu não acredito naquela concepção de Deus do AT, mas acredito em Deus como a Origem do Universo e da vida, numa perspectiva que, hoje, se tornou cada vez mais deísta.

    Sei que nunca deixarei de acreditar em Deus. Independentemente da forma como os livros ditos religiosos foram escritos, eu não precisaria de nenhum livro para crer em Deus.

    Bastar-me-ia contemplar uma bela noite estrelada e sentir que, no nosso maravilhoso Universo, visto a uma escala cósmica, dos biliões de estrelas, há uma infinitude divina que me encanta, me convence e da qual não abdico.

    • Jj Junqueira

      Não te entendo…

    • MM

      A – Como sabes que foi um “deus” que criou isso tudo ?

      B – Depois de provares que foi mesmo um deus, como sabes se não foi mais do que um, i.e se não foram “Deuses” ?

      C – Depois de provares que foi mesmo um deus e que foi um deus único, gostava que provasses como sabes que foi mesmo o “teu” Deus e não um deus totalmente diferente, como o do AT ou até Tlaloc o deus azteca das chuvas ?

      Gostava que presentasses as provas para eu me converter.

      Ou então tenho de concluir que não passa da especulação do costume, tipo tarot da Maya.

  • José Gonçalves

    Eu admito que haja gente que creia na existência de Deus,mas não posso conceber que haja quem se atreva a definir Deus,e pior um pouco,a dizer que Deus quer que façamos assim ou assado.
    Não admito em meu pensamento que se possa crer como verdade que Moisés falou com Deus e que dêle recebeu as Tábuas da Lei ou seja os Dez Mandamentos dos biblico-judaico-cristãos.
    Nem posso crer que o Maomé recebeu o Corão,de um mensageiro de Deus.A conclusão que tiro é que  Deus foi criado pelo Homem à sua imagem e semelhança e a respectiva Religião segundo os seus interêsses. 

  • Kavkaz

    Excelente texto! Parabéns!

    A Bíblia está cheia de contradições. As indicações de uns textos não acertam com as dos outros. No Alcorão acontece o mesmo. Não há uma filosofia única do pensamento. E umas ideias contrariam as outras. Os muçulmanos resolvem o problema de forma “simples”. A interpretação que deve contar é a do versículo posterior.

    Na Bíblia, o Antigo Testamento teve o seu período áureo durante séculos. Hoje preferem ignorá-lo, “interpretá-lo”, até falam em rasgá-lo. Perante os conhecimentos de hoje o Antigo Testamento tornou-se ridículo até aos crentes. O mesmo acontecerá progressivamente com o Novo Testamento. É uma questão de tempo mais ou menos longo. Há quem já o tenha compreendido, mas outros tempos virão com mais e mais descobertas científicas e tornar-se-á ainda mais claro que nem o Novo Testamento se salva do grotesco geral. Ficarão apenas como livros de fantasias religiosas.

    No Novo Testamento a personagem principal, Jesus, só poderia acreditar no Antigo Testamento. E os crentes actuais aceitam o Antigo Testamento como Jesus o aceitava? Pelos vistos os crentes não pensam da mesma maneira que Jesus pensava sobre o Antigo Testamento. Cortando este livro, perdia-se a lenda do Paraíso. E essa dá milhõe$ às Igrejas…

  • Athan3

    Não sei o quanto as pessoas podem se arrepiar, mas cabe ao ser humano encarar qualquer que seja o que tivermos de nos deparar daqui por diante. Acontece é que devido aos inumeráveis casos de arrebentamento anal de criançinha de até 03 anos dentro de igrejas (ressalte-se não é nem de 13  para os 17, quando a Natureza já possibilitou alguns cartões de entrada para a vida sexual), então mexeu-se pra lá,mexeu-se pra cá, e tudo que agora a Sociedade vê é p “pontudo” expedir na mídia um “CONTROLE”, “RÍGIDO”, sobre as pessoas; saindo-se à moda descarada alegando que a Sociedade e as igrejas são responsáveis por todos esses escândalos, ou seja, esses crimes hediondos. Enfim: Nem as igrejas sofrem pena alguma, como também nem pederastas chefetas-de-crenças(no caso, pastuto, pastrófilo, nenhum recebeu pena nenhuma; mas se pegou um bobo aqui, outro ali, para incendiar a encenação de “combate”). O que vemos é aumentar um ferrenho encarceramento dos jovens nas escolas, e o entupimento das religiões nos esportes, nos governos, e em tudo. E a Sociedade cai nessa, e ainda ajuda, enganada pelos lacaios-escorados-em-favores nas organizações de crenças.
    Não é apenas uma carta a um Ministério Público dominado que vai modificar coisa alguma, isso só os alerta a fincarem mais o ferrão na Sociedade.
    Temos de colocar os fatos na cara de todo mundo e resolver de vez o que é que tem por trás desse troço de “deus”, e que palhaçada é essa de tentarem nos pregar “fuligem-vagante”.
    Estamos sob um domínio com intentos parasitas, e parece que não é só o arrebentamento anal de criancinhas que nos espanta, mas parece que nossos cérebros podem ser drenados. Não importa que nem sobre muitos de nós ao pormos um término nessas organizações mentirosas que conhecemos como igrejas e centros de baixação de fuligens, e etc; importa é que consigamos sobreviver como seres ‘humanos’ mesmo. 
    Não sei o quanto as pessoas podem se atemorizar, mas testes com imagens de várias pessoas mostram um padrão característico, mesmo com efeitos de tons; foram feitos registros e comparações de várias imagens encontradas nesses vídeos que pregam “espíritos” “bonzinhos”, e por trás delas sempre apareceu nos testes isso que se vê nessa amostra anexada aqui nesse comentário.Temos de saber em que pântano estamos afundados; temos de saber por que transformam nossa Sociedade num pântano de violência e aberrações, enquanto desfilam na nossa cara os que nos impõem as piores torturas civis. Então uma pergunta faz urgir uma resposta premente: “Por que essa organização que chamamos Governo é de mando,e não de composição de esforços e produtos?”. E, o que nos faz encurvar como escravos? 
    Também sabemos que as igrejas batistas, presbiterianas, assembléias de deus, etc, têm os mesmos traços esquisitos em seus líderes e em suas construções. porque repartem-nos em currais, porque nos socam em um covil fechado e pregam-nos um monte de enganação?
    Qual é o tamanho de toda essa mentirada?  
    Afirmo, nenhum ser humano precisa ter mêdo de nada, temos valor suficiente para sermos uma espécie livre, que almeja, com todos entretantos que tivermos que lidar com nossa consciência, que almeja ser feliz.

  • Jairo

    Ludwig,

    Finges que não sabes os argumentos dos cristãos:

    ” como é que sabem que essa religião é verdadeira?”
    Para fugires a isto:

    Como é que sabes que essa religião é falsa?O teu ateísmo é baseado na repetição da tua crença de que os outros não têm maneira de saber se a sua religião é verdadeira. O teu ateísmo é mesmo uma filosofia da treta. 

    • MM

      Ah então como ateísmo é uma especulação, o que eu concordo, isso prova imediatamente que a especulação contrária  é verdadeira.

      Demagogia mais boçal é impossível.

  • Hunig

    Que olho é esse e que ferrões são esses? Imagem colhida em post no Deusilusão e colocada em teste como a imagem mostrada no comentário acima.

  • Ludwig

    Jairo,

    «Como é que sabes que essa religião é falsa?»

    Porque dizem que um foi morto e ressuscitou, que nasceu de uma virgem grávida, que há um deus omnipotente que ama todas as crianças mas nem se incomoda em avisá-las quando vão pisar uma mina, ou alguma vez manifestou ser contra a comissão de atrocidades em seu nome, etc. Há muitas evidências que justificam concluir que essa religião é falsa.

    Além disso, havendo milhares de religiões das quais, no máximo, apenas uma será verdadeira, o mais seguro de concluir acerca de qualquer uma é que é falsa.

    E tu, que evidências tens de que Maria nunca teve relações sexuais, apesar de ter engravidado?

  • Ludwig

    António,

    «Bastar-me-ia contemplar uma bela noite estrelada e sentir que, no nosso maravilhoso Universo, visto a uma escala cósmica, dos biliões de estrelas e galáxias, há uma infinitude divina que me encanta, me convence e da qual não abdico.»

    Os humanos são capazes de grandes coisas. Sinfonias, ciência, literatura, pinturas, etc. Serem capazes de olhar para as estrelas e sentir uma infinitude divina não é de estranhar. O que quero apontar é o erro de concluir que essa tal divindade que se sente existe mesmo. Isso é como ouvir Wagner e concluir que quando os guerreiros morrem vêm mesmo valquírias buscá-los.

    • Anónimo

      “O que quero apontar é o erro de concluir que essa tal divindade que se
      sente existe mesmo. Isso é como ouvir Wagner e concluir que quando os
      guerreiros morrem vêm mesmo valquírias buscá-los”

      Ludwig Krippahl

      Você quer apontar o “erro” da crença em Deus a partir de que específica
      metodologia ? Da sua própria metafísica naturalista, materialista e
      fisicalista, é isso ?

      Quer apontar o ” erro” da crença a partir de uma prova científica, é isso ?

      Como é que você mostra que Deus inexiste ?

      Não mostra. A crença em Deus é do âmbito estritamente metafísico
      exactamente como metafísica é igualmente  grande parte das concepções filosóficas do Dennet.

      Ele pode, tal como você, equiparar os seres humanos a máquinas de
      escolhas e de Turing, a processos estritamente algorítmicos, e até à IA.

      Mas isso são concepções igualmente metafísicas. Nelas não há nenhuma cientificidade.

      Quanto ao cérebro, o Damásio apenas pode estabelecer uma correlação
      entre os circuitos neuronais e o pensamento. Mas o que não está
      cientificamente provado é que sejam as redes neuronais a provocar os
      estados mentais e não a mente a manifestar-se em zonas físicas do cérebro.

      Já aqui mostrei, por várias vezes, que o ateu e neurocientista Sam
      Harris sustenta que a mente precede o cérebro e os seres vivos, vou-me
      dispensar de voltar a citar essa proposição do Harris que você
      certamente conhece,

      Então como é que você quer demonstrar o ” erro” de que tal divindade existe mesmo ?

      Não tem como. Está num beco sem saída. A crença em Deus é uma convicção,
      que se retira conceptualmente de variadas perspectivas. Não há concepções
      uniformes de Deus. A  minha é preponderantemente deísta

      Você acredita, presumo, na Teoria do Cego Acaso e da Abiogénese, como
      supostamente explicativas da existência do Universo e da Vida.

      Mas, por várias vezes, já aqui demonstrei a ininteligibilidade e falta
      de lógica dessas teorias, que nem o próprio Darwin subscreveu.

      Comparar a crença em Deus à existência das valquírias é um argumento também totalmente inconsistente Ludwig . Aqui você, que ia tão bem embalado, no seu texto, mais uma vez descambou para a superficialidade e irracionalidade discursivas

      Alguém imagina Einstein ou Darwin, por exemplo, a sustentarem que também
      eles acreditaram que o Universo surgiu da suposta magia das valquírias ?

      Alguém conhece algum blogue anti-valquírias ? Alguém que se assume ” anti-valquiriano ” ?

      Ó Ludwig, esse argumento saltou-lhe de que ineficiente estrutura neuronal ?

      Depois, a constante ideia de Deus mostra que estamos também perante o maior dos arquétipos culturais.

      Fruto igualmente do próprio processo evolutivo, como produto da Evolução.

      Para que a crença em Deus fosse mero sub-produto evolutivo, seria necessário que fosse um fenómeno residual, que não é.

      Em Portugal, a taxa dos ateus não chega sequer aos 2%, no resto do mundo ou é igual ou significativamente mais baixo. A maior taxa do ateísmo, na Europa, verifica-se na República Checa, na ordem dos 5%.

      Ou seja, à escala mundial, um número altíssimo de indivíduos são crentes e uma pequeníssima minoria ateus.

      Donde vem esta renitente crença em Deus ? Pode também provir da Evolução e de bases igualmente etológicas. Mas mesmo que assim seja, isso não prova que Deus existe ou não. Prova que o conceito arquetípico de Deus está inscrito na maioria dos seres humanos.

      Por tudo isso, você pode continuar a tentar o impossível: ” demonstrar” que existe ” erro” na crença em Deus e, ainda mais difícil, tentar mostrar a lógica da comparação entre Deus e as valquírias.

      Ouça antes Mozart, Ludwig, é muito mais tranquilizador para o espírito e para a correcta geometria de pensamento do que Wagner….

      • Kavkaz

        “Como é que você mostra que Deus inexiste ?”

        Pelo simples facto do livro, onde afirmam a existência de um “Deus criador do mundo em seis dias, o Antigo Testamento, dever ser “rasgado” por ser falso! E desaparece a ilusão daquele “Deus” criador. 

        Os que não quiserem estudar Ciência terão de inventar outro(s) deu(es) se insistirem na necessidade de arranjar um criador par entenderem o universo em que se encontram.

      • MM

        “Não tem como. Está num beco sem saída. A crença em Deus é uma convicção,
        que se retira conceptualmente de variadas perspectivas.”
        Exactamente como a crença na não existência de deus, a crença no Tarot da Maya ou no Baron Samedi e no seu exérico de zombies.  TUDO ESPECULAÇÂO PURA.

        Cada um é livre de especular o que lhe apetecer, mas afirmar que a sua especulção, só porque é a SUA especulação contem a verdade universal, sem qualquer sombra de dúvida é DESONESTIDADE INTELECTUAL.

    • MM

      As Valquírias vão mesmo buscar os guerreiros.  

      Está provado porque milhares de sacerdotes e milhões de pessoas acreditaram nisso durante séculos.  E os Bathory também !

      http://www.youtube.com/watch?v=DsHAS3aoK5k

  • Alfredo

    Caro Ludwig,

                    Confirmo que a tua interpretação
    da Bíblia é exactamente a dos fundamentalistas cristãos e exactamente pelos
    mesmos motivos. As razões nas quais fundamental a sua leitura da Bíblia são as
    mesmas que tu apresentas. Isto é uma questão objectiva. A interpretação de
    textos, sejam eles de que natureza forem, não é tão simples como parece. A
    Hermenêutica é uma unidade curricular que é leccionada na Universidade em
    muitos cursos, sobretudo cursos de letras. Em cursos de ciências não creio que
    isso faça parte do currículo.

                    Como sabes, até mesmo o grande
    Saramago fez uma desnecessariamente triste figura  ao falar da sua interpretação bíblica a
    propósito do seu último romance Caim. Li várias críticas demolidoras vindas de
    não crentes.

                    O facto de uma determinada passagem
    ser de interpretação metafórica não lhe diminui o valor. Por vezes passa-se
    exactamente o contrário. Uma metáfora diz mais do que um texto de sentido
    literal.

                    Falas recorrentemente na
    verdade, mas deves saber que, para além das verdades triviais, como ser verdade
    que estou a responder-te, a verdade, mesmo do que consideras conhecimento,
    incluindo o conhecimento científico, não é algo que possamos afirmar possuir. A
    definição corrente de conhecimento como ‘crença verdadeira e justificada’ é um
    sonho humano inatingível. Desde Aristóteles que filósofos e cientistas têm
    procurado encontrar critérios definitivos que justifiquem definitivamente o
    conhecimento em geral e as teorias científicas em particular e que, por
    conseguinte, nos assegurem que uma determinada teoria é definitivamente
    verdadeira. Mas isso ainda não aconteceu. Isto significa que o conhecimento
    religioso não seguindo os cânones do conhecimento empírico das ciências da
    natureza, não lhe fica necessariamente atrás.

                    É evidente que eu tenho razões
    para crer na existência de Deus, mas não espero que te satisfaçam, sobretudo
    quando colocas à partida condições que nem sequer se aplicam ao ‘verdadeiro
    conhecimento’. Encontras na tua conclusão o que já tinhas inserido na premissa.
    Claro!

                    Saudações,

     

                                                                                  Alfredo

    • MM

      Portanto a vossa Hermenêutica é aproveitar o dá jeito em termos de propaganda e ignorar o resto.

      Gostava de saber qual é o significado simbólico de passagens bíblicas como aquela em que moisés manda, em nome de deus, os pais matarem os filhos e os irmãos matarem os irmãos senão o justificar todos os crimes em nome do bem da seita religiosa.  

      Claro que, para ti, vais já “hermeneutizar” uma conclusão “à maneira”, que vos convenha, por exemplo, que essa passagem o que quer realmente dizer é que devemos ser bons para os passarinhos ou outra aldrabice idiota do género.

      Entretanto isso não se chama Hermenêutica, chama-se MENTIR COM TODOS OS DENTES.

      PS

      EU sou de letras e tive Hermenêutica no meu curso.  E não, não tem nada a ver com as vossas apropriações abusivas e imorais.  

  • José Gonçalves

    Para reforçar o meu comentário acima escrito,direi que se como ensina a Religião biblico-judaico-cristã,Deus é um Ser invisível e com todos os seus predicados num grau infinito,não pode ter necessidade seja do que fôr.E sendo assim,porque criou o Mundo e depois o Adão e duma costela dêste criou a Eva?!Depois colocou-os no Paraíso Terral mas como um absoluto ditador,
    proibíu-os de comerem o fruto da árvore da ciência do Bem e do Mal.Mas se êle é infinitamente sábio,como ensina a Religião,sabia de antemão,que Adão e Eva não cumpririam a ordem,o que implicaria a sua expulsão do Paraíso Terreal.Depois,ainda que a Igreja diga que Deus é imutável,
    êle arrependeu-se de ter criado o Mundo e os Seres humanos e resolveu enviar um Dilúvio que matou muitos seres inocentes que não tinham pecado,excepto os que o lendário Noé levou p’rà Arca.Ora um Deus desta natureza,com tais sentimentos,só pode ter sido criado pelo HOMEM à sua imagem e semelhança e a respectiva Religião segundo os seus interêsses.E da Religião que
    ensina que Deus enviou um Anjo que emprenhou a judia Maria e que ela depois de parir o filho de Deus chamado Jesus,ainda ficou virgem,é outro absurdo.A razão da vinda do filho de Deus,foi para
    sofrer e morrer para remir o pecado original,pecado êste que se estendeu a toda a humanidade,
    Mais um absurdo.Nem um Juiz terreno seria tão cruel.E para terminar,deixarei aqui a pergunta:
    -Que Deus é êsse assim tão mau/tão cruel,tirano e sanguinário/que se porta pior que um marau/
    e mata o filho no Calvário??!!

    • MM

      Um deus criado à imagem e semelhança dos fanáticos religiosos tipo Breivic como os que pululam neste blog.

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