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  • 8 de Maio, 2016
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

Um padre tolerante…

«Jornalista italiano expôs os escândalos financeiros e os luxos do Vaticano, no livro Avareza. Acabou processado e recebeu ameaças de morte.

Como vê o processo que o Vaticano tem contra si?

É um processo kafkiano porque os jornalistas que denunciaram os vendilhões do templo com provas muito incontestáveis, muito verdadeiras foram processados, apenas por terem feito o seu trabalho. Os vendilhões do templo, pelo contrário, estão em liberdade e não têm nenhum processo. Esta é a inversão da realidade, por isso eu entendo que é um processo errado. Estou muito triste. Nunca me passou pela cabeça enquanto escrevia este livro que seria o jornalista a ter um processo no Vaticano porque ameacei a segurança nacional, segundo eles. Se a casa do cardeal Bretone é segurança nacional ou se os quase 500 mil milhões de euros que Hospital Menino Jesus, em Roma, esconde ao IOR [o Banco do Vaticano] para comprar ações da Exxon e da Dow Chemical, que são empresas que poluem e matam, se estes assuntos são violação da segurança nacional estou contente por o ter feito. Repetiria de novo amanhã este crime.

3 thoughts on “Um padre tolerante…”
  • João Pedro Moura

    Este livro, “Avareza”, atinge em cheio a ICAR e mostra, à saciedade e sociedade, a contradição essencial desta organização: a diferença entre o dito e o feito.
    Pelos ditos, é uma organização solidária, misericordiosa, benfeitora…
    …E é, em certa medida, até porque recebe subvenções de certos Estados para providenciar assistência social…

    Mas por certos feitos, é uma organização opulenta, em que uma boa parte dos seus réditos se escoam no enriquecimento do património de usufruto da clericalha tartufa, em apartamentos, moradias, contas bancárias, carros com motorista e demais manifestações sumptuárias, que nada têm a ver com os tempos bíblicos de despojamento e pobreza, onde a ICAR, supostamente, se inspira…

    Por um lado, pregam a simplicidade de vida, a ausência de riquezas ostentatórias, o auxílio aos pobres…
    …Mas, por outro lado, têm instituições que guardam e gerem, suspicazmente, o dinheiro de ricos, investem em ações de enormes empresas, portando-se como grandes investidores capitalistas e internacionais e agem como grandes senhores, enricados de luxo ostentatório…

    Não há mais nada assim, como a Igreja Católica…

    …E vão conseguindo conciliar isto tudo, com mestria: o anseio dos pobres e o conforto dos ricos; a taumaturgia mais obtusa e simplória e o materialismo mais pontudo; a emissão de esperanças palavrosas, absolutamente inconsequentes, e o conformismo convinhável com os interesses do status quo…

    • Frei Bento

      O grande problema, João Pedro Moura, caríssimo irmão em Cristo, não está na Santa Madre Igreja Católica, Apostólica Romana. Nem na Igreja, nem no seu Representante, nem nos cardeais, bispos, cónegos, padres, sacristães, beatas alindadoras de altares, NADA! O mal, caríssimo irmão em Cristo, está nos crentes. Porque Sua Santidade farta-se de pedir para que os crentes rezem para que ele, Santo Padre, se torne pobre, e os crentes o que fazem? Nada! Limitam-se a ir a pé a Fátima, enfim, já é alguma coisa, mas não chega. Olhe que não tenho conhecimento de algum crente que vá a Fátima cumprir a promessa de tornar Sua Santidade, já não direi um sem-abrigo, mas, enfim, pelo menos um beneficiário do RSI.

  • Oscar

    Repete-se a história dos vendilhões do templo, não é assim, sr. Carlos ?

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