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Os milagres de Roque Santeiro

Por

Leopoldo Pereira

Muitos de vós devem lembrar-se de uma telenovela brasileira, há anos transmitida pela RTP, “Roque Santeiro”, e que de momento está sendo retransmitida. Uns tê-la-ão visto com agrado, o meu caso, outros se calhar nem por isso. Os ditos milagres ganharam fama e adeptos, chegando a povoação onde aconteceram (Asa Branca) a tornar-se famosa, visitada por turistas crentes (ou curiosos), o que muito contribuiu para o desenvolvimento do comércio local. Mas tudo não passava de meros equívocos, meras aldrabices.

A poucos dias da prometida canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta, em Fátima, pelo Santo Padre, poderá parecer descabida a introdução que fiz, até porque pessoas de alto gabarito têm estado envolvidas, desde a Irmã Ângela Coelho, médica e religiosa da “Aliança de Santa Maria”, aos mais graduados pastores da Igreja Católica.

A canonização só podia ocorrer se alicerçada num milagre “verdadeiro”, que ia escasseando, embora tenham surgido muitas candidaturas após o processo de canonização ter avançado, mas rejeitadas por menos sérias. Eis senão quando uma criancinha brasileira é a eleita, ainda que se desconheçam os pormenores do milagre! Que os pastorinhos intercederam, intercederam.

Portugal ganha dois santinhos, pela preciosa ajuda da Pátria Irmã, o que obviamente foi mero acaso; podia ter acontecido na Rússia, China ou Arábia Saudita, por exemplo, desde que o “apelo à oração” fosse observado.

Fátima, outrora uma pacata vila, fruto das aparições da Senhora do Rosário virou cidade, experimentando um considerável progresso, tal como aconteceu em Asa Branca: Hotéis, casas comerciais, santuários, ligações viárias, museus, mosteiros, conventos, restaurantes, etc.

Hoje qualquer peregrino que desfrute de um saudável conforto económico, pode ficar bem instalado e adquirir desde o rosário autenticado (barato) a uma “Senhora de Fátima” do tamanho que quiser. Pode ainda acender uma vela do seu tamanho junto à capelinha das aparições ou orar sentado na nova Igreja da Santíssima Trindade, onde cabem, também sentadas, mais 8. 999 pessoas!

O culto mariano espalhou-se pela Terra e Fátima foi decretada o altar do Mundo.

Como português só posso torcer pela continuação deste sucesso, que tantos benefícios traz ao meu país. Mais, sinceramente acredito que o Anjo Guardião de Portugal, que em 1916 apareceu aos pastorinhos, num evidente reconhecimento do terreno e da azinheira onde em 13 de maio de 1917 a Virgem iria aterrar, vai a curto ou médio prazo interceder junto dos nossos credores ou, em alternativa, fazer com que as prospeções de petróleo e gás natural resultem em pleno, sem causarem problemas ambientais.

Para terminar, sugiro que vejam e ouçam o vídeo, no Facebook: “História à desgarrada – Fátima e os pastorinhos”.

1 thoughts on “Os milagres de Roque Santeiro”
  • Stefano Barbosa

    Roque Santeiro foi baseada nesta peça teatral
    https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Ber%C3%A7o_do_Her%C3%B3i
    O Berço do Herói é o nome de uma peça teatral de Dias Gomes, cuja primeira montagem data de 1965.
    Escrita na década de 1960, a obra é tanto uma crítica explicitamente
    humanista à forma como se constroem mitos heroicos baseados em fatos
    reais, como implicitamente contextual em relação ao então regime militar que se iniciava no Brasil; e tem como um de seus panos de fundo a participação brasileira na campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

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