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Um crime é isso mesmo

A moldura penal de um crime inclui a sua natureza e motivações. O ódio sectário que se verifica em numerosos atentados tem motivações xenófobas, fatalmente agravadoras das penas que cabem aos criminosos.

Os crimes dos muçulmanos que se explodem e arrastam consigo os infiéis, convencidos de que vão jantar com o Profeta, depois de fazerem a catarse da repressão sexual que os consume em vida, com as 72 virgens que o manual lhes anuncia e um demente pregador lhes confirma, têm sido largamente divulgados na comunicação social.

A dissimulação com que os arautos do misericordioso profeta falam da religião de paz, como se tivesse havido uma tentativa séria de alterar a interpretação de um conjunto de versículos intoleráveis do manual ou de hadits do beduíno analfabeto, não contribui para conter a insânia de quem não se limita a acreditar e exige a conversão alheia.

A entrevista dada há dias pelo presidente turco à RTP-1, a Paulo Dentinho, é um manual de descaramento e disfarce da cobra que esconde o veneno, mas não evitou o asco que o réptil provoca. Era a versão contida e fria de um exaltado pregador da jhiad.

O que não costuma ser notícia são os crimes contra os muçulmanos. O atropelamento de crentes que saíam de uma mesquita de Londres, por um terrorista que veio a confirmar que era seu objetivo “matar muitos muçulmanos” insere-se numa disseminação do ódio sectário contra os que são sempre apresentados como algozes. Dados divulgados, e que passam despercebidos, indicam que os ataques de ódio contra muçulmanos conheceram, no Reino Unido, um aumento de 530% desde o atentado de 22 de maio em Manchester.

Não devemos tolerar ataques de dementes com gritos selvagens, “Deus é grande”, mas não podemos igualmente condescender com os ataques criminosos aos crentes de uma religião.

Combatam-se as crenças, defendam-se os crentes.

8 thoughts on “Um crime é isso mesmo”
  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- «A entrevista dada há dias pelo presidente turco à RTP-1, a Paulo Dentinho, é um manual de descaramento e disfarce da cobra que esconde o veneno, mas não evitou o asco que o réptil provoca. Era a versão contida e fria de um exaltado pregador da jhiad.»

    Continuas a ser um parvalhão e um estúpido em matéria de análise da política do Erdogan, ao associá-lo a uma “cobra” islâmica venenosa e ascorosa, que esconderia as suas reais intenções, mas que tu o declaras como um «exaltado pregador da jihad”, sem que aquele homem alguma vez, incluindo nessa entrevista, tenha pregado a jihad ou sequer feito alguma proclamação islâmica nesse sentido…
    É preciso ser muito mendaz, deturpador, insolente, insidioso, caviloso, como tu és, Carlos Esperança, para publicar as alarvidades desconexas que, recalcitrantemente, voltaste a publicar sobre o Erdogan…

    2- «Combatam-se as crenças, defendam-se os crentes.»

    Ó toleirão desatinado: conheces crenças sem crentes???!!!
    Conheces alguma maneira de combater a criminalidade totalitária dessa corja, sem os combater, fisicamente???!!!

    Se os maluquinhos de Alá fizerem proclamações islâmicas, sem manifestarem porte minaz, então, deve-se combater as suas crenças, numa perspetiva de ateísmo e laicidade; se adotarem uma atitude, em verbo e modo de hediondez, então, devem ser banidos da sociedade e presos e mortos, em combate, pois que é em combate mortal que esses hediondos mais gostam de se manifestarem…

    De resto, “combater crenças” é, também, “combater crentes”, na medida em que são estes que as sustentam. E aqui o “combate” será pacífico, meramente ideológico e argumentativo, sempre que os crédulos também o forem…

  • Arnaldo Martins

    Tive há pouco tempo contacto com este blogue e com a AAP. Sendo eu ateu, vou tentar participar em ações que promovam a separação da religião do estado – a chamada laicidade. Não conheço o historial da relação do Carlos Esperança com o João Pedro Moura, mas penso que seria útil, em nome de um saudável confronto de ideias e opiniões, que todos os interlocutores fossem identificáveis. Isto é, a foto de perfil do João Moura aparece com um logo e não com a sua foto. Não indaguei mais sobre o seu perfil e neste momento não consigo saber quem é a pessoa. Não quer isto dizer que estou interessado em voyeurismo ou algo do género, apenas que seria de todo positivo e enriquecedor sabermos com quem estamos a falar. Deixo este reparo para que no futuro possamos falar abertamente e “olhos nos olhos” sobre estes temas que, julgo eu, nos são caros e dos quais gostamos de partilhar/discutir posições. Abraço para todos.

  • Platão

    Desde quando para se comentar um texto, independentemente de concordar ou não com o seu conteúdo, se despeja de uma só vez, sobre quem o escreveu, o chorrilho de insultos:
    “parvalhão”, “estúpido”, “mendaz”, “deturpador”, “insolente”, “insidioso”, “caviloso” e “toleirão destinado”?!

    Fico na dúvida se a intenção é realmente comentar o texto, ou insultar de forma gratuita quem o escreveu.

    • João Pedro Moura

      Caro “filósofo” Platão

      Eu nunca insulto ninguém!

      Confundes “insultos” com qualificativos que, como tal, têm um significado…

      …E é esse significado que eu quero demonstrar…
      O Carlos Esperança já há muitos anos que anda a dizer disparates não só sobre o presidente da Turquia, mas também sobre diversos assuntos políticos, donde emerge uma sintonia com a análise política insidiosa e deturpadora dos comunistas, assuntos estes eminentemente políticos e que, como tal, estão descabidos num blogue sobre ateísmo/religião/laicidade.

      Eu renho-o corrigido, sistematicamente, mas o Esperança, como já confessou não ler a secção de comentários, tamanho o desprezo que nutre pelos comentadores, que é como quem diz, pelos leitores, não se acusa nem enceta um diálogo amigável, aqui na secção de comentários, onde poderia aceitar a correção que lhe faço… ou não, mas tudo na base dum diálogo avindor, próprio de pessoas intelectualmente honestas e desejosas de debater o que está certo e errado, pois é na busca da verdade, em debate pacato e profícuo, que as pessoas se conseguirão entender.

      Para cúmulo, o Carlos Esperança, há mais de um ano, chamou-me de “fascista”, aqui, numa raríssima surtida, mais de caceteiro do que de pacificador, quando eu o denunciei, mais uma vez, como insolente, insidioso e provocador, nos seus artigos, deturpadores e mendazes, de análise política.

      Ora, chamar-me de “fascista”, a mim que sou antifascista, em particular, e antitotalitário, em geral, é verdadeiramente um insulto, portanto, algo desconexo com a realidade e com propósitos de achincalhar e vilipendiar a pessoa.

      Quem insulta é porque é falho de argumentos, pretendendo antes vingar-se na pessoa que o criticou do que confluir num debate sereno e avindor.

      Por isso, enquanto o Carlos Esperança não me pedir desculpa, ou, já nem diria isso, enquanto não estabelecer com os comentadores, que são os grandes leitores deste diário, uma relação normal, própria de boas pessoas, que gostam de debater os assuntos que nos fazem aqui convergir, continuarei a tratá-lo como ele merece, sempre que ele enveredar por atitudes de parvalhão, estúpido, mendaz, deturpador, insolente, insidioso, caviloso e toleirão desatinado, em artigos deste diário…

      O Carlos Esperança não tem só aqueles episódicos defeitos, como é previsível…
      Tem méritos e muitos…

      É um excelente escritor, primoroso no domínio da língua e da ironia provocadora, denunciador, como poucos, da palhaçada religiosa e das suas conexões com o aparelho de Estado…

      …Mas sofre, desagradavelmente, de autocontemplação narcísica, em pose de pedestal, que lhe inibe a humildade necessária a um diálogo franco e profícuo…

      É que estamos numa secção de comentários, onde se escrutina e comenta o que se escreve, logo, o articulista poderá ler críticas que o contraditem e/ou o corrijam, para as quais terá de reagir, se realmente quiser fazer um trabalho sério e isento…

      • João Pedro Moura

        ADENDA

        E se quiseres, meu caro Platão (de trazer por casa…), ter uma ideia da desfaçatez, insidiosa e deturpadora, deste, por vezes grotesco, Carlos Esperança, lê o artigo abaixo, o pior que o C.E. até hoje escreveu, publicado neste diário, em 1-9-2016, intitulado “As Religiões e as Guerras”, e a réplica demolidora com que lhe respondi…
        http://www.diariodeunsateus.net/2016/09/01/as-religioes-e-as-guerras/

  • carlos cardoso

    Caro Arnaldo Martins, seja benvindo a este espaço.

    Caro Platão, tive a mesma reacção em relação ao “chorrilho” a propósito de um comentário do João Pedro Moura do ano passado: exactamente aquele que ele menciona na adenda mais abaixo.

    • Arnaldo Martins

      Caro Carlos Cardoso, após uma leitura mais aprofundada de vários posts e comentários deste blog e cheguei à conclusão que a minha visita vai ser de médico.

      Li muito insulto, muita intolerância, muito ataque pessoal, muita discussão sobre opções políticas, enfim um sem número de temas que julgo estarem longe de pertencerem a este espaço. A tertúlia/discussão dos temas está nivelada por baixo e não creio que em nada ajuda ao esclarecimento. Sou pelo encontro de posições e por discussão salutar quando há confronto de ideias.

      Não creio ser necessário dizer mal do outro quando quero defender um ponto de vista meu.

      O sem número de ataques pessoais e sem rosto não devem fazer parte da discussão destes temas onde devíamos saber com quem estamos a falar, tal como sabemos quando nos sentamos numa mesa ou assistimos a um debate.

      A questão do ateísmo é demasiado importante para ser tratada desta forma beligerante.

      Sendo um tema que me é caro irei consultando este diário mas apenas como observador.

      Obrigado por me aturarem este bocadinho… 🙂

      Abraço a todos.

    • Platão

      Caro Carlos Cardoso,
      Comecei a participar neste blog em 2005, com um período entre 2007 e 2012 em que participei com verdadeiro entusiasmo.
      Foi nessa altura que aqui deram guarida a um troll de seu nome “antoniofernando”, que com os seus comentários, insultos e ataques pessoais, teve o mérito de conseguir afastar os comentadores (eu incluído), reduzindo o seu número a quase zero.
      Registo com alguma apreensão que o dito cujo, embora já não ande por cá, deixou prole, pelo que vou fazer como o comentador Arnaldo Martins.
      Um abraço.

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