Loading

Ainda o burkíni

Aceito quem condena a jurisprudência do tribunal de Nice e a decisão da autarquia em proibir o adereço pio, ostensivamente islâmico. Já me penitenciei da sua defesa, por me ter convencido da razoabilidade dos argumentos em sentido contrário e, sobretudo, pelo carácter contraproducente da proibição.

Custa-me, no entanto, perceber que, conhecido o incitamento ao seu uso pelo islamismo extremista e a exibição nas praias de Nice, na sequência do atentado comprovadamente inspirado no sectarismo islâmico, haja quem não reflita no carácter provocatório do ato.

O que não aceito, por má-fé, é o despudor com que se atribui ao espírito transigente das democracias, o argumento ignóbil de que se trata de um desejo libidinoso de obrigar as mulheres a despirem-se em público.
Ninguém se preocupa que, por cada mulher que deseja andar toda velada, haja milhares que são obrigadas, e vítimas de constrangimentos sociais comunitaristas.

Às vezes, na acéfala defesa do Islão, e do seu menosprezo pela mulher, dou por mim a pensar se alguma esquerda não continua movida pelo ódio ao catolicismo, quase sempre de natureza reacionária, ao longo da história, ou se a sedução pela violência também a fascina.

burkini

2 thoughts on “Ainda o burkíni”
  • Oscar

    Misturar o fanatismo de alguns islâmicos com todas as muçulmanas, que gostam de usar burkini, parece-me assim, sr. Carlos, uma espécie de argumento de alhos com bugalhos…

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- «Custa-me, no entanto, perceber que, conhecido o incitamento ao seu uso pelo islamismo extremista e a exibição nas praias de Nice, (…) haja quem não reflita no carácter provocatório do ato.»

    a) Não conheço nenhum “incitamento” ao uso do burkini pelo “extremismo islâmico”.
    Não será mais um dos teus disparates hiperbólicos?!
    O burkini foi uma criação duma estilista libanesa-australiana, em 2006, para facilitar o banho público de muçulmanas.
    Na linha de pensamento/comportamento social dos maometanos, o burkini enquadra-se entre os mais moderados, pois que, embora tapando a pele, deixando apenas as mãos, pés e cara à vista, destaca o relevo mamário, coisa com que a mais idiota escumalha islâmica se adversa…
    As muçulmanas pudibundas normais (a maioria…), as que vão à praia de vez em quando, fazem-no com o mesmo traje com que andam na rua…
    …E algumas entram assim pela água dentro…

    b) Ao contrário do que tu dizes, o ato não significa necessariamente um “caráter provocatório”.
    Primeiro, porque foi uma ou outra mulher que usou. Até porque o burkini é demasiado avançado para aquela gentalha. Portanto, não se tratou de nenhuma atuação massiva e premeditada para impor ou divulgar uma atitude.
    Segundo, porque uma provocação tem de ter alguém que se ache… provocado…
    …E num espaço público, não se iria fazer uma sondagem para saber quem se sente “provocado”, e impor uma lei por vontade maioritária de circunstantes…
    Terceiro, as roupas de cada pessoa… são de cada uma… ninguém tendo nada que ver com isso, por mais repulsivas e religiosas com que se encarem tais roupas…

    2- «Ninguém se preocupa que, por cada mulher que deseja andar toda velada, haja milhares que são obrigadas, e vítimas de constrangimentos sociais comunitaristas.»

    Eu preocupo-me…
    Eu preocupo-me com a difusão do islamismo na Europa, para só referir este continente, e com as práticas comportamentais totalitárias, segregacionistas e misóginas dessa gentalha.
    Mas eu acho, e tu não consegues demonstrar o alegado caráter obrigatório de tal uso, que as mulheres islâmicas assumem tais constrangimentos e são as grandes propagandistas do uso…

    Essa tua treta, tipicamente de mentalidades dirigistas e com pendor totalitário, dos “amanhãs que cantam”, que acha que as mulheres são umas vítimas, umas coitadinhas e que os homens são uns malvados que as exploram e submetem, não corresponde à realidade, a não ser em casos de jovens menores refratárias, mas acatadoras da autoridade paterna, ou dos 2 países do mundo que as obrigam ao recato têxtil, atingindo, assim, as poucas que declinariam tal vestimenta.

    As mulheres, tal como os homens, são parte da cultura islâmica. Assumem-na. Assumem a subalternidade. As que não a assumem, não usam tapamentos têxteis…

    Pensar que só os homens é que são reacionários e totalitários, em modo de indumentária, e que as mulheres são umas lutadoras pela liberdade, é não perceber nada da dinâmica social, mormente da dos países islâmicos…

    Basta ver que nos países onde há excisão do clitóris, a clitorectomia, e em que uma grande parte, para não dizer todos, são islâmicos, são frequentemente mulheres, tendencialmente em maioria, que executam tal ignóbil prática…

You must be logged in to post a comment.