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  • 18 de Dezembro, 2017
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Graças a Deus

Por

Onofre Varela

(Gazeta Ateísta)

As frases “Graças a Deus” e “se Deus quiser” são usadas pelos religiosos no sentido do agradecimento e do desejo de que tudo corra bem.

Os extremistas islâmicos também as usam no sentido de que tudo lhes corra bem na eliminação de vidas nos seus atentados criminosos. Deus é pau para toda a obra, e acaba por ser como a nódoa… que no bom pano cai!

Para os crentes, Deus representa tudo quanto de bom se possa imaginar, mais a fé e a esperança de que tudo corra conforme os seus desejos. Não conhecendo realmente o que é nem como é Deus, o crente teme-o e adora-o concomitantemente. Assim, a palavra “Deus” acaba por ser um código para referir o objecto sagrado da sua adoração.

Se o crente, em vez da palavra “Deus”, adoptasse qualquer outro termo… por exemplo, “Birobé”, em vez de dar “graças a Deus”, dava “graças a Birobé”! Birobé seria o cerne, o autor, o veio-rotor, de todas as coisas. Birobé passava a ser o criador e o dono do seu destino. Seria a explicação para tudo quanto você desconhece, e o guardião da fonte de todos os seus desejos.

Birobé é, a partir de agora, o dono da sua alma. E só por vontade de Birobé você acorda todas as manhãs para enfrentar o dia que tem à sua frente para viver, e vive-o graças a Birobé. Birobé é a explicação para tudo quanto você desconhece e quer ver explicado. Mesmo que aquilo que você não conhece seja sobejamente conhecido por todos, menos por si, é Birobé que preenche o enorme buraco do seu desconhecimento. E continuando você a desconhecer a verdadeira essência da coisa, você crê conhecê-la porque você “sabe” que a coisa… é Birobé!

Quando você procura uma explicação, não consulta uma enciclopédia; recorre a Birobé. Birobé tudo sabe, é Grande e o seu Poder é indesmentível. Com Birobé, tudo. Sem Birobé, nada. Birobé é aquele que você designa com letra maiúscula, que crê Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente, que tudo vê, sabe e domina. Birobé é O princípio, O meio e O fim. É Ele que lhe ilumina o caminho e você deve-Lhe incondicional adoração.

Acha ridículo dar graças a Birobé?…

Tem toda a razão. É tão ridículo como dar graças a Deus!…

2 thoughts on “Graças a Deus”
  • Frei Bento

    Caríssimo irmão em Cristo, aguente-se lá com a minha bênção, quer a queira quer a não queira. Está dada, ponto final.
    Parágrafo.
    Confesso que leio religiosamente os seus escritos, e tenho deixado andar. Digo sempre, cá para mim, que tenho fé de que seja uma espécie de epifania, e que a maluqueira lhe passe. Mas o caríssimo irmão, não desiste; em vez disso, ou seja, de desistir, continua na sua sanha herética, detraindo o Santo Nome de Deus, daqui em diante escrito como SND. E eu questiono-me: será que deverei continuar a recomendá-lo nas minhas orações?
    Adiante.
    Em primeiro lugar, deixe-me dilucidá-lo de que tudo o que acontece na Terra, é obra de Deus Nosso Senhor, adiante referido como DNS, não confundir com Domain Name System, que isso é outra coisa. Tudo de bom, claro, que sismos, cataclismos, catástrofes, sejam elas ambientais ou das outras, acidentes, terramotos, tsunamis etc, não têm nada a ver com a Obra de DNS, ou seja, com o Opus Dei, devendo, sempre, ser tribuídos ao anterior governo, seja ele quel for. Claro que, num ponto vou ter, provavelmente, de lhe dar razão: é que essa coisa do Livre-arbítrio, obviamente não existe, mas isso não tem nada a ver com DNS, mas sim com certa padralhada – de que, naturalmente, me excluo, eu e os meus irmãos frades, seguidores que somos da tradição dos Frades Goliardos. Isto para dizer que não temos livre-arbítrio, ponto final outra vez. Nós, os religiosos, claro, que a tralha ateísta faz o que quer e lhe apetece. Nós, religiosos e tementes a DNS, só actuamos “se Deus quiser”, e desejamos sempre “Deus queira que”. A merda é que ele, perdão, Ele nem sempre está para aí virado, mas isso é outra conversa. Naturalmente que tudo o que de bom acontece, é sempre “graças a Deus”, quer o irmão queira quer não queira, como a cena da bênção. Da minha bênção.
    Acontece que a história de chamar “Birobé” a DNS, me cheira a plágio… Creio ter lido isso algures, mas não foi aqui, no execrável Diário de uns Ateus. Mas, sinceramente não me lembro. O que é certo é que me faz lembrar um gajo qualquer que, no Facebook (registe que eu consulto o FB às escondidas do Abade, que acha que esta coisa da Internet é coisa do Diabo), dizia eu que era um gajo ateu que resolveu converter-se. E em vez de ser ateu, passou a adorar e a venerar um pacote de leite (PdL) E o herege garantia que todos os dias se levantava dando graças ao PdL por acordar com o dedo grande do pé a mexer. E que p PdL o protegia sempre, excepto quando não o protegia; E que o PdL o curou de uma doença grave, embora com a ajuda de médicos, enfermeiros e farmacopeia. E que dizia sempre “se o PdL quiser, amanhã vou ao futebol”. Ora porra, para isso, bem poderia adorar e venerar DNS. O resultado era o mesmo, mas com uma diferença não despicienda: o pacote de leite tem prazo de validade, Deus é eterno.
    Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

    • Onofre Varela

      Caríssimo Frei Bento:
      O termo “Birobé” criei-o eu, e provavelmente o Caríssimo Frei Bento leu-o no meu livro “O Peter Pan Não Existe – Reflexões de um Ateu”. (Editorial Caminho, 2007), o que quer dizer que, neste artigo, “me plagiei”.
      Aceito a sua benção (seja o que for que isso queira dizer, presumindo que não é cicuta!).
      Aceite, também, o meu abraço fraterno.
      Onofre Varela

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