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Ovelhas tresmalhadas na Dinamarca

Cerca de três mil pessoas abandonaram a “Folkekirken“, a igreja oficial do estado dinamarquês, após a “Ateistisk Selskab” ter feito uma campanha nacional alertando para a redução de impostos caso o fizessem.

Apesar de ser um dos países mais seculares do mundo, a Dinamarca continua a manter um ministério para a igreja do estado, que é financiada por impostos directos e largamente subsidiada pelo reino, entre outras particularidades curiosas.

A campanha da Sociedade Ateia Dinamarquesa está a ser considerada um caso de grande sucesso, pois o processo de abandono é complicado e moroso.

1 thoughts on “Ovelhas tresmalhadas na Dinamarca”
  • João Pedro Moura

    Esta notícia explica bem o desfasamento que há entre a indiferença religiosa/ ateísmo do povo dinamarquês, em que só 2,4 dos inscritos (?…) na igreja estatal é que vão a celebrações religiosas, e o clericalismo estatal, em que, quem for batizado, fica concomitantemente inscrito na lista dos religionários e desconta 1% do rendimento para a instituição parasitária e tradicionalista da Igreja Luterana.
    Só quem pede para sair é que fica isento da taxa religiosa…
    E não quem pede para entrar…

    Mas isto acontece noutros países nórdicos, como a Islândia ou a Noruega…

    Países com um alto nível de vida, de civismo avançado, de liberdades exemplares, continuam a manter um tradicionalismo bacoco, atávico e correlato entre o monarquismo e o clericalismo, a aliança ancestral entre o trono e o altar, passadistas até mais não…

    É o conservadorismo congénito do animal humano…
    Se não chateia… deixa ficar, parece ser o lema daquela gente…

    Isto é, ao contrário doutras monarquias falidas e deitadas abaixo pela luta popular contra o reacionarismo, como a francesa, portuguesa, italiana e outras, a monarquia e igreja nórdicas nunca adotaram posições político-sociais reacionárias que afrontassem as mudanças históricas, normais e periódicas.

    Por isso é que esses regimes nórdicos, isto é, as monarquias norueguesa, dinamarquesa e sueca, mais as suas vertentes clericalistas, que são igrejas estatais, sempre se adaptaram às mudanças históricas, em prol do liberalismo e da democracia, sem contrariarem tais mudanças, redundando, assim, numa sobrevivência, por inércia: se não chateia, deixa estar…

    Só que, o próprio discernimento intelectual avançado dos povos nórdicos já deveria ter dado conta da inutilidade e passadismo do seu monarquismo e clericalismo e deveria ter varrido tais inutilidades e parasitismos para o relicário histórico…

    Mas não…

    As pessoas só mudam as instituições quando é necessário, mas não quando é simplesmente inútil, supérfluo e sumptuário…

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