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A islamofobia e o medo do Islão

A islamofobia, à semelhança de qualquer outra fobia, é doença do foro psiquiátrico, que exige terapia adequada. O medo do Islão é um reflexo legítimo de conservação, face ao perigo da religião política e do proselitismo demencial da jihad estimulado pelo Corão. Urge compreender a diferença e tomar precauções.

A UE tem matriz judaico-cristã, mas foram a luta contra o poder clerical e a progressiva secularização que fizeram a síntese entre os direitos individuais e a solidariedade social, através de Estados democráticos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não nasceu nas sacristias, e o respeito pelos seus trinta artigos deve ser imposto a todos os que vivem dentro das fronteiras dos Estados democráticos, crentes ou não crentes.

A aceitação de muçulmanos, como, aliás, de praticantes de qualquer outra religião, culto ou filosofia não exige a aprovação das crenças. O respeito aos crentes não se estende às suas crenças. O combate ideológico ao Islão é tão essencial como o foi, no passado, ao catolicismo, ao calvinismo e a todas as crenças que não desistiam da conversão dos que as recusavam. E como pode voltar a ser!

A Alemanha, o único país europeu com um memorial às vítimas do nazismo, expiou a crença na raça superior e na bondade da eugenia e do antissemitismo. Hoje, é paladina da integração dos refugiados. Sob pena de renegarmos a civilização, temos o dever de os aceitar dentro das capacidades económicas e sociais da Europa para os integrar.

Ontem, as autoridades alemãs encerraram a mesquita salafista “Fussilet 33”, em Berlim, uma escola de terrorismo que produziu quadros para o Estado Islâmico e cuja interdição pecou por tardia. Aliás, não há qualquer justificação para que as religiões sejam tratadas de forma diferente de quaisquer outras associações. A monitorização policial e a repressão devem ser proporcionais à perigosidade, dentro dos limites do Estado de Direito.

Afirmar que todas as religiões são pacíficas é uma mentira hipócrita e cínica. Insistir na mentira e na hipocrisia é comprometer o futuro da civilização e desistir da democracia.

2 thoughts on “A islamofobia e o medo do Islão”
  • carlos cardoso

    No geral estou de acordo.

    No princípio do segundo parágrafo deveria ser: “foram a luta contra o poder clerical e a secularização que fizeram a síntese”. Como está parece que a luta também foi contra a secularização.

    É importante continuar a repetir que o respeito aos crentes não se estende às suas crenças. Tal como temos que respeitar o direito de cada um a ter e a exprimir as suas ideias politicas mas não temos que respeitar essas ideias, também temos que respeitar o direito de cada um a ter e a exercer a sua religião mas não temos que respeitar essa religião.

    O respeito do direito de todos à liberdade de pensamento, de consciência e de religião é muitas vezes confundido com uma “obrigação” de aceitar tudo o que é apresentado como componente da religião de alguém.

    Há mais de duzentos anos, começou um movimento na Europa para a separação da Igreja e do Estado. Como consequência, o secularismo é hoje aceite como um dos pilares de uma sociedade democrática.

    Um processo semelhante ainda não ocorreu nos países muçulmanos, onde o Islão é visto como religião mas também como forma de organizar a vida na sociedade. Enquanto direito de qualquer pessoa às suas crenças religiosas, deve ser protegido numa sociedade democrática, mas só na medida em que essas crenças não violem os direitos dos outros. Nenhuma regra (religiosa ou não) que não respeite os direitos humanos pode ser tolerada.

    É claro que partes do que alguns muçulmanos consideram como um componente do Islão, incluindo a maior parte da lei da Sharia, se enquadram nesta categoria e não podem, portanto, ser aceitas como leis civis em sociedades que se consideram democráticas. Seria errado, em nome do politicamente correcto, fingir que não é assim. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem determinou, já em 31 de Julho de 2001, que “a instituição da lei da Sharia e de um regime teocrático eram incompatíveis com as exigências de uma sociedade democrática”.

    A secularização não é certamente um processo que possa ser imposto do exterior. No entanto, a Europa deveria estar pronta a apoiar, de todas as formas possíveis, os líderes e os intelectuais muçulmanos democráticos que, juntamente com représentantes relevantes da sociedade civil, estejam dispostos a embarcar neste longo mas inevitável processo.

    Mas a Europa deve, em primeiro lugar, proibir firmemente no seu território todas as práticas, religiosas ou não, que não respeitem os direitos humanos: em matéria de direitos humanos não há espaço para “excepções culturais”.

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- «O respeito aos crentes não se estende às suas crenças.»

    …E há crenças sem crentes???!!! Como é que se pode “respeitar” crentes, cujas crenças desrespeitam a democracia e a liberdade???!!!
    Se as desrespeitam, então, teremos que os fustigar. Não é lógico???!!!…

    2- «Sob pena de renegarmos a civilização, temos o dever de os [refugiados] aceitar dentro das capacidades económicas e sociais da Europa para os integrar.»

    Não temos nada que os aceitar! Foram elas, as pessoas “refugiadas”, que geraram a guerra civil. É a massa do povo que gera os seus combatentes, que entram em confronto uns com os outros. Simplesmente, ou porque foram apanhados entre dois fogos, ou porque não arranjaram armas, ou porque as circunstâncias da vida familiar e profissional não lhes facilitaram a beligerância, decidiram fugir.

    Claro que há sempre gente refratária à guerra, insuscetível de alinhar com os contendores, porque o “peso” de mulheres e crianças influencia a vontade dos machos guerreiros.

    Mas foi esse povo, o sírio, que gerou a guerra civil, tal-qualmente foi o povo iraquiano que gerou e sustenta a guerra civil iraquiana, assim como os povos líbio e iemenita também geraram e sustentam as suas guerras civis.

    4 povos árabes, 4 guerras civis.

    E mais guerras civis haveria, se o escol político-militar, como o argelino e o egípcio, particularmente poderosos e acima de tudo e todos, não tivessem tomado conta da situação e esmagado a hedionda escumalha islâmica emergente, em que se costuma transformar essa gentalha turbulenta, isto é, o povo árabe, o genuíno, antidemocrático e antiliberal povo árabe…

    As forças armadas argelinas, após a vitória eleitoral da FIS, em 1991, deram um golpe de Estado, seguido duma dilacerante e crudelíssima guerrilha, desencadeada pela “hedionda”, causando mais de 150 000 mortos, “hedionda” essa que foi destroçada pelas F.A., até 2002 (10 anos!…), mas que, de vez em quando, lá reaparece em pose mortífera…

    As F.A. egípcias, também deram um golpe de Estado, em 3 de Julho de 2013, em que expulsaram do poder o presidente islamita, Morsi, democraticamente eleito e com uma base de apoio de dois terços dos parlamentares, isto é, os islamitas…

    O resto do mundo árabe e médio-oriental está dominado, politicamente, por um escol político-militar, monárquico ou “republicano”, antidemocrático e antiliberal, com exceção da Tunísia, em que os “democratas” dominam, por falta de comparência dos islamitas do Ennhada, que desistiram de governar, ao verem que só tinham miséria para oferecer ao povo, depois das eleições de 2011 e do descalabro turístico, base económica da Tunísia…

    …E excetuando, também, o Líbano, palco de aparentemente sólido equilíbrio entre cristãos e muçulmanos, que dividem o poder, independentemente do resultado das eleições, pois o presidente tem de ser sempre cristão, o primeiro-ministro sunita e o presidente do parlamento, xiita…tudo num “cozinhado” de estranha “democracia”, para não começarem outra vez uma guerra civil, como a de 1975-1990 (15 anos!…)…

    E não, Carlos Esperança, não temos que renegar a “civilização”, por não aceitarmos a multiplicação de ovos da serpente islâmica nas nossas terras, ameaçadores da nossa liberdade…
    Pelo contrário, estaremos a defender a nossa civilização se recusarmos essa gente…

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