Loading

O Presidente da República e o embuste de Fátima

Depois do lastimável beija-mão ao Papa, ato humilhante para o País, o PR reincidiu na 25.ª Cimeira Ibero-Americana convidando os chefes de Estado e de Governo a visitarem Fátima nas comemorações do centenário dos acontecimentos de 1917 na Cova da Iria.

Destaco da sua intervenção: «Na cultura entram também crenças e formas de circulação, crenças religiosas. Recordo para o ano o centenário de Fátima em Portugal, para o que estais convidados».

Não discuto a encenação grotesca de Fátima contra a República nem o aproveitamento ulterior da superstição popular contra o comunismo e, agora, contra o ateísmo. Reprovo o convite do PR, não em nome de todos os portugueses, mas como comissário do reitor do santuário ou delegado da Conferência Episcopal.

A dignidade do cargo não se conforma, num Estado laico, com convites pios. O respeito que é devido aos crentes da concorrência, e aos não crentes, impedem que o PR utilize o cargo para proselitismo religioso e promoção do mais rentável espaço do sector terciário da Igreja católica em Portugal.

O patriarca de Lisboa também não convidou os bispos ibero-americanos para visitarem a Rotunda, no centenário da República.

marcelo_papa

2 thoughts on “O Presidente da República e o embuste de Fátima”
  • João Pedro Moura

    O nosso presidente da república, Marcelo Sousa, tem um lado religioso hipertrofiado, a credulidade católica. É relativamente discreto na manifestação desse pendor, mas, quando o manifesta, é inequívoco…

    Tem, pelo menos, um livro sobre Jesus Cristo, escrito há uns 20 anos…

    O presidente Marcelo é um indivíduo perspicaz, inteligente e culto…
    …Mas é crédulo nas patranhas católicas e cristãs…
    …E tal credulidade não abona a inteligência de ninguém…

    Um presidente católico, mesmo que dum país maioritariamente católico, deveria coibir-se de manifestações religiosas como as apologéticas de Fátima, porque isso leva a refletir, ao mais alto grau, investigativo e académico, sobre o que realmente se passou em Fátima, em 1917…
    …Isto é, a que propósito é que uma entidade sobrenatural e religiosa, do ponto de vista crédulo, é que iria aparecer apenas num determinado dia, dum determinado ano, num determinado lugar, num determinado país, perante 3 criancinhas, em que somente uma delas falava e ouvia a visionária entidade, que dizia coisas sem nexo ou falsas, como o fim da 1ª Guerra Mundial, brevemente, preterindo todos os outros lugares, dias, anos, pessoas e países, com a mercê da sua presença???!!!

    Não é de desconfiar quanto à real presença de tal coisa???!!!
    Ou as crianças é que têm razão???!!!
    Ter fé ou ter ciência?!
    Acreditar em mistérios tão supostamente evidentes, que se tornam suspeitos de inexistência, ou registar factos inequívocos?!…

    • João Pedro Moura

      Mais:

      Uma teofania seria uma coisa assombrosa, de tal modo inédita e desconcertante que teria de ser, necessariamente, homenageada com um feriado. Incontornável!

      Não menos do que isso!!! Mas mereceria mais…

      Se os crédulos da senhora do Rosário, assim se intitulou a suposta aparição, entendem que tal foi um facto, por que não instituem o dia 13 de maio como feriado nacional???!!!
      E, já agora, os dias 13 de junho, julho, 19 de agosto (aqui, a aparição celestial apareceu mais tarde, porque as crianças estavam em retiro autárquico, determinado pelo autarca de Fátima/Ourém, e a senhora esperou pela “libertação”…), 13 de setembro e 13 de outubro, dia de grandes revelações… desconexas… e de grandes bailados solares, vistos pelo mundo inteiro, isto é, por biliões de pessoas e diversos centros de pesquisa astronómica, que registaram o fenómeno, constante, doravante, nos livros de divulgação científica e astronómica…

      Para quando o merecido feriado em honra da Nossa Senhora de Fátima???!!!

You must be logged in to post a comment.