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  • 16 de Maio, 2018
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Gazeta Ateísta

Por

ONOFRE VARELA

Fazer santos

Das várias actividades a que a Igreja se dedica, destacam-se estas três que me parecem principais: 

1) – Celebrações litúrgicas para prenderem os crentes ao culto carregando-lhes a bateria da fé; 

2) – Acções caritativas e gestão de instituições com subsídios estatais; 

3) – Produção de santinhos e santinhas, com o estatuto de deuses menores,para preencherem os altares das paredes dos templos, tendo por baixo caixinhas de ranhura para colecta, porque a Igreja, enquanto indústria do espiritual, obviamente não se governa sem o material

Vaticano tem um gabinete específico para a criação de santinhos, denominado “Congregação para a Causa dos Santos”, dirigido pelo cardeal Português José Saraiva Martins (Gagos de Jarmelo, Guarda, 1923. Presumo que ainda é vivo, mas não sei se estará no activo, pois os seus 95 anos poderão não lho permitir).

Há 30 anos a Enciclopédia Católica contava cerca de 5.000 santos. No pontificado de João Paulo II foram tantas as nomeações de candidatos aos altares que a lista quadruplicou, e hoje contempla perto de 20.000 nomes.

A abordagem desta tarefa medieval da Igreja fabricar santos no século XXI, só pode ser feita com humor para não afectar a qualidade de raciocínio de quem quer manter a sua sanidade mental!… 

Atribuir a qualidade de santo a um morto não é como medalhaum herói de guerra ou um bombeiro! A coisa fia mais fino, leva imenso tempo e precisa de um certificado de Deus!… Apenas o Santo António foi santificado no tempo recorde de 11 meses e meio, e a Santa Teresa conseguiu-em 28 anos, porque o Papa Pio XII estava muito necessitado de criar santinhos e fez dela a estrela do seu pontificado. Todos os outros cerca de 20.000 nomes levaram imenso tempo para serem santos. 

Os candidatos à santidade precisam de vencer três etapas. A saber:

1 – Veneração. É uma espécie de requisição de paróquia que aponta as qualidades do atleta para trepar a um altar.

2 – BeatificaçãoPrecisa de uma análise profunda para despistar reguilices e falcatruas, exigindo, pelo menos, um milagre comprovado por via das dúvidas.

3 – CanonizaçãoÉ a peneira mais fina que vai analisar a biografia do candidato, seguindo, passo a passo, todos os passos que o morto deu em vida na senda da santidade, e comprovar se Deus operou milagres através daquele intermediário. (Os parasitas intermediários estão em todo o lado!).

Ter o cadáver incorrupto ao fim do tempo regulamentar para levantar a ossada, já não vale como prova de aferição da santidade, porque se sabe que as características químicas do terreno, e a toma de medicamentos, pode preservar o corpo de qualquer patife. Então inventou-se este outro modo de fingir que se atribui seriedade ao acto de fazer santos, sempre de acordo com a vontade dos homens, mas apregoando ser pela vontade de Deus… que também foi inventado pelos homens!…

Onofre Varela

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)

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