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  • 22 de Julho, 2016
  • Por Carlos Esperança
  • Islamismo

A Turquia e o califa Erdogan

Erdogan já provou que a democracia era, para ele, um mero caminho para conquistar o poder. O fascismo islâmico irrompeu na máxima apoteose após o golpe de Estado cuja preparação, desencadeamento e contenção acompanhou, através da rede islâmica que organizou.

Perante o aplauso dos adeptos e o terror coletivo dos adversários e simples apoiantes da democracia, exerce o poder discricionário. Humilha o poder judicial, reprime os curdos, demite professores, fecha jornais, prende jornalistas, persegue juízes e desmantela todos os poderes que lhe podem cercear a ambição.

Da União Europeia chegam tímidos apelos para respeitar o Estado de Direito, como se fosse sua intenção mantê-lo quando a Nato e as UE o apresentavam como muçulmano moderado. Erdogan é um produto do atual momento histórico que o Islão atravessa, na sequência do fracasso da civilização árabe e do ressentimento por invasões ‘cristãs’, em busca do domínio do petróleo.

Os métodos do Estado Islâmico são a prática interna do ditador que sonha agora com o califado, e não hesita em desafiar os aliados. Ele nunca esteve na Europa das liberdades, esteve sempre com um olho em Meca e outro nas suas ambições.

A Europa tem mais um trágico problema à sua porta.

1 thoughts on “A Turquia e o califa Erdogan”
  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- «Erdogan já provou que a democracia era, para ele, um mero caminho para conquistar o poder. O fascismo islâmico irrompeu na máxima apoteose após o golpe de Estado…»

    É preciso ser muito parvo, em análise política, para proferir tamanho dislate hiperbólico.
    Carlos Esperança no seu pior: a análise política de países islâmicos, particularmente da Turquia.
    CE parece ter um prazer especial em confundir as propensões autocráticas e de tiranete do Erdogan, presidente turco, com um suposto califado, cargo de califa e “fascista islâmico”, que, no entender desaustinado e infundamentado do CE, seria um atributo do Erdogan…
    Este nada tem feito em favor da opressão islâmica, nem antes nem depois deste golpe de Estado…
    Então, onde é que o desatinado Esperança vislumbra orientações de “califa” e, atentem bem neste despautério, “O fascismo islâmico irrompeu na máxima apoteose após o golpe de Estado”???!!!…

    Um pretendente a “califa” é um indivíduo que quer ser o chefe máximo da comunidade islâmica, organizada politicamente…
    Seria o Erdogan a tomar conta da Síria, Iraque, Jordânia, Líbano, Arábia Saudita, Indonésia, etc.
    É preciso ser muito estúpido para imaginar tal pretensão no Erdogan, presidente turco…

    Uma coisa chamada de “máxima apoteose do fascismo islâmico” é o “Estado Islâmico” e a Al-Qaeda…
    Pergunto: o que é que a atual agitação política turca, pós-golpista, tem minimamente a ver com as crueldades hediondas, políticas e sociais, daquelas entidades islâmicas???!!!

    Lá por o Erdogan ser muçulmano, ainda por cima turco, não significa que vá instaurar a “sharia”, velar mulheres, discriminá-las legalmente, enfim, executar toda uma política islâmica radical, como nós bem conhecemos…

    Recentemente, a Turquia reatou a diplomacia com Israel, prova evidente de que o partido dominante turco está longe, muito longe, do “fascismo islâmico” e ainda mais longe da sua “máxima apoteose”, para não evocar sequer o “califado”…

    2- “Perante o aplauso dos adeptos e o terror coletivo dos adversários e simples apoiantes da democracia, exerce o poder discricionário. Humilha o poder judicial, reprime os curdos, demite professores, fecha jornais, prende jornalistas, persegue juízes e desmantela todos os poderes que lhe podem cercear a ambição.”

    É verdade que a tentativa de golpe militarista provocou uma reação desproporcional e, por isso mesmo, suspeita do pessoal político dominante, sem ainda se descortinar qual o objetivo máximo desse poder.
    Mas daí a concluir que se vai instaurar o “fascismo islâmico”, lá por eles serem muçulmanos… vai um fosso…

    Outrora, na Europa, também havia os “democratas-cristãos”, com as suas políticas conservadoras. Mas daí a chamar-se “fascismo cristão” ia… um fosso…

    3- “Erdogan é um produto do atual momento histórico que o Islão atravessa, na sequência do fracasso da civilização árabe e do ressentimento por invasões ‘cristãs’, em busca do domínio do petróleo.”

    Nada disso, maluquinho!
    Erdogan é um produto das contradições turcas, entre as mulheres veladas e o grande número de mulheres desveladas, entre o conservadorismo islâmico não-radical e o modernismo duma sociedade, semelhante, no seu modo de vida, às democracias ocidentais liberais, entre uma capa islâmica que impregna, em geral, a sociedade turca, e a laicidade que impregna as instituições políticas e sociais e grande parte da população.
    A Turquia está em evolução e em notório crescimento económico, ou tem estado…
    O pessoal dominante turco exprime a contradição entre uma Turquia vetusta, tradicionalmente islâmica, mas respeitadora, em geral, dos direito humanos, e uma Turquia moderna, mais orientada para a integração europeia e para a liberalização dos costumes.
    Parece que a Turquia mais tradicional está a querer impor-se, mas isso não significa “fascismo islâmico”. Antes significa autoritarismo, típico deste tipo de fases de desenvolvimento, decorrente também do enfrentamento do problema curdo e da luta contra o terrorismo islâmico.
    Este tipo de povos e países, ainda relativamente atrasados, económica e socialmente, exprimem sempre um certo autoritarismo, conforme o nível de vida e de contradições internas que o imbuem.

    4- «Os métodos do Estado Islâmico são a prática interna do ditador que sonha agora com
    o califado, e não hesita em desafiar os aliados. »

    a) Estultícia completa! Os “métodos do Estado Islâmico” são o assassinato cruel e banalizado e todo o tipo de barbaridades crueis…
    É isso que estás a ver na Turquia, Carlos Esperança???!!!

    b) O Erdogan “sonha com o califado”???!!!
    Carlos Esperança é um “artista” português, de capacidade analítica perspicaz…

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