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Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – 9

No 9.º aniversário, recordo a mensagem dirigida aos sócios, há 4 anos.

Mensagem

Ao celebramos o 5.º aniversário da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo todos os sócios, ateus e ateias, os que vieram e os que não puderam vir, e ainda os agnósticos, racionalistas e todos os livres-pensadores, especialmente os que vivem em países onde são perseguidos e mortos pelo fanatismo das teocracias ou marginalizados pelo poder, onde as religiões se infiltraram no aparelho do Estado.

A minha solidariedade, neste momento, vai sobretudo para os resistentes ao processo de reislamização na Turquia, que ora proíbe carícias em público, ora restringe a venda e o consumo de álcool e não tardará a banir a carne de porco, a impor cinco orações diárias, normas de vestuário, hábitos alimentares e, finalmente, a sharia, de acordo com o Corão.

A AAP repudia o proselitismo e não será a central de propaganda que incense o ateísmo ou promova a xenofobia. Defende, sim, a laicidade do Estado, e não se calará perante a ameaça de religiões, que fomentam a xenofobia, o racismo, a misoginia e a homofobia.

Vemos com preocupação, os judeus das trancinhas à Dama das Camélias, a promover o sionismo, levando a violência e a morte à faixa de Gaza, e, com igual repulsa, islamitas a imporem a sharia na Palestina.

Por todo o lado, do protestantismo evangélico ao cristianismo ortodoxo, do catolicismo dos exorcismos e milagres ao fascismo islâmico, do judaísmo sionista ao hinduísmo das castas e vacas sagradas, as religiões rivalizam em malignidade com a sua falsidade.

Em Portugal, com o agravamento das condições económicas e sociais, a Igreja católica faz valer esse ultraje à Constituição – a Concordata –, e a Lei da liberdade religiosa feita à medida dos privilégios que reduzem Portugal a protetorado do Vaticano. A fé não se pode impor por tratados nem os Estados assumir a sua difusão. A laicidade é requisito da tolerância e garantia da liberdade para todas e cada uma das religiões.

Os professores de Religião católica, nomeados e exonerados discricionariamente pelos bispos, mas pagos pelo Estado, doutrinam adolescentes nas escolas públicas enquanto aumentam o poder na educação e na assistência, particulares, à medida que o SNS vai sendo desmantelado.

O feriado do 5 de outubro, data emblemática do regime e da separação da Igreja e do Estado, foi suprimido em conluio com a Igreja católica, a única que acrescenta aos 52 domingos, os únicos feriados religiosos que existem, em igualdade com os cívicos.

Cabe à AAP lutar para que, neste período de crise, o IMI e o IRC sejam estendidos às instituições da Igreja católica. Os privilégios de que goza são uma ofensa à laicidade e fonte de injustiça, em concorrência desleal com lares, hospitais, universidade, editoras, colégios e outros estabelecimentos comerciais não isentos de impostos. A AAP defende a igualdade dos cidadãos perante a lei e a laicidade do Estado, respeitando os crentes e combatendo o poder das religiões, rumo a uma sociedade onde as crenças particulares não interfiram nos assuntos de Estado.
Porque pensamos que não há sociedades livres sem respeito pela liberdade individual e pela igualdade de género, repudiamos a moral imposta pelas religiões, gozando a vida, este bem único e irrepetível a fruir até ao limite do nosso prazo ou da nossa decisão.

Caros ateus e ateias, bem-vindos ao almoço do 5.º aniversário da AAP. Viva o livre-pensamento.

Coimbra, 08-06-2013

1 thoughts on “Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – 9”
  • João Pedro Moura

    Quando o Carlos Esperança, que tem tanto de escritor e analista brilhante, em matéria de ateísmo/laicidade, como de impulsivo, precipitado e tendencioso, em matéria de análise política, decide fazer duma mensagem generalista da AAP mais uma coleção de inépcias tendenciosas de politiquice rasteira, será melhor corrigi-lo, mesmo que ele confessadamente não leia os comentários, pois acha-se num pedestal demasiado superior ao vulgo comentador e não gosta de ser confrontado, devido a excessivo narcisismo, com os seus disparates de análise política…

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- «A minha solidariedade, neste momento, vai sobretudo para os resistentes ao processo de reislamização na Turquia, que ora proíbe carícias em público, ora restringe a venda e o consumo de álcool e não tardará a banir a carne de porco, a impor cinco orações diárias, normas de vestuário, hábitos alimentares e, finalmente, a sharia, de acordo com o Corão.»

    Nada ocorreu destas falsas profecias…
    A habitual precipitação e análise tendenciosa do C.E. que costuma tomar o presidente Erdogan por um feroz islamita que iria reislamizar a Turquia, como se os turcos fossem árabes e padecessem dos mesmos males…

    2- «A AAP repudia o proselitismo e não será a central de propaganda que incense o ateísmo ou promova a xenofobia.»

    a) “Incensar o ateísmo” é o quê???!!! Não queres propagandear o ateísmo???!!! Uma associação dita ateísta que não quer “incensar”, diga-se divulgar, em grandes elogios, o ateísmo???!!! Descontando a matéria do incenso, não ficaria melhor, ó esperançoso ateu, divulgar o ateísmo???!!! Para que dizes “incensar”???!!!

    b) E o que é que a «xenofobia» tem a ver com o ateísmo, para ser metida no mesmo saco?!…

    3- «Defende, sim, a laicidade do Estado, e não se calará perante a ameaça de religiões, que fomentam a xenofobia, o racismo, a misoginia e a homofobia.»

    Defende sim o ateísmo, por isso se chama «ateísta», e, consequentemente, defende a laicidade do Estado…
    «Xenofobia, racismo, misoginia, homofobia» e, não tardará muito, sob o comando do C.E, estará a defender a social-democracia, o antifascismo (já defende…) a luta contra o aquecimento global, a eutanásia, o aborto, o homocasamento, etc.
    …Fazendo duma associação ateísta uma tendência política, mais do que o ateísmo suporta…

    4- «Vemos com preocupação, os judeus das trancinhas à Dama das Camélias, a promover o sionismo, levando a violência e a morte à faixa de Gaza»

    …E os «judeus [com ou sem] das trancinhas» não podem defender o sionismo?! Qual o teu problema ou o da AAP com isso???!!!
    A consequência do sionismo foi a instauração do Estado de Israel. Tens alguma coisa contra isso?! Queres reverter a situação?! Então, que significado tem essa proclamação anti-israelita (não será “antissemita”, como tu gostas de dizer?!…)?!
    E qual violência e morte foram levadas à Faixa de Gaza, que não tenham sido levadas antes a Israel pelos hediondos de tal faixa e que tu omites na tua catilinária?!
    Tendencioso!…

    5- «O feriado do 5 de outubro, data emblemática do regime e da separação da Igreja e do Estado, foi suprimido em conluio com a Igreja católica…»

    Tal feriado já foi restaurado no ano passado, se ainda não reparaste…

    6- «…bem-vindos ao almoço do 5.º aniversário da AAP.»

    E o almoço do 9º aniversário?!
    E a mensagem do 9º aniversário é a mesma do 5º???!!! Porquê???!!!
    Isto faz algum sentido???!!!

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