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  • 27 de Fevereiro, 2011
  • Por Ricardo Alves
  • Islamismo

Al-Qaradawi, o clérigo que quer levar a revolução egípcia da praça Tahrir para a mesquita

Na primeira sexta-feira depois da queda de Mubarak, uma imensa manifestação celebratória teve lugar na praça Tahrir. Apenas a um homem foi dado o privilégio de se dirigir à multidão: Yusuf Al-Qaradawi, cheique sunita, recém-chegado de três décadas de exílio no Golfo Pérsico.

Registe-se que nesse dia não foi permitido que falasse Wael Ghonim, um dos jovens que mais simboliza a juventude egípcia mobilizada através da internete, e que aliás estivera detido de 27 de Janeiro a 9 de Fevereiro. Não: Al-Qaradawi controlava a praça.

A sua popularidade resulta, em boa medida, do programa televisivo «A chária e a vida», difundido a partir do Catar pela Al-Jazira há quinze anos (todos os domingos). As suas posições extremistas são elucidativas: defende o bombismo suicida na Palestina, a mutilação genital feminina (e a masculina, claro), punições para homossexuais e adultério, o assassinato de Salman Rushdie, e o extermínio dos judeus. Embora elogie frequentemente a Irmandade Muçulmana, já não é membro, e até se deu ao luxo de recusar liderá-la em duas ocasiões, a última das quais em 2004.

Os militares que se desembaraçaram do seu semi-fantoche Mubarak ainda não mostraram se apoiarão os jovens revolucionários  por enquanto sem partido ou os islamistas da Irmandade Muçulmana. Há quem preveja que Al-Qaradawi será para o Egipto o que Khomeini foi para o Irão. Porém, 2011 não é 1979, e a história não se repete. Mas convém manter este homem debaixo de olho.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]


Vídeo bónus: Al-Qaradawi diz o que pensa de Hitler e dos judeus.

4 thoughts on “Al-Qaradawi, o clérigo que quer levar a revolução egípcia da praça Tahrir para a mesquita”
  • Anónimo

    “A História não se repete” é um chavão. “A História repete-se” é outro chavão. Ambos têm valor equivalente, e uma coisa em comum: são chavões.

  • Athan3

    Os charlatões de 2a. categoria, oportunistas mais bizonhos que os parasitas-hereditários aparecem ávidos para ‘colocar as coisas em ordem’. na imundície saem ratos entram baratas; a consciência não move, só o que move é a doideira.
    Assim é o que está estampado agora lá no tal “planeta ateu”. Instinto é Foda. Aquilo exalava um mexido de vumito com fossa. E não deu outra: Está lá dito que o tal sítio é um amontoamento de ex-crentes que depois de terem a fuça de enganar as pessoas com as crenças que as esmigalham, tiraram vantagem da libertin agem e putaria reinante nos antros enrustidos chamados igrejas e fundaram uma igreja “ateía”.
    Aí é que tá. Sabendo que os vídeos da série Zeitgeist estouraram na internet, que eles fizeram? Pegaram as denúncias feitinhas e as transformaram numa caganeira e estão espalhando-a por todo lugar ainda arrebanhando ateus e agnósticos.
    Esses caras têm que saber que a bandeira dos não-crentes não é palhaçada não.
    Isso não não é bandalha não.
    O comentário que fiz lá sobre o tal ‘ex-pastuto’ que tirou a sua igreja das trevas das crenças para levá-la pra sacanagem que ele criou com seus amiguinhos de putaria, eles tiraram. E mais, quando a gente entra no site do Movimento Zeitgeist tem link lá pra ‘sugar’ o seu computador. Foi assim que uma recomendaçãod o Google descreve como canalhas colocam um link bem chamativo (um de lá tinha o Obama como pretexto) que induz o internauta a clicar nele. Então tá aqui: Podem alertar de ponta a ponta, em todos os sites de ateísmo que esses safados do planeta ateu vão ter que dar explicações aos internautas ateus, agnósticos, céticos, etc.
    Vou detonar aquela canalhice de meia-tijela toda. Já chega esses desgraçados pastutos e padrófilos que tão aí sugando até o osso da gente, e vem esses caras safados tirar com a cara do pessoal ateu?

  • Athan3

    A “carinha” dele … o povo tomando do rabo, e ele com essa cara de pilantra …
    http://deamdurorude.wordpress.com/2011/02/28/serao-os-sem-crencas-enganados-por-uma-igreja-ateista/

  • Zeca-portuga

    Não espero mais do que isto para o Egipto.

    Vi a entrevista a dois jovens manifestantes e confirmaram o que eu pensava.
    Insistiam a dizer que querem “um Egipto mais Ocidental”.
    O Jornalista pergunta: “com leis do Ocidente?”
    A resposta é rápida e certeira: “Sim!… Como nos países da Europa!… Liberdade, democracia, uma sociedade aberta, livre e justa…”

    O jornalista precisa melhor o conceito: “Por exemplo: em quase todos os países da Europa uma mulher pode divorciar-se do marido sem que tenha que justificar a decisão. Pode de seguida casar-se com quem quiser. Mas, se preferir ficar sozinha, e caso não tenha meios de subsistência, o ex-marido pode ser obrigado por um juiz de um tribunal a dar-lhe uma pensão para ela viver. O que pensam destas leis no Egipto?”

    A resposta não podia ser mais esclarecedora das intenções de liberdade destes jovens.

    Um deles responde: “Eu resolvia o assunto facilmente – matava o juiz e a mulher…”
    O outro, mais irado ainda, responde: “ Bem… eu matava o palhaço do juiz, a prostituta da mulher e a família dela toda…”

    Se não tivessem dito mais, isto servia como exemplo da finalidade da sua luta.

    Estive no Egipto durante as manifestações – que apenas mobilizavam uma área muito restrita do Cairo e englobam pessoas que nem sabiam o que reivindicavam. Hoje, entre o povo, teme-se mais a influência americana do que islâmica, já que é um país com um curioso governo que nem sabe se governa ou não.
    Nunca tive receio de Hosni Mubarac, mas da evolução do país tenho fundado receio.

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