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Mudar de opinião

Uma pessoa de mente aberta deve condicionar a sua opinião às evidências e aos factos.

Quando acreditamos que um facto é verdadeiro sabemos que essa crença poderia ser alterada perante evidências em contrário.

Este princípio deve aplicar-se a tudo, e eu aplico-o também à minha crença de que Deus não existe. Existem várias coisas que, a acontecerem, fariam mudar a minha opinião a respeito da existência de Deus. Mesmo do Deus cristão.

Jesus podia aparecer, como teria aparecido aos discípulos, mostrar as chagas e tudo o mais. Ou poderia aparecer na ONU e fazer milagres que seriam escrutinados por todo o mundo. A oração poderia ser capaz de fazer crescer braços e pernas naqueles que as perderam, ou pelo menos nos mais devotos entre eles. Ou numa mesma noite toda a gente, em todo o mundo, poderia ser visitada por um anjo que esclarecesse qual a forma mais correcta de interpretar a Bíblia, evitando assim tantos equívocos entre aqueles que querem seguir o caminho de Jesus. Enfim, as possibilidades são imensas.

E um cristão? E outro crente religioso não cristão? Que factos ou acontecimentos o fariam concluir que afinal Deus não existe?
Se não existirem nenhuns, então a pessoa não tem a mente aberta em relação a esta crença.

32 thoughts on “Mudar de opinião”
  • MO

    Um bom 2011, João,

    Agradeço a sua postura.

    Não me parece que Deus exista – pelo menos no sentido que dá a essa afirmação e daí as “provas” que mudariam a sua opinião. Eu não penso que se viajasse até ao limiteo Universo (ou conseguisse superar esse limite) daria de caras com Deus…

    Como cristão, a minha crença assenta no depósito de fé, nos testemunhos que me chegaram dos primeiros cristãos, e no modo como a sua vida mudou. “A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer”, lê-se no Evangelho de S. João. (A primeira frase confirma o que escrevi no parágrafo anterior.) Era preciso outra manifestação directa? A Igreja continua o trabalho de Cristo e é sustentada por aquilo que ele derramou sobre os seus seguidores. Por outro lado, racionalmente, Deus, como criador, pode ser conhecido pelas coisas criadas – e nada disto tem a ver com os mecanismos que geraram determinado tipo de vida e não outra, mas com o facto de existir algo em vez de nada.

    Era preciso mais manifestações? Repare, o que Jesus diz é que Deus nos ama, amando portanto também a nossa liberdade. De modo que demasiadas manifestações seriam uma forma de nos “obrigar” a acreditar. Daí a nossa fé sobrenatural.

    Mais lhe digo: acreditar na existência de Deus é dar sentido à nossa existência e à existência do mundo, mas não é de modo nenhum declarar que se conhece ou se compreende a natureza de Deus. Sobre isso, o silêncio.

    Pax et bonum

    • Jvgama

      MO,

      O MO acredita em Jesus pelo testemunho que lhe chegou. Mas o MO acredita no testemunho de quem alegadamente teve a manifestação directa de Deus, ao mesmo tempo que alega que um Deus que lhe desse manifestação directa “violaria” a sua liberdade de acreditar.
      Esta parece-me uma contradição preocupante.

      Eu não concordo que as manifestações de algo sejam uma violação da minha liberdade de não acreditar nesse algo. Nem o meu computador viola a minha liberdade de acreditar que não existe, nem os meus amigos violam essa liberdade, nem a força da gravidade viola essa liberdade. Acredito que conhecer a verdade de forma inequívoca não me torna prisioneiro, torna-me mais livre.

      Mas se acredita que “demasiadas manifestações” seriam uma forma de Deus o obrigar a acreditar nele, então Deus teria violado a liberdade de S. Paulo, de S. Tomé, de todos os apóstolos, de todos os que estavam presentes nas bodas de Canaã, ou dos Pastorinhos de Fátima, ou daqueles que alegadamente teriam testemunhado o milagre do Sol.

      Mas nenhum indício da existência de Deus indigna os crentes por ser uma violação da liberdade de quem quer que seja, porque na verdade ninguém acredita que conhecer a verdade seja uma violação da liberdade de acreditar numa mentira.

      Na verdade, acredito que essa é uma justificação a posteriori para justificar o injustificável.

      O MO chama-me impaciente. Mas para justificar essa crítica tem de assumir o ponto em debate – tem de assumir que Deus existe.

      Eu considero ambas as hipóteses. E perante essas hipóteses explico a minha preferência por uma delas sem assumir à partida que está certa, e até dou exemplos de coisas que me fariam mudar de opinião.

      Quanto à crença em Deus, o MO afirma não ser capaz de fazer o análogo. Agradeço a honestidade, mas terá de concordar que isso mostra o que está ou não está disposto a fazer para considerar imparcialmente as hipóteses em cima da mesa.

      • MO

        Falta um pouco de contexto a esta discussão – a questão da não-profusão da manifestação directa divina (divine hideness) é um tópico central na teologia contemporânea. É o facto de a manifestação de Deus em Jesus ser única, sem paralelo, que nos permite discutir esse problema aliás. Para além disso, houve apóstolos que resistiram a acreditar, mesmo estando perto dos acontecimentos (como S. Tomé).

        Quanto ao resto, deixei bem claro que não há para mim um problema a resolver, logo não há “hipóteses em cima da mesa”. Obviamente que posso considerar a hipótese de Deus não existir, mas esse exercício torna-se desde logo estéril, parece-me, porque antes de procurarmos respostas temos de tentar perceber porque colocamos perguntas.

        Pax et bonum

  • MO

    Acrescento mais uma palavras para lhe responder directamente. O que me faria mudar de opinião? Se fosse provado que todos os documentos da Cristandade primitiva fossem falsificados deixaria de ser cristão. Mas como o próprio Hitchens diz, espantado, em relação aos Evangelhos (já sem falar nos outras documentos dos Padres da Igreja), os textos não parecerem ter sido manipulados para persuadir porque contêm coisas embaraçosas (sobre S. Pedro) e pouco persuasivas se tivessem sido inventadas (as mulheres como primeiras testemunhas).

    Mas não deixaria de acreditar em Deus. Isto talvez o surpreenda. Mas essa crença é uma aceitação de uma mistério (que é também o mistério do mundo). Não é, para mim, um problema para o qual procuro uma solução. Logo, não é uma opinião que esteja sujeita a revisão (como a pertença a uma comunidade religiosa poderá ser). É algo de profundo, que toca no mistério que eu sou e que nós somos. Um mistério, neste sentido, como este da crença em Deus não é o que eu não sei, mas é o que eu não posso deixar de saber – e que é inesgotável.

    Pax et bonum

  • MO

    Mais palavras… Este post confirma-me que o que nos separa é a paciência – e o que une os crentes e os ateus pode ser muito maior, o compromisso com o bem, a tentativa da construção de um mundo melhor, por exemplo, onde nos encontramos, não poucas vezes. Eu tenho dúvidas, incertezas, mas tenho paciência com Deus – e o João não cultiva essa paciência. Digo-lhe por experiência própria, a proximidade com Deus não é algo que surja de um momento para o outro, é o trabalho de uma vida…

    Pax et bonum

  • antoniofernando

    João Vasco Gama:

    Antony Flew e Alister Mc Grath foram dois conceituados pensadores ateus que mudaram de opinião. E que, de ateus, se transformaram em crentes.Eu,se não tivesse conhecido a Doutrina de Cristo, seria igualmente crente. Não necessito de conhecer as religiões teístas para acreditar em Deus. Um número muito significativo de cientistas foram deístas. Tal como Einstein, que acreditava em Deus como Entidade Inteligente e Causa Primeira do Universo,mas não admitia uma concepção de Deus pessoal e interventor na realidade humana.Por mim falo:há muitos anos julguei sentir a Presença de Deus através da contemplação da Natureza, e daquela imediação que normalmente se caracteriza como Sentimento Religioso.Por isso, se não fosse cristão, seria sempre deísta, no sentido de que Deus é a Causa Primeira da origem do Cosmos e da Vida.Penso que o maior entrave à aceitação de Deus é a temática do Mal. Mas esse problema resolvi-o depois de muitos anos em busca de uma explicação racional que fosse capaz de o solucionar. E encontrei-a não há muito tempo. Algumas pessoas próximas do meu círculo familiar e de amizades sabem o que é que determinou a minha revisão do conceito de Deus interventor. De facto, é racionalmente inaceitável que Deus opere milagres nuns e não noutros. Que, na tragédia do Haiti ou similares, salve miraculosamente uns e permita que outros pereçam. Situação diferente é saber se poderá ou não existir seres com alto grau de desenvolvimento espiritual que sejam capazes de operar aquelas intervenções chamadas miraculosas.Como acredito ter acontecido com Jesus de Nazaré. Mas que podem integrar-se numa visão mais abrangente das leis da Natureza. De todas as leis naturais e não apenas daquelas que hoje já conhecemos.Não desejo abordar o que me levou a aceitar Deus, não obstante a existência do Mal. Teria que entrar em aspectos demasiado pessoais que não desejo aqui partilhar. Também porque não me motiva qualquer espécie de proselitismo. E igualmente por entender que cada um deve buscar a sua própria visão da vida, seja ela crente, agnóstica ou ateia.Note que o próprio Sam Harris admite a pré-existência da Consciência em relação aos cérebros e aos próprios seres vivos. O que é algo absolutamente extraordinário, vindo de uma personalidade relevante do movimento Novo Ateísmo e ainda por cima por ser neurocientista de formação académica.Pelo que também lhe deixo esta questão para eventual reflexão: o Ateísmo terá que ser exclusivamente materialista ? Ou poderá alguém manter-se ateu, não acreditar na existência de Deus, mas admitir a existência de realidades imateriais como a consciência e a alma ? Por mim, não penso que esta admissibilidade determine qualquer incompatibilidade com uma concepção ateísta da vida. O facto de se poder admitir a alma humana não significa necessariamente que foi Deus quem a criou.Você pode olhar para si como um mero amontoado de átomos materiais organizados ou como uma entidade imaterial que radica no seu corpo.Mas esta última hipótese não determina que você seja crente ou ateu. Aliás, os átomos são compostos por 90% de ” vazio”. E, quando a matéria sub-atómica se pulveriza já deixa de fazer sentido falar em matéria, mas antes em energia. Você é um aglomerado de energia. E onde termina essa sua energia ? Não termina. Você liga-se, enquanto composição de energia a toda a energia que o envolve, como, no fundo, decorre da chamada Teoria das Cordas. Então quem é que você é ? Um aglomerado de átomos ? Um ser individual ? Ou um elemento integrante e indissociável da Natureza? E será individual ou ilusoriamente individual como o Budismo sustenta ? Mesmo que você não acredite em Deus, fisicamente os átomos do seu corpo ligam-se à energia envolvente. Não há limite conhecido para a divisibilidade dos átomos e elementos sub-atómicos. E também na Natureza , nada é intrinsecamente destrutível. Será por isso que a energia do Universo é = a 0 ? Se você contabilizar toda a matéria espacial conhecida só encontra 4% da energia total.É muito pouco para tentar demonstrar que Deus não existe…:-)

    • Jvgama

      António Fernando:

      Faz-me muitas perguntas, sem ter respondido à que faço no texto.

      Tentarei responder às perguntas que me coloca, pedindo antes esclarecimentos sobre a terceira frase do seu texto:

      «Eu,se não tivesse conhecido a Doutrina de Cristo, seria igualmente crente.»

      O António Fernando não é crente? E por ter conhecido a Doutrina de Cristo?

      Posto isto, e evitando falar das crenças das pessoas que referiu, que também dariam uma longa conversa fora do tema, vou limitar-me a responder às perguntas que fez:

      «o Ateísmo terá que ser exclusivamente materialista ? Ou poderá alguém manter-se ateu, não acreditar na existência de Deus, mas admitir a existência de realidades imateriais como a consciência e a alma ?»

      Não, e o exemplo que deu de Sam Harris é um bom exemplo a esse respeito.

      Note, no entanto, que a maioria dos ateus acredita na realidade da “consciência”, simplesmente acreditam que existe porque tem um suporte material, tal como o software de um computador – é imaterial, mas apenas existe porque existe um suporte material no qual possa “correr”.

      «E onde termina essa sua energia ?»

      «Então quem é que você é ? Um aglomerado de átomos ? Um ser individual ? Ou um elemento integrante e indissociável da Natureza?»

      «E será individual ou ilusoriamente individual como o Budismo sustenta ?»

      Acredite ou não, parece-me que esses dualismo que coloca é um problema de linguagem, mais do que de realidade.

      Quanto aos 4%, a sua opinião mudaria caso conhecessemos 99%? Se não, esse dado acaba por ser irrelevante.

      Eu afirmo que não existo Deus como afirmo que não existem Dragões. Se um dia descobrirem um novo planeta no qual existem Dragões, altero a minha posição. Se um dia descobrirem aquilo que considere uma boa razão para acreditar em Deus, altero a minha posição, e isso até nos traz de volta ao tema inicial do texto.

      E o António Fernando, o que é que o levaria a concluir que a sua posição estava equivocada?

      • antoniofernando

        “Um pouco mais de sol – eu era brasa,
        Um pouco mais de azul – eu era além.
        Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
        Se ao menos eu permanecesse aquém… ”

        ( “Quase”, Mário de Sá- Carneiro)

        João Vasco Gama:

        Para lhe ser sincero, não vejo que haja algo que me pudesse fazer descrer em Deus senão a problemática do Mal. Esse é o maior desafio filosófico, do meu ponto de vista,à plena aceitação de Deus.

        Eu sou crente, mas essa minha crença derivou essencialmente do que caracterizei como Sentimento Religioso, ao contemplar a Natureza. É um sentimento inexprimível por palavras. Uma convicção íntima, forte,de que o Universo teve uma Causa Primeira, identificável com a dimensão do Absoluto.

        O problema do Mal determina que não possa ser concebido Deus sem a Evolução da Vida nas mais diversas vertentes: das espéciea e espiritual.

        E só assim se consegue perspectivar a compatibilização de Deus com a existência do Mal.

        Se não se olhar para o Universo e a Evolução como algo acabado, mas como algo em constante, livre e inter-relacionada marcha, na linha do que sustentou, por exemplo, Teilhard de Chardin.

        Eu já enfrentei uma grave crise de fé. E, nesse momento, poderia hipoteticamente ter-me tornado ateu ou agnóstico.

        Mas não.Dessa crise a minha convicção em Deus saiu reforçada, ainda que hoje já não possa aceitar uma concepção de Deus interventor na realidade humana e, muito menos, ao sabor de díspares e casuísticas intervenções. E muito menos ainda por via de supostas rezas e intercessões.

        Rejeito totalmente essa concepção de Deus. Não tenho que acreditar em qualquer tipo de forma dogmática ou teológica instituídas, mas apenas naquela na qual intimamente reconheça.

        exaustiva.

        Pergunto: quem é cada um de nós.

        Jesus de Nazaré disse que somos deuses.

        deuses parece-me pouco. Um pouco mais acima na dimensão do Absolutoi parece-me bem melhor…

        • JoaoC

          “Jesus de Nazaré disse que somos deuses. deuses parece-me pouco. Um pouco mais acima na dimensão do Absolutoi parece-me bem melhor…”

          HERESIA GNÓSTICA.

        • JoaoC

          “Jesus de Nazaré disse que somos deuses. deuses parece-me pouco. Um pouco mais acima na dimensão do Absolutoi parece-me bem melhor…”

          HERESIA GNÓSTICA.

    • PT

      Por cada “ateu” que se torna cristão devem haver um 1000 “cristãos” que se tornão ateus …

      • Jvgama

        É verdade.
        Em termos demográficos, os ateus têm em média menos filhos que os crentes religiosos. No mundo ocidental o número de ateus aumenta precisamente por causa dessa assimetria de conversões. Actualmente o número de crentes que deixa de o ser é muito superior ao número de ateus que deixa de o ser.

        • HC

          Não despreze o mundo oriental que lá uma grande parte é ateia no verdadeiro sentido da palavra … de facto aproveitam o melhor dos dois mundos: mantém uma espiritualidade mas negam a existência de deus

          • Jvgama

            Eu não desprezo o mundo não ocidental. Apenas preferi falar a respeito dos dados que conheço melhor.

      • Jvgama

        É verdade.
        Em termos demográficos, os ateus têm em média menos filhos que os crentes religiosos. No mundo ocidental o número de ateus aumenta precisamente por causa dessa assimetria de conversões. Actualmente o número de crentes que deixa de o ser é muito superior ao número de ateus que deixa de o ser.

  • antoniofernando

    Alguns elementos adicionais sobre a dimensão 0 da energia total do Universo:

    “Há cerca de 100 milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões (1 seguido de 80 zeros) de partículas na região do universo que podemos observar. Donde vieram? A resposta é que, na teoria
    quântica, as partículas podem ser criadas a partir de energia em forma de pares partícula/antipartícula. Mas isto suscitou a questão de saber donde vem a energia. A resposta é que a energia total do universo é exatamente zero. A matéria do universo é constituída por energia positiva. Contudo, toda a matéria atrai-se a si própria devido à gravidade. Dois pedaços de matéria que estejam perto um do outro têm menos energia do que se estiverem muito afastados, porque é preciso gastar energia para os separar contra a força da gravidade, que os atrai um para o outro. Portanto, em certo sentido, o campo gravitacional tem energia negativa. No caso de um universo que seja aproximadamente uniforme no espaço, pode mostrar-se que esta energia gravitacional negativa anula exatamente a energia positiva representada pela matéria. Portanto, a energia total do universo é zero.” (Hawking, Breve história do tempo)

    “Existe uma possibilidade ainda mais notável, que é a criação da matéria a partir de um estado de energia zero. Esta possibilidade surge porque a energia tanto pode ser positiva como negativa. A
    energia do movimento ou a energia da massa é sempre positiva, mas a energia da atração, como aquela devida a certos tipos de campo gravitacional ou eletromagnético, é negativa. Podem surgir circunstâncias nas quais a energia positiva que vai formar a massa das recém-criadas partículas de matéria é exatamente compensada pela energia negativa da gravidade do eletromagnetismo. Por exemplo, na vizinhança de um núcleo atômico o campo elétrico é intenso. Se pudesse ser feito um núcleo contendo 200 prótons (possível mas difícil), então o sistema tornar-se-ia instável contra a produção espontânea de pares elétron-pósitron, sem entrada de energia absolutamente nenhuma. A razão é que a energia elétrica negativa pode compensar exatamente a energia das suas massas.

    “No caso gravitacional, a situação é ainda mais bizarra, pois o campo gravitacional é apenas um espaço deformado – espaço curvo. A energia contida num espaço deformado pode ser convertida em partículas de matéria e antimatéria. Isto ocorre, por exemplo, perto de um buraco negro, e também foi provavelmente a fonte mais importante de partículas no Big Bang. Assim, a matéria aparece espontaneamente vinda do espaço vazio. Surge então a questão: o Bang primevo possuía energia, ou o universo inteiro é um estado de energia zero, sendo a energia de toda a matéria compensada pela energia negativa da atração gravitacional?

    “É possível esclarecer a questão com um simples cálculo. Os astrônomos podem medir as massas das galáxias, a sua separação média, e as suas velocidades de recessão. Introduzindo estes números numa fórmula dá-nos uma quantidade que alguns físicos interpretaram como sendo a energia total do universo. A resposta de fato é zero dentro da precisão observacional. A razão para este resultado notável já por muito tempo tem deixado os cosmólogos intrigados. Alguns sugeriram que existe um princípio cósmico profundo em funcionamento que requer que o universo tenha exatamente energia zero. Se isso é assim, o cosmos pode seguir o caminho da menor resistência, vindo à existência sem requerer qualquer entrada de matéria ou energia.” (Davies, Paul. 1983. God and the New Phisics)

  • Jvgama

    Esse assunto é interessantíssimo.

    Só que esse texto está fora do tema do post inicial, e certamente não responde à pergunta que lá é colocada.

    • antoniofernando

      João Vasco Gama

      Você faz as perguntas, mas há várias formas de se responder.A minha resposta anterior saiu truncada e ininteligível, por razões de ordem informática, a que certamente Deus será alheio.

      Repito aqui os pontos essenciais, relativos à sua questão:

      1- A temática do Mal traduz, a meu ver,o maior obstáculo filosófico à existência de Deus.
      2- Deus permite o Mal ? Permite. Tal como permite que toda a Evolução, animal e espiritual, prossiga livremente;
      3- Já passei uma grave crise de fé. E, a partir da sua superação, deixou de fazer sentido acreditar em Deus como um Ser permanentemente interventor na realidade humana e muito menos acreditar que faça milagres a uns e não a outros.Muito menos ainda que actue em funções de rezas ou casuisticamente. Não admito que, numa tragédia, como a do Tsunami ou a do Haiti, se possa afirmar que Deus salvou miraculosamente uns mas não outros;
      4- Mas isso não significa que não continue a acreditar em Deus como Origem do Cosmos e da Vida.
      5- Onde está então Deus ? Se cada um de nós tentar progredir em termos cada vez mais humanamente generosos talvez O descubramos, não fora, mas dentro de nós.
      6- Tanto quanto posso estar convencido da minha profunda crença,julgo implausível alguma vez deixar de acreditar em Deus, sobretudo depois de ter ultrapassado a minha fase escura de descrença em Deus. A mundiviência ateísta perdeu um eventual ateu. Mas eu, enquanto crente, encontrei-me a mim próprio…

      • Jvgama

        António Fernando:

        1- Discordo. O Mal só é um problema se assumirmos que Deus é bom e omnipotente. Se não assumirmos um Deus que é bom, ou se assumimos que os seus poderes podem conhecer limites, a existência do mal não é indício da inexistência de Deus.

        2 e 3 – Se a existência de mal não é também para o António o indício que o levaria a mudar de opinião, então estamos fora do assunto do texto.

        4 – Até tenho alguma curiosidade pelas crenças pessoais do António, visto que é, tanto quanto percebo, o crente que mais comentários escreve neste blogue. Mas tem de admitir que não era essa a pergunta do texto.

        5 – O António acredita que Deus está “dentro de nós”. O que é que o levaria a mudar de ideias?

        6 – Note que eu também considero implausível passar a acreditar em Deus. Mas isso não significa que não tenha inúmeras respostas se me perguntassem o que é que me faria mudar de ideias.
        Mas o António não se limita a considerar implausível que eventos que o levassem a mudar de opinião pudessem ocorrer. O António não é capaz de descrever eventos hipotéticos que o levassem a mudar o seu ponto de vista.

        Do ponto de vista intelectual, do ponto de vista da fundamentação das ideias, de saber se elas resultam da análise da realidade, ou se pelo contrário é esta que resulta delas, esta diferença de atitude diz bastante.

  • antoniofernando

    João Vasco Gama:

    1- Concebo Deus como Bom e Omnipotente. Mas não concebo Deus a impedir que qualquer um de nós não cometa erros. Concebo Deus a permitir que toda a Evolução, humana e espiritual,se desenvolva livremente. Mas não concebo que faça de cada um de nós marionetas;

    2- Não estamos fora do assunto do texto. Você pode fazer as perguntas que entender, mas não pode ser o mesmo a dar as minhas respostas. Perguntou o que faria um crente deixar de ser crente. Eu respondi de forma absolutamente clara. Falei-lhe da problemática do Mal e da minha crise de fé. Na não aceitação de Deus interventor nos eventos humanos.

    3 -Se verificar o elenco dos Top Commenters,curiosamente todos ateus, verificará que estou muito longe de integrar o painel dos nomeados, embora não me tenha dado à pachorra de contabilizar as minhas intervenções. Grato,no entanto,pela sua estrénua dedicação contabilística;

    4- Quanto a mudar de ideias em relação à crença em Deus, já lhe respondi: considero totalmente implausível deixar de acreditar em Deus, depois de ter sido confrontado na minha acentuada crise de fé, com as questões que mais me interpelaram para pôr em causa a minha crença: a não intervenção casuística e parcial de Deus nos eventos humanos e a temática do Mal;

    5-” O António não é capaz de descrever eventos hipotéticos que o levassem a mudar o seu ponto de vista. ” Volto a dizer que já lhe respondi: não considero nenhuns hipotéticos eventos que me levassem a mudar o meu ponto de vista.

    6-“Do ponto de vista intelectual, do ponto de vista da fundamentação das ideias, de saber se elas resultam da análise da realidade, ou se pelo contrário é esta que resulta delas, esta diferença de atitude diz bastante. ” É a sua visão, mas você não é a minha pessoa. E a ” análise da realidade” tem muito que se lhe diga. Você pode olhar para uma imagem da Via Láctea e não sentir o Divino, pode atentar nos evangelhos e permanentemente duvidar dos seus relatos. Pode atentar nas imagens do Santo Sudário ou de Manoppelo e entender que são forjadas. Pode ler relatos sobre experiências de quase morte e entender que todos os relatos são mistificações. Pode analisar relatos sobre experiências mediúnicas ou de memórias regressivas e entender que é tudo farsa e que a alma não existe como entidade real. Pode achar que não há inteligência quando os girassóis viram sempre na direcção do Sol ou quando as árvores lançam as raízes sempre na direcção da água.Pode conformar-se com a Teoria, absurda,da Abiogénese. Pode fazer tudo isso e interpretar a realidade como muito bem entender. Mas há, pelo menos, algo que o JVG nunca conseguirá fazer: analisar a realidade por mim, e conferir à noção de realidade a caracterização que eu, como ser autónomo, singular e individual,dela extraio…

  • 123

    Aqui se vê a inflexibilidade do pensamento de alguns crentes: sem respostas para dar, mudam de assunto .. o importante é falar muito e dizer muito o nome de deus

  • Jvgama

    1- Mas o António está a discutir comigo ou consigo mesmo? Foi o António quem alegou «A temática do Mal traduz, a meu ver,o maior obstáculo filosófico à existência de Deus». As suas últimas afirmações no ponto 1 seriam adequadas, a seu ver, para obstar a isto. Mas não à minha afirmação de que o Mal não obsta à existência de um Deus que não seja necessariamente bom, ou cujo poder possa ser limitado.

    2- «Eu respondi de forma absolutamente clara. Falei-lhe da problemática do Mal e da minha crise de fé.» Permita-me discordar. Se eu pergunto: o que é que o convenceria, e o António responde “X é que não é de certeza” isso não é uma resposta clara.
    Se a resposta foi “nada”, isso é uma resposta clara. Mas aí as considerações sobre o “mal” são supérfluas e fora do tema.

    3- Se ler com atenção verá que me referi a si como o “crente que escreve mais comentários”.

    4- Já respondi a este equívoco no ponto 6 da minha mensagem anterior.

    5- Isso é uma resposta clara 🙂

    6- «É a sua visão, mas você não é a minha pessoa.»
    Pois, por isso escrevo qual é a minha visão. E felizmente nem escrevi ainda agora uma mensagem a sugerir que “somos todos Um” antes de frisar tão assertivamente a distinção entre ambos. 😉

  • Luciano

    Acredito que está é uma das características que os céticos devem cultivar: a busca por provas. Quando se sustentam por sí só (as provas), dão base para o verdadeiro conhecimento. Ciência é isso, senhores.

    Abraço

  • Anónimo

    MUDAR DE OPÍNIÃO?

    O DITADO JÁ É VELHO….SÓ OS BURROS É QUE NÃO MUDAM.

  • Marina Pop

    faltou falar da crença própria que isso sim é de interesse ter.
    O auto conhecimento é para se chegar mais perto de “Deus” seja qual for a religião .

  • Antonio Porto

    O interessante é que depois que jesus ressucitou lázaro, os fariseus planejavam matar não só a jesus, mas também a lázaro.

    Esse espírito dos fariseus é o mesmo que habita muitos homens de hoje.
    Muitos viram e não creram.

  • Rafa

    Discordo, por um só motivo Antonio Porto, eu não vi nada, e mesmo que visse isso teria que ter uma explicação científica e racional, pois este é o meio que utilizo para entender os fenômenos naturais.

  • Rafa

    Antonio Fernado, pelo meu entender você respondeu a pergunta no texto e também confirmou de forma excepcional o que o Jvgama quis dizer (acredito eu).
    Quando você diz que considera totalmente implausível deixar de acreditar em Deus e ímpossivel a criação de qualquer hipótese que demostre tanto você confirma a idéia geral do texto, concluindo, logo, que você não tem uma mente aberta em relação a própria crença, limitanto-se intelectualmente a novas possibilidades ou outras visões que explicassem a razão primeira desencadeadora de tudo.

    Não deixo de notar, apesar disso, que você passou por um momento de reflexão profunda em sua “crise de fé”, mas não vejo isso, e acho que você também não deveria ver, como algo ruim. Muito pelo contrário, o questionamento e a procura pela verdade (assim como foi citado no texto) devem ser uma constante no pensamento racional, no untuito de buscar uma visão clara, objetiva e verdadeira da natureza e seus fenômenos. Quando você diz que não há hipóteses que o fariam mudar de idéia você não esta agindo de forma a buscar a verdade, mas se fechando as respostas que poderia encontrar. Se você acredita que não há hipóteses que o fariam mudar de idéia então falar com você é o mesmo que falar com uma porta, pois nada mudará sua opinião.

    Essa é justamente a característica que distingue a ciência da religião, uma esta sempre se questionando, sempre buscando a verdade, sempre querendo aprender mais e sabendo que todo o conhecimento é relativo, nada é absoluto, tudo pode mudar. A outra trabalha com ferramentas inquestináveis, que não podem ser desafiadas pois trabalham com o sobrenatural, com aquilo que não pode ser estudado, com o irreal.

  • Rafa

    “Obviamente que posso considerar a hipótese de Deus não existir, mas esse exercício torna-se desde logo estéril, parece-me, porque antes de procurarmos respostas temos de tentar perceber porque colocamos perguntas.”
    Este trecho, tirado de uma fala do MO, para mim parece muito pertinente, pois, para ele, me parece, que para supormos tal situação temos que, a posteriori, considerar que deus não existe. Eu te respondo, MO, que colocamos perguntas para entender e pensar de forma clara a realidade que nos cerca, para evitarmos sermos ludibriados, enganados ou tomarmos conclusões que estão absolutamente erradas. Você diz que quando acredita em deus este enche sua vida de significado, mas que mal teria em sua vida não ter significado?

    Acho um contrariedade sem tamanho usar a ciencia quando é conveniente para, logo após, mostrar motivações que de maneira alguma seguem os princípios ciêntificos. Se este “sentimento religioso da presença divina” não pode ser medido, estudado ou racionalizado empiricamente então não é cabível utilizar a ciencia para explica-lo, nem muito menos blindala contra a própria. O Antonio Fernando usa da ciencia para explicar o efeito Big Bang e como esta chegou a conclusão do universo ter energia zero, mas não quer expor suas crenças a análise indiferente e fria da ciencia.

  • Rafa

    “Obviamente que posso considerar a hipótese de Deus não existir, mas esse exercício torna-se desde logo estéril, parece-me, porque antes de procurarmos respostas temos de tentar perceber porque colocamos perguntas.”
    Este trecho, tirado de uma fala do MO, para mim parece muito pertinente, pois, para ele, me parece, que para supormos tal situação temos que, a posteriori, considerar que deus não existe. Eu te respondo, MO, que colocamos perguntas para entender e pensar de forma clara a realidade que nos cerca, para evitarmos sermos ludibriados, enganados ou tomarmos conclusões que estão absolutamente erradas. Você diz que quando acredita em deus este enche sua vida de significado, mas que mal teria em sua vida não ter significado?

    Acho um contrariedade sem tamanho usar a ciencia quando é conveniente para, logo após, mostrar motivações que de maneira alguma seguem os princípios ciêntificos. Se este “sentimento religioso da presença divina” não pode ser medido, estudado ou racionalizado empiricamente então não é cabível utilizar a ciencia para explica-lo, nem muito menos blindala contra a própria. O Antonio Fernando usa da ciencia para explicar o efeito Big Bang e como esta chegou a conclusão do universo ter energia zero, mas não quer expor suas crenças a análise indiferente e fria da ciencia.

  • Hunig

    “condicionar”? “crença” que deus não existe? Este post parece cultura de bêbado; e os comentários fúteis que não servem pra nada parece que estão já contaminando a serventia do Diário Ateísta. Há mais o que fazer, muito mais o que fazer do que ficar a bulinar ego de infelizes imbecis mal intencionados que empesteiam o que é postado aqui. Ateu não tem chance nenhuma em lugar nenhum (os crentóides denunciam em bando, rápido); mas aqui emporcalham tudo que se posta, à vontade. Isso não é tolerância. Isso é falta de noção de propriedade e critério.

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