Um dos momentos mais baixos da reverência, subserviência e humilhação do mais alto magistrado do país, Marcelo Sousa, ante o presidente do conselho de administração do Vaticano!
Baixar-se para beijar a mão do interlocutor, como cumprimento, é indicador de submissão. Será que o papa beija a mão de alguém? Não! Então por que é que o presidente Marcelo o faz?!
Fá-lo porque é submisso ao Vaticano, porque como bom e tradicionalista católico que é, acha que tem de beijar a mão de sua eminência “reverendíssima”, o papa Chico.
E, sobretudo, fá-lo, porque Marcelo não distingue a laicidade do Estado, que, como presidente do mesmo, tem que a praticar, do caráter católico da sua pessoa, que, como “praticante” do mesmo, tem que assumir.
Prefere que o seu catolicismo se sobreponha à laicidade do Estado a que ele preside, embora tenha recebido e cumprimentado o papa como presidente…
O papa, tão querido pelas massas néscias e crédulas, e não só, do catolicismo, apresenta um estilo novo de relacionamento com as suas ovelhas: mais simpático, sorridente, afagador, menos convencional e menos tradicionalista no trato e nos luxos que, avezadamente, tem pautado a vida dos papas e da Igreja, em geral.
Isto é quanto tem bastado para concitar mais atenção dos ditos católicos, tão carentes de “amor”, afago, interesse, um olhar mais demorado, uma observação mais específica, um telefonema que faça para quem lhe suscita a atenção…
O papa, até agora, não reformou a doutrina nem o catecismo constitucional, antes limitou-se a aplicar maior disciplina e rigor nas contas vaticanescas e numa certa logística e alguma condescendência com certos comportamentos e orientações. Mais nada!
Continua a não ceder na interdição do sacerdócio feminino e as mulheres continuam a enxamear peregrinações e assembleias, dentro e fora da igreja, com destaque para o acolhimento ao papa, agora em Portugal…
Tristes mulheres… mais atreitas aos afagos, aos beijinhos, aos sorrisos, à “simpatia”, às encenações institucionais, do que à real doutrina, discriminatória e subjugadora, da sua Igreja e do seu papa, indigna do conceito e prática modernos dos direitos humanos…
É como se estas mulheres seguissem outra orientação, paralela à das leis laicas e de igualdade de género…
O que denota como todos estes católicos, homens e mulheres, geralmente “não-praticantes”, estão longe do conceito, na teoria e na prática, dos direitos humanos, da igualdade basilar de género, da liberdade e da democracia mais modernas…
Parece que os anos, as décadas, os séculos passam e continua um fundo ancestral de reacionarismo e conservadorismo que “amarra” o “bom povo” ao disparate religioso, espécie de DNA estrutural da cultura básica…
Até quando?…
Tal-qualmente, em matéria de “simpatia”, afagos, beijinhos e “selfies”, o presidente Marcelo capitaliza imenso apoio popular, porque é disto que o nosso povo gosta, no fundo: encenações, imagens cultivadas e presenciais, aparições (!…), festas e festinhas, beberetes e comeretes, tudo a irradiar “simpatia”, profusão de toques físicos apropriados, no momento certo… e aí temos o “bom povo” esfuziante…
Conteúdos programáticos? Doutrina? Ideologia? Ah, isso fica para depois ou não interessa tanto…
Como se as pessoas tivessem uma descompensação psicológica qualquer e precisassem duma aparição, dum prócere protetor, que aparece, que está ali presente, que parece comungar do mesmo espaço e vivências do povo, povo este que assim fica compensado do défice de afagos, beijos, “simpatia” e da “autoridade” de que aparenta tanta carência…
Se calhar tanta carência como diretamente proporcional ao seu nível de escolaridade e de inteligência…
… E de tristes vivências…
Há algo que não bate certo, por aqui… A democracia é incompatível com a doutrina da ICAR, e a inversa também é verdadeira. E eu pergunto: aquela gente que rasteja pelo santuário é toda democrata? Saberá, ao menos, o que é democracia? E as mulheres, algume vez teráo lido a Bíblia, que as trata abaixo de cão?
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.
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