Loading
  • 30 de Agosto, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

Para que servem as orações?

Por

José Moreira

“Passeando” pelos jornais televisivos, deparo-me com a notícia, a correr em rodapé, de que “Bento XVI reza constantemente pelos mineiros do Chile (o sublinhado constantemente não é meu)”.


Desde logo, não está provado que as rezas possam servir para alguma coisa. Se servissem, certa

mente que nada teria acontecido aos mineiros, pois as famílias também devem rezar constantemente para que nada lhes aconteça. Além disso, tudo quanto é gente está empenhada em tirar os mineiros da dramática situação em que se encontram.

Fundamentalmente, estão empenhados em dar-lhes, enquanto durar esta situação, as melhores condições possíveis, evitando a entrada em depressão, tentando mantê-los ocupados, enfim, descrever as preocupações das diversas autoridades seria um exercício redundante, já que os leitores certamente acompanharão o desenrolar da situação.

De qualquer modo, onde eu quero chegar é a este ponto: as autoridades não estão a procurar a solução do problema nas mãos de uma qualquer divindade. Ou seja, eles não confiam em deuses para resolver os problemas. Provavelmente confiaram, ao não acautelar as devidas condições de segurança (respiros com escadas, por exemplo); se o fizeram, o resultado está à vista. Depois, acresce outra questão: onde estava Deus quando se deu a derrocada?

Mas a questão principal até nem é essa. “Bento XVI reza constantemente pelos mineiros do Chile”. Muito bem, se calhar é a sua obrigação. Mas, porquê a publicidade? Porquê a ânsia de protagonismo? Porquê a compulsiva atitude de se pôr em bicos de pés? Não foi Jesus que disse algo como “Mas, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus 6:3)?

32 thoughts on “Para que servem as orações?”
  • Anónimo

    O DN tomou para título a palavra ‘milagre’ para uma reportagem sobre este acontecimento, agora resta esperar para saber o que colocarão no título quando a investigação sobre o mesmo estiver concluída…

    Orar ou não orar, o resultado parece ser sempre o mesmo, até à data nunca ninguém provou que fizesse qualquer diferença, contudo o que faz a diferença é a experiência, e no caso concreto essa foi devidamente considerada.

    Durante séculos morreram mineiros em acidentes similares ao que aconteceu a estes mineiros (e não houve milagres ou rezas que os salvaram…), até que os responsáveis pelas minas passaram a construir abrigos para salvaguardar os trabalhadores. Resultado, muitas vidas foram salvas, e estes 33 mineiros estão vivos por causa desses desenvolvimentos na indústria mineira.

    O resgate e manutenção dos mineiros continuará a provir do conhecimento acumulado pela Humanidade até à data, isto independentemente de haver quem reze, e reze as vezes que quiser…

  • Pingback: Tweets that mention Para que servem as orações? :: Diário Ateísta -- Topsy.com

  • Anónimo

    ESTA E OUTRAS DESGRAÇAS COMO ESTA E QUE PERMANENTEMENTE ASSOLAM OS HOMENS,TÊM SEMPRE MUITO POUCOS COMENTÁRIOS POR PARTE DE CRENTES, PRIORES, FRANCISCANOS E OUTROS…ALIÁS A MAIOR PARTE DELAS SÃO OMITIDAS.
    SOBRE ESSAS DESGRAÇAS, DE FORMA GERAL AFIRMAM A MÊDO E PARA OS MAIS CRÉDULOS QUE É UM SINAL DE DEUS…E QUANDO CONFRONTADOS AINDA TÊM A LATA DE DIZER QUE FOI UM MILAGRE NÃO TEREM MORRIDO…OU DIZEM QUALQUER OUTRA ALDRABICE.
    ATITUDE MAIS RAZOÁVEL, PARA QUEM AFIRMA QUE DEUS EXISTE E ESTÁ EM TODO O LADO, SERIA AFIRMAREM QUE NA ALTURA DESSES ACONTECIMENTOS DEUS ESTARIA A TOMAR CONTA DE OUTRO ASSUNTO MAIS IMPORTANTE NOUTRO HEMISFÉRIO…NOUTRO PLANETA OU MESMO EM REUNIÃO COM O PONTÍFICE.

  • Anónimo

    NA REALIDADE AS ORAÇÕES SERVEM PARA ESTUPIDIFICAR OS CRENTES CUJAS REZAS SÃO PERFEITAMENTE MECÂNICAS, PARA FAZER PERDER O TEMPO DAQUELES QUE DEVERIAM UTILIZÁ-LO PARA REFLECTIR NAS INCONGRUÊNCIAS DAS RELIGIÕES E NA EXPLORAÇÃO DOS HOMENS.

  • MO

    Caro ajpb:

    Poucos comentários? Isto é um aspecto da maior importância e muito discutido.

    Oramos porque aceitamos a graça de Deus, porque deixamos que Deus trabalhe em nós, sem resistência. O objectivo de um cristão é tornar a vida numa oração permanente, fazer cada coisa como uma oração. Por aqui se vê que a oração é no limite uma acção de amor e Fé. Num sentido muito profundo é Deus que ora em nós, não nós mesmos.

    Deus escuta sempre, como Jesus nos escutou. Como pode não escutar se é pessoal, se está investido na sua criação? Mas as respostas às orações não são directas, podem até passar despercebidas, e só são reveladas através dos mecanismos de funcionamento específico do mundo. O Papa ora POR eles, não para que sejam salvos amanhã ou para que isto ou aquilo aconteça… Ele está ao lado deles como Deus está. Acham que este amor demonstrado através da oração não enche os mineiros de coragem? Acham que não dá mais força e energia a quem os tenta salvar? A oração é tão só uma comunhão de quem ora com Deus, de quem ora com quem é nomeado nela.

    Pax et bonum.

  • José M

    Caro MO:
    Segundo me apercebi num dos seus comentários noutro local, o MO estará ligado à religião. Se a memória não me atraiçoa, pertence a uma ordem religiosa. Nada contra.
    Ainda vou ficando espantado, apesar de tudo, coma facilidade com que certas pessoas falam dos desígnios de Deus,como se tomassem o pequeno-almoço, diariamente, com ele. “Ele (o Papa) está ao lado deles como Deus está”. Quem lhe disse? Foi Deus, ou o Papa? E que adianta, a um ou a outro, estar “ao lado” deles? Eu também estou, muita gente estará, mas… que adianta? Vai trazê-los mais depressa para a luz do dia? Claro que não. Claro que, e como não podia deixar de ser, a falácia tem que estar presente: “Mas as respostas às orações não são directas, podem até passar despercebidas, e só são reveladas através dos mecanismos de funcionamento específico do mundo.” Voilá! Há-de haver qualquer coisa, seja ela qual for, que “justificará” as orações papais. Porque a frase não é mais do que um enorme saco onde cabe tudo o que nós quisermos. Faz-me lembrar uma frase que alguns antigos colegas meus costumavam proferir: “Um polícia só não sabe o que não quer saber”. Já viu frase mais falaciosa?
    Se, no entanto e por desgraça, os mineiros não se salvarem apesar das orações, também não haverá problemas: porque existe sempre uma frase – falaciosa, claro – para justificar o acontecimento: “Os desígnios de Deus são insondáveis” ou “foi a vontade de Deus”. Assunto resolvido.

  • Jcduarte

    Acredita mesmo nisso que escreve ou quer também fazer mais um bocado de propaganda?
    Se acredita consulte um médico urgentemente e se é só propaganda poupe o seu tempo que os jornais e as televisões do regime tratam disso.

    O que eu quero mesmo escrever é que para escrever isso mais vale estar “calado” internetamente falando.

  • antoniofernando

    “Onde estava Deus quando se deu a derrocada?

    Mas você acredita ou não em Deus, Carlos Esperança ?

    Essa pergunta um ateu não faz…

  • antoniofernando

    E tu precisas de consultar um manual de boa educação. Não és capaz de divergir sem insultar ó ateísta doutrinador ?…

  • Jairo Entrecosto

    “NA REALIDADE AS ORAÇÕES SERVEM PARA ESTUPIDIFICAR OS CRENTES ”

    E os ateus que são estúpidos, serviram-se do quê para o efeito?

    Ou não há ateus estúpidos?Cuidado com a resposta, “não há” também seria a falácia do verdadeiro escocês de que tanto vos falo, amiguinhos…

  • Anónimo

    Para responder à questão no título, uma das coisas que servem as orações, isto é, especificamente, a ideia da oração, é de inspiração para escolher imagens ao acaso, juntar uma música e escrever mensagens que promovem o uso da oração e suas finalidades, que até à data não foram demonstradas, antes pelo contrário…

    Veja-se um dos exemplos que existem na Internet: http://www.youtube.com/watch?v=R0q7D9Rz9NU&feat

    A explicação probabilística dos “milagres” (e a associação que muitos ainda refutam…) pode ser observada, por exemplo, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=yNe_v_gDLXU

  • MO

    Caro José:

    O que disse foi que um Deus criador pessoal não fica indiferente. Pouco sei do que Deus pensa exactamente. Sei que me ama, sei que nos ama (também a si) e que nos quer em comunhão e em amizade – sei isso porque Jesus o disse.

    Voilá! Há-de haver qualquer coisa, seja ela qual for, que “justificará” as orações papais.

    Não leu o que escrevi. Limitei-me a tentar explicar o que é uma oração. Continuar a insistir que há (ou não há) uma justificação para a oração através do efeito que ela provoca é um mal-entendido. A oração justifica-se a si própria no gesto que é. Nunca me viu usar frases como “Os desígnios de Deus são insondáveis” ou “Foi a vontade de Deus”. Já muitos cristãos estudiosos o fizeram aqui e noutros blogues, mas repito: os ateus não entendem a liberdade que Deus deu à matéria (com as suas cadeias causais) e aos seres com livre arbítrio. Deus não interfere, muito menos mostra favoritivismo ao curar este e não aquele.

    Estamos portanto não ao nível da “especulação teológica” mas da realidade e da escolha – como sempre estamos. Pergunta-me então: mas não é verdade que há pessoas alegam ser curadas ou salvas miraculosamente? Um sobrevivente dias sem água, soterrado no Havai, diz que a sua confiança em Deus (a sua Fé) lhe deu força para se aguentar, para não desistir. Aparetemente fez os impossível, como muitos fazem quando doenças regridem. Deus não age directamente, mas através de. É preciso vontade e entrega das pessoas, é preciso deixarem-se tocar pelo amor de Deus – mas é preciso nunca esquecer que o universo físico tem as suas próprias leis e que por vezes resta-nos aceitar o destino do nosso corpo.

    Pax et bonum.

  • antoniofernando

    Caro MO:

    É um prazer lê-lo e aprender consigo:Não sou dos que pensa que não temos a receber lições dos outros. Tudo depende do sentido convincente do ensinamento:

    ” Deus não interfere, muito menos mostra favoritismo ao curar este e não aquele.” Obrigado.

    A sua presença neste blogue é muito importante. Não desfaleça.

    Permito-me sugerir igualmente a sábia lição de Skakespeare:

    ” O inferno está vazio. Os demónios estão todos aqui”…

  • Anónimo

    MEU CARO MO
    ESSA APARÊNCIA TODA PARA QUEM AFIRMA QUE NÃO ACREDITA MAS QUE TEM CONFIANÇA, É DEMASIADO POUCO PARA FAZER ALGUÉM CRER…EM ALGUMA COISA.
    OLHE LÁ…
    PENSA QUE ESTE É O PRIMEIRO ACIDENTE EM MINAS COM MINEIROS SOTERRADOS? CLARO QUE JÁ HOUVE MAIS…E PROVAVELMENTE MUITOS DELES TAMBÉM REZARAM E NÃO SE SAFARAM…
    E DEUS ESTAVA DO LADO DELES A FAZER O QUÊ? QUAL FOI A RESPOSTA ÀS ORAÇÕES?
    QUE RESPOSTA DÁ ÀS FAMÍLIAS DELES? …QUE AS RESPOSTA ÀS ORAÇÕES PODEM ATÉ PASSAR DESPERCEBIDAS? É POUCO…
    E SE NESTE CASO UNS MORREREM E OUTROS VIVEREM? DEUS ESTEVE MAIS AO LADO DE UNS DO QUE DE OUTROS? PORQUÊ?

    EU SABIA…
    OS QUE MORREREM SÃO ATEUS.

  • Zeca-portuga

    Nada indica que seja exactamente assim.
    Alíás, conheço situações reais em que não foi assim.

    Mas, cada qual comenta até onde vai o seu conhecimento e até onde a sua mente abarca.

    – Curiosamente, alguns casos recentes, em iguais circunstancias, terminaram de forma bem diferente.

  • Zeca-portuga

    “NA REALIDADE AS ORAÇÕES SERVEM PARA ESTUPIDIFICAR…”

    Então, vossemecê ou é uma dos mais crentes do planeta, ou é uma prova irrefutável de que está a mentir!!!!!!!!!!!!1

  • Anónimo

    Caríssimo Zeca-portuga:

    Nada indica que tenha sido assim… o quê? Que o DN não utilizou a palavra ‘milagre’ num dos títulos associados a esta notícia? Que as orações realmente fazem a diferença? Que a indústria mineira não superou algumas das parcas situações de segurança de trabalho que replicava faz séculos? Que os 33 mineiros em questão não estão a beneficiar do refúgio construído resultante da experiência previamente assimilada?

    Claro que existem casos que ainda hoje não têm este desenlace, a indústria mineira é diversificada, cada mina terá condições que outras não têm, um desabamento pode ser detectado antecipadamente e dar hipótese para correrem para um abrigo ou então tarde de mais, claro que estes salvaram-se e outros continuam a morrer, a indústria mineira continua a ser das indústrias onde mais acidentes de trabalho ocorrem, sobretudo em África…

  • Carlos Esperança

    António Fernando:

    O texto não é da minha autoria. De qualquer modo, em sentido figurado, também me pergunto onde anda Deus, essa criação humana mal sucedida?

  • Anónimo

    OH ZEQUITA
    TEM CALMA , EU SEI QUE TE TOQUEI BEM LÁ NO ÍNTIMO, MAS NÃO TE ENERVES.
    AMANHÃ TAMBÉM É DIA.
    VAI-TE CONFESSAR, POR CAUSA DESSES PENSAMENTOS OU SE QUISERES EU PRÓPRIO TE OUÇO EM CONFISSÃO, PREGANDO-TE DESDE JÁ COM UMAS CENTENAS DE PAI NOSSOS E AVÉ MARIAS PARA VER SE RECUPERAS…

  • Jairo Entrecosto

    Está resolvido, é apenas estúpido e não sabe o que significa a relação entre Omnisciência Divina e Autoconhecimento;pois acha que o direccionamento do raciocínio autoconsciente em louvor e reverência à fonte que a permite é “estupidificar.”

    Como diria o grande Vasco Santana:”é estúpido e é burro!.

  • Jairo Entrecosto

    Já agora, cumprimentos Zeca Portuga e continue a não ter pena nenhuma destes rapazolas malcriados.

  • José M

    Caro MO:
    A sua resposta daria “pano para mangas”; mas como eu gosto mais de aprender, gostaria que me respondesse : “O que disse foi que um Deus criador pessoal não fica indiferente”. Se não fica indiferente, o que vai fazer? Vai ficar a olhar e a dizer “coitados dos homens”?
    “Deus não age directamente, mas através de.” Isso significa, realmente, o quê?
    “(…) que por vezes resta-nos aceitar o destino do nosso corpo.” Em que ficamos? “Destino” ou “livre arbítrio”?
    “(…) e aos seres com livre arbítrio.” Livre arbítrio? Já reparou que o livre arbítrio choca com a alegada omnisciência de Deus? Deixe-me expor o meu raciocínio, partindo da hipótese, para mim meramente académica, da existência de tal entidade: Deus sabe tudo, o passado, o presente e o futuro. Aliás, para Deus nem sequer se devia colocar a questão “tempo”. Julgo que não há “tempo”, na “eternidade”. Muito bem. O MO provavelmente ainda não sabe onde é que, e se, vai gozar férias no próximo ano (as deste ano já não contam, por duas razões: ou já estão gozadas ou estão devidamente planeadas); mas Deus sabe. Neste momento, Deus sabe SE e ONDE o MO vai gozar férias no próximo ano, ou não fosse omnisciente. Em resumo: o MO pode correr e saltar, porque irá, fatalmente, gozar férias ONDE Deus já sabe que vai. Onde está o seu “livre arbítrio”? Quantas vezes o MO diz “até amanhã, se Deus quiser”? Se Deus quiser? Significa que se ele não quiser não há “até amanhã”? Então, e o livre arbítrio? Afinal, Deus interfere ou não?
    O sobrevivente do desastre do Havai pode dizer o que quiser. Aliás, as pessoas podem dizer o que quiserem. Os que sobrevivem no Paquistão dirão outra coisa, os indianos outra ainda diferente. Eu sobrevivi a dois cancros e, sem margem para dúvidas, direi outra coisa bem diferente do haitiano, do paquistanês ou do indiano.
    De qualquer modo, notei o cuidado com que o MO se esquivou a comentar a parte que, afinal, foi a razão de ser do “post”: para que é preciso saber que o Papa reza pelos mineiros? Será que as rezas dele têm mais valor do que as dos familiares dos mineiros?

  • antoniofernando

    Carlos Esperança:

    Lá em cima no texto aparece:

    ” Escrito por Carlos Esperança”. Daí o meu equívoco. Afinal foi José Moreira quem o escreveu. Isto assim começa a ficar muito confuso…:-)

    ” Onde estava Deus quando se deu a derrocada ?”

    Repito: para um ateu essa pergunta não faz sentido.

    Para os crentes, depende da resposta que cada um dê. Não há conceitos uniformes sobre Deus.Eu tenho a minha própria visão e não autorizo que nenhum outro crente pense por mim.

    O texto levanta uma questão bem interessante. E a melhor resposta que aqui foi dada, do meu ponto de vista, foi pelo nosso companheiro de debate MO:

    “Deus não interfere, muito menos mostra favoritismo ao curar este e não aquele.”

    Você pergunta onda anda Deus.Não sou eu quem tem que lhe responder a uma questão emi nentemente pessoal.

    Procure-O…

  • Anónimo

    Permita-me a questão e perdoe a ignorância, mas, mediante o que escreveu, em termos muito leigos, qual é a diferença entre existir ou não existir o seu deus?
    Ele não interfere, dá livre arbitrio, não se manifesta. O que faz então?

  • MO

    Caro José:

    O que disse foi que um Deus criador pessoal não fica indiferente”. Se não fica indiferente, o que vai fazer? Vai ficar a olhar e a dizer “coitados dos homens”?

    Por que acha que Deus vê os Homens como coitados? Talvez seja preciso purgar estas questões tão essenciais destas considerações.
    Deus não é indiferente por que nos ama, não porque interfira. Amar não é pouco, é muito, é tudo. Porque na teologia cristã, o universo é fruto do amor que habita em Deus e que é representado na relação trinitária. É nesse amor que nós somos chamados a viver. E esse amor pode dar-nos uma imensa força e claridade a agir com mais convicção e inteligência, por exemplo encontrando uma forma expedita e segura de tirar os mineiros da mina.

    “Deus não age directamente, mas através de.” Isso significa, realmente, o quê?

    Deus age através de causas secundárias apenas, não directamente. Causas secundárias somos nós, por exemplo. O universo tem uma causa exterior, completamente diferente, atemporal, aespacial (como é lógico) a que chamamos Deus, a causa primeira. O universo tem as suas leis físicas próprias. Somos nós que fazemos o trabalho de Deus. Ou não. Porque temos LIBERDADE em relação a Deus. Mais liberdade tem a matéria (e sem a VONTADE que nós temos). Por isso, o que causou a tragédia na mina não foi Deus, mas um movimento de terras ou outro acontecimento geológico.

    “(…) que por vezes resta-nos aceitar o destino do nosso corpo.” Em que ficamos? “Destino” ou “livre arbítrio”?

    A nossa escolha é sempre uma resposta a uma situação. É por esta resposta que nos destacamos na nossa Fé.
    (1) Se o meu corpo está doente, posso orar para melhorar, posso fortalecer a minha Fé (talvez até alguns amigos me ajudem) e talvez isso me dê capacidade de melhorar contra todas as expectativas.
    (2) Se o meu corpo estiver prestes a morrer, porque os processos físicos são irreversíveis, antecipando o fim (aquilo a que chamei destino, que não é mais do que a percepção do curso natural das coisas em certas situações), posso desesperar ou aceitar a situação com a mesma Fé, entregando-me nas mãos de Deus.
    Ambas as situações envolvem livre-arbítrio.

    “(…) e aos seres com livre arbítrio.” Livre arbítrio? Já reparou que o livre arbítrio choca com a alegada omnisciência de Deus?

    É uma questão de lógica. A omnisciência de Deus só pode ser maior do que pensa (em lógica modal trata-se de um Máximo). Que quer isto dizer? Que a sua definição de omnisciência é restrita, logo não é atribuível a Deus. Deus sabe não o “futuro”, mas todos os possíveis futuros. Quando escolho A em vez de B crio ramificações para um futuro, se escolho B em vez de A crio outras para outro futuro. Não há um futuro, mas futuros. Logicamente, Deus conhece-os todos.

    para que é preciso saber que o Papa reza pelos mineiros? Será que as rezas dele têm mais valor do que as dos familiares dos mineiros?

    É sempre bom saber que alguém ora por nós. Como disse, é uma demonstração de amor, através da comunhão com Deus e com os outros. De onde conclui que as orações do Papa têm mais “valor” que outras? Foi o Papa que o disse? Não há “valor” na oração, mas profundidade. Devem vir do coração.

    Emanuel D., OFS

    Pax et bonum.

  • MO

    Caro Paulo:

    Permita-me a questão e perdoe a ignorância, mas, mediante o que escreveu, em termos muito leigos, qual é a diferença entre existir ou não existir o seu deus?
    Ele não interfere, dá livre arbitrio, não se manifesta. O que faz então?

    Deus é o chão de toda a existência (a verdade é que alguma coisa existe em vez de nada). Tem a ver com esse reconhecimento que vai ao fundo das coisas, em vez de ficarmos pela superfície.

    Nunca disse que não se manifesta. Manifestou-se em Jesus, por exemplo. Mas manifesta-se sobretudo sempre que NÓS deixamos, através do que fazemos em comunhão com Deus (ou em amizade, como Jesus disse).

    Emanuel D., OFS

    Pax et bonum.

  • MO

    Caro António:

    🙂 Thanks. Mas também aprendo consigo e sempre com Shakespeare.

    Abraço,

    Emanuel D., OFS

    Pax et bonum.

  • Anónimo

    Deus é o chão de toda a existência (a verdade é que alguma coisa existe em vez de nada). Tem a ver com esse reconhecimento que vai ao fundo das coisas, em vez de ficarmos pela superfície.

    Nunca disse que não se manifesta. Manifestou-se em Jesus, por exemplo. Mas manifesta-se sobretudo sempre que NÓS deixamos, através do que fazemos em comunhão com Deus (ou em amizade, como Jesus disse).

    Caro MO,

    Grato pela resposta.

    O texto até é bonito. O companheiro é bom em retórica, mas no fundo não responde a nada.
    Ou melhor, fica tudo na nublosa teia da filosofia ou se quiser, teologia.
    Qualquer coida do género, -Deus serve para quem acredita e só quem acredita o pode entender. Ou seja conversa….

  • MO

    Caro Paulo:

    Respondi e apontei como Deus se manifesta. Mas não espere de mim respostas que façam desvanecer os mistérios de Deus. Não se tratam de enigmas que seja preciso ou possível resolver. Trata-se de aceitar as nossas limitações perante o que não tem limites.

    Qualquer coida do género, -Deus serve para quem acredita e só quem acredita o pode entender. Ou seja conversa….

    Mas a questão está mesmo aqui. Para um ateu, Deus ou serve para alguém (ou alguma coisa) ou não existe. Ou seja, estamos a falar de algo inventado com uma função a cumprir. Os cristãos não acreditam acreditam em deuses inventados.

    A questão para um cristão não é: para é que Deus serve. É: para que é que nós servimos.

    Emanuel D., OFS

    Pax et bonum.

  • Anónimo

    OH JAIRITO ENTRECOSTO (NO CHURRASCO)

    DIZ-ME LÁ QUAL É A PARTE QUE VAIS PASSAR NO TEU BLOGUE …
    PARA PODER RETORQUIR…
    CONCERTEZA É …
    A DOS ATEUS QUE SÃO ESTÚPIDOS? PORQUE SIM!

  • Anónimo

    OH ANTÓNIO FERNANDO
    COM TODO O RESPEITO E DESCULPE QUE LHE DIGA…MAS …
    VOCÊ E O FRANCISCANO MO NÃO ANDARÃO A FUMAR QUALQUER COISA QUE NÃO DEVEM…
    CONFESSEM-SE SÓ A MIM QUE NINGUÉM NOS OUVE E EU PROMETO QUE NÃO DIGO A NINGUÉM, NEM MESMO AO DEUS VOSSO SENHOR…CASO O ENCONTRE, É CLARO…

  • Carpinteiro

    He he he…
    Dar conhecimento ao Zé, que somos rapazolas “malcriados”, deu barrigada de riso para o resto do dia. E logo o Zé…
    Ó Entrecosto, és tão divertido!

You must be logged in to post a comment.