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  • 22 de Fevereiro, 2018
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

A Inclemência do Clemente

Por
ONOFRE VARELA (in Gazeta Ateísta)
A INCLEMÊNCIA DO CLEMENTE.

O senhor Clemente, titular do cargo de cardeal patriarca na Igreja Católica, sugeriu que os casais católicos com união matrimonial celebrada na Igreja e depois divorciados, se quisessem casar novamente pela Igreja não deveriam ter relações sexuais. Quer isto dizer que homem e mulher recasar-se-iam com as competências de casal reduzidas. Apenas fariam refeições conjuntas e assistiriam às missinhas de mãos dadas. Na cama, dormiriam em leitos separados ou de costas voltadas, e… provavelmente… cada qual procuraria, fora do casamento, parceiro para satisfazer as suas necessidades sexuais!

Esta atitude cardinalícia não mereceria mais do que o entendimento da anedota que é, se não configurasse outra coisa mais grave, que é a Igreja meter o nariz no sexo dos crentes.

A Igreja Católica, milenarmente fornicadora das mulheres dos outros, tem, perante o sexo, uma atitude de inimizade mortal. Incapaz de usar da Humanidade que hipocritamente apregoa, a Igreja não entende o sexo como coisa natural, porque para ela nada é natural. Tudo é obra de um deus inexistente e a Igreja será o fiscal das leis que ela própria dita, apregoando-as como sendo sagradas e indicadas por um tal espírito santo travestido de pombinha, que a Igreja também inventou (e que não é banqueiro), atribuindo-lhe a confirmação da legislação que os cardeais decretam e fazem circular como tendo sido recebidas do tal inexistente deus que não passa de um conceito inventado pelo Homem do Paleolítico.

Se esta bodega não passasse de um conto da carochinha, tudo estaria bem… mas apregoar estas atoardas como sendo uma vontade divina, para que todos cumpram sem pestanejar nem pensar, pode, no extremo, configurar atitude criminosa (assim actuam, contra a mulher, os malfeitores do Islão extremista). O sexo é o grande pecado que diabolizou a mulher, e os sacerdotes que aferem a sugestão do cardeal, serão os continuadores dessa atitude de entender o sexo como “pecado”, esquecendo a importância que ele tem na Natureza e nas relações humanas. O sexo, para além de reprodutor da vida, no Ser Humano tem outras funções igualmente importantes. É um indutor de calma, e um destruidor de stresse e carregador de energias. Uma vida saudável conta com actividade sexual regular sem intuito de procriar, mas apenas pelo prazer que a relação sexual dá. Este prazer é o maior pecado para a Igreja que impede os seus sacerdotes de o usufruir com legalidade eclesiástica. A Igreja considera a prática sexual como diabólica e que, por isso mesmo, todos nós nascemos com um défice de confiança perante o deus, pelo que estamos obrigados a conquistar as graças divinas assistindo às missas, para limparmos a nódoa com que os nossos pais nos conspurcaram pelo facto de nos terem concebido através da cópula!… Esta ideia é de uma idiotice chapada! Só um sádico imbecil é capaz de a afirmar… e o senhor Clemente anda a precisar de experimentar deitar-se com uma mulher que ame, e que por ela seja amado.

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)

4 thoughts on “A Inclemência do Clemente”
  • carlos cardoso

    O que disse o senhor Clemente é uma idiotice completa mas não é exactamente o que diz o Onofre. O que ele fez foi lembrar aos católicos divorciados que se queiram recasar que se não consumassem esse casamento não estariam em pecado e teriam portanto acesso aos sacramentos. Só por distracção se pode pensar que católicos divorciados se podem voltar a casar pela igreja.

    Isto não se afasta do que escreveu o papa ou qualquer outra “autoridade” católica por este mundo fora. Por uma razão muito simples: todas estas tomadas de posição estão de acordo, como não poderiam deixar de estar, com a doutrina da Igreja católica! O senhor Clemente só caiu no ridículo porque decidiu botar faladura quando não havia necessidade nenhuma – antes pelo contrário – de o fazer.

    A doutrina da Igreja católica diz que o matrimónio é indissolúvel; portanto quaisquer católicos recasados (pelo civil, claro) vivem “em pecado” e não podem ter acesso aos sacramentos. Não há volta a dar-lhe! Ou haverá? O matrimónio é indissolúvel mas alguém inventou que pode ser anulado. O processo de anulação foi muito simplificado e acelerado, permitindo assim a muitos católicos divorciados refazer as suas vidas sem estarem em pecado e, portanto, a terem acesso aos sacramentos.

    Se por um lado a anulação não pode chegar a todos os divorciados que querem refazer as suas vidas (senão não haveria diferença entre anulação e divórcio), por outro a igreja católica não quer arriscar-se a perder aqueles a quem a anulação não pode chegar.

    Esta é a razão pela qual se tenta agora inventar uma nova “pirueta” (a outra foi a democratização da anulação) que permita o acesso aos sacramentos aos católicos recasados cujo primeiro matrimónio não possa ser anulado, sem no entanto pôr em causa a indissolubilidade do matrimónio, pois claro!

    • JoseMoreira

      Na verdade, essa coisa da indissolubilidade do matrimónio religioso +e de uma enorme falácia a roçar a desonestidade intelectual. A frase sacramental na ceromónia é “não separe o Homem aquilo que Deus uniu”. E eu pergunto se o Deus, que uniu, não poderá, também. separar. Porque, no fim de contas, é tudo uma quastão de pôr a imaginação a funcionar – e imeginação é coisa que não falta à padralhada. Por que não, um divórcio religioso? Assim, o deus que uniu também poderá separar.

      • carlos cardoso

        Essa frase sacramental é curiosa porque o “sacramento do matrimónio” é o único sacramento no qual o oficiante não é o padre (representando o tal Deus) mas os proprios nubentes. O padre é apenas uma testemunha do acto. Em consequência, Deus não uniu coisa nenhuma e portanto não se percebe porque é que o Homem e a Mulher não podem separar aquilo que eles próprios uniram. Mais uma incongruência da ICAR.

  • Fulano Minasge

    Posso reproduzir o texto na minha página ?
    Cadê o amigo crentóide vítma de artrite, antoniofernado 2 ? Morreu ?

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