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Opinião de um leitor

A opinião de Jaime Santos, agnóstico, em relação a este post.

Todas as religiões monoteístas têm no seu núcleo fundamental de valores a defesa de sociedades patriarcais, teocráticas, misóginas e profundamente homofóbicas. Isso já o sabemos, é um facto. No Ocidente, fruto da Reforma Protestante e do Iluminismo, o Poder Eclesiástico foi primeiro submetido ao Poder Secular e, depois de despidas as diferentes denominações religiosas do seu poder temporal, afirmou-se o princípio da separação entre o Estado e a Igreja. De notar que no caso do Catolicismo, o fundamentalismo religioso ainda inspirava o poder temporal em sítios como a Espanha ou a Croácia no sec. XX (menos em Portugal, onde a ICAR tentou apesar de tudo manter alguma independência em relação a Salazar).

 

Este processo de inculturação levou séculos e permite que o Cristianismo conviva de forma pacífica com Estados Seculares, não sem procurar exercer a sua influência na redação das leis (como é do direito dos crentes enquanto cidadãos, penso eu). No Mundo Muçulmano nada disto se passou (ainda), e depois do falhanço rotundo do pan-arabismo e da humilhação continuada desses povos, primeiro pelo colonialismo e mais recentemente pela interferência das grandes potências na política interna desses países e ainda pela ocupação israelita (que não é mais do que uma forma de colonialismo, note-se), a resposta de uma juventude sem horizontes e que contempla o falhanço da sua civilização foi o abraçar do fundamentalismo religioso e da guerra de civilizações.

Eu quero crer que o Islão é mais do que isto. Os santos sufis cujos túmulos foram destruídos pela Al Qaeda no Mali, abraçaram uma corrente que defende a não violência. A vasta maioria dos muçulmanos que vivem no Ocidente querem viver em Paz e admiram a Liberdade Religiosa das nossas Sociedades… Na Tunísia, onde se iniciou a Primavera Árabe, o processo democrático continua, e inclui Partidos Religiosos de natureza fundamentalista. Enfim, o Islão é algo mais que o wahabismo.

Agora, não conseguiremos com certeza lutar com eficácia contra esses criminosos enquanto continuarmos a dar cobertura a regimes que são em tudo iguais ao Daesh, e que o financiam, a bem dos negócios…

8 thoughts on “Opinião de um leitor”
  • carlos cardoso

    Jaime Santos tem razão em algumas coisas mas não tira conclusões nem propõe soluções.

    Há mais de duzentos anos iniciou-se na Europa um movimento para a separação entre igreja e estado. Como consequência, o secularismo, ou seja, o princípio da separação entre Estado e religião, é hoje aceite como um dos pilares de uma sociedade democrática. Devemos continuar a proteger este princípio.

    Um processo semelhante ainda não ocorreu em muitos países muçulmanos, onde o Islão é visto como uma religião pessoal e simultaneamente como uma forma de organizar a vida em sociedade. Enquanto numa sociedade democrática o direito de qualquer pessoa às suas crenças religiosas deve ser protegido na medida em que essas crenças não violem os direitos dos outros, quaisquer regras que não respeitem os direitos humanos não devem ser toleradas.

    É claro que algumas partes do que é considerado por muitos muçulmanos como uma component do Islão, incluindo a maior parte da lei da Sharia, se enquadram nesta última categoria e não podem, portanto, ser aceites como direito civil em sociedades que se consideram democráticas. Seria errado, em nome do politicamente correto, fingir que isso não é assim. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos determinou em 31 de Julho 2001, que “a instituição da lei da Sharia e de um regime teocrático eram incompatíveis com as exigências de uma sociedade democrática.”

    Este não é certamente um processo que possa ser imposto a partir do exterior. A Europa deve no entanto estar pronta para apoiar, em todos os sentidos, os líderes e intelectuais democráticos muçulmanos que, juntamente com representantes pertinentes da sociedade civil, pretendam embarcar neste longo, mas inevitável processo.

    Em primeiro lugar, a Europa deveria proibir no seu território todas as práticas, religiosas ou não, que não respeitem os direitos humanos: onde os direitos humanos estão em causa, não há espaço para “excepções culturais”. A educação e os meios de comunicação também devem desempenhar um papel importante.

    • Jaime Santos

      Caro Carlos Cardoso, Não defendo em nenhum sítio que se institua a sharia. Já defendi que se deveria levar em conta as especificidades culturais dos refugiados numa primeira fase, permitindo, por exemplo, que escolham o sexo do clínico que deve ser o seu médico de Família, ou que possam começar por ter aulas de Português em turmas exclusivamente masculinas ou femininas, sem colocar em causa a co-educação no momento em que ingressarem no ensino oficial. Mas a nossa Lei Republicana é válida para todos. Aquilo que eu digo é que o processo de inculturação que é desejável que aconteça também no Islão, pelo menos na Europa, é algo que demorará muitos anos. No entanto, é absolutamente necessário que os Muçulmanos se sintam como cidadãos de pleno direito (e portanto com iguais direitos e deveres) das nossas sociedades se queremos combater o radicalismo. De notar o desejo que muitos apresentam de contribuir de forma positiva para as sociedades onde estão inseridos, de que são exemplo recente as decisões da Fundação Aga Khan de trazer a sua sede mundial para Portugal e de participar na compra de um importante quadro para o nosso MNAA. Eu sei que não apresento nenhuma solução rápida para os problemas da integração dos Muçulmanos na Sociedade Ocidental e para o combate ao integrismo islâmico, mas temo bem que ela não exista e que o combate que deveremos prosseguir é algo para muitos anos. Acima de tudo, não devemos nunca deixar que de novo na Europa se pratique a política de que aqueles que são diferentes de nós não podem viver entre nós…

      • carlos cardoso

        Longe de mim propor a política de que aqueles que são diferentes de nós não podem viver entre nós. O que proponho é que aqueles que escolhem viver entre nós respeitem as nossas regras. Devemos explicar claramente quais são essas regras (as
        contidas na Convenção Europeia dos Direitos Humanos, por exemplo) e dizer também claramente que nenhuma “excepção cultural” será admitida se for contra essas regras. Este é o caso nomeadamente da Sharia, que é incompatível com uma sociedade democrática e que não deve portanto ser aceite. Os que estiverem de acordo com isto são benvindos, os outros poderão optar por ir viver para um dos muitos estados islamicos neste mundo.

        • JoseMoreira

          Não posso concordar mais. Pondo a questão numa base minimalista, não é admissível que um amigo meu venha a minha casa impor os seus hábitos. Se em minha casa se janta às 8,00h, parece-me absurdo e incorrecto que o meu amigo exija que se jante à hora dele. Mesmo que eu o tenha convidado para jantar.
          Felizmente, já vamos tendo casos de “cultura” que vão acabando nos tribunais. Ainda não há muito tempo, uma jovem pouco mais que adolescente foi retirada à tutela paterna +por os progenitores terem consentido o “casamento”. Que +e usual nessa culktura, mas é proibido em Portugal.

        • Jaime Santos

          Caro Carlos Cardoso, Lamento, mas discordo de uma imposição de opiniões no grau que defende. Repare, se nos referimos a refugiados, é nossa obrigação de acordo com a carta das NU acolhê-los, independentemente das suas opiniões. Alguém que foge a uma guerra requer proteção da sua pessoa e são os seus direitos humanos, a começar pelo direito à vida, que estão em causa. Se nos referimos a comunidades imigrantes já residentes, incluindo nacionais dos países comunitários, é certo que a Lei pode determinar violação do direito à Liberdade de Expressão em casos de apologia da violência, do terrorismo ou da sedição. Nestes casos, cabe aos tribunais decidir. Mas, só porque alguém defende, por meios inteiramente pacíficos, que a Sharia deveria ser aplicada nas nossas sociedades, isso não é suficiente para que essa pessoa seja metida na cadeia, expulsa ou que lhe seja eventualmente retirada a nacionalidade. Em França, felizmente, Hollande desistiu da alteração constitucional que pretendia retirar a nacionalidade a condenados por terrorismo. E nunca se falou de crime de Liberdade de Expressão. Porque, se se falasse, o mesmo seria eventualmente aplicável a pessoas que expressam opiniões de Extrema-Direita, que também não tomam em consideração que a carta das NU é mesmo de aplicação universal. Ora, se reconheço que vontade a mim não me faltaria para pôr, por exemplo, o PM Húngaro ou Jean Marie Le Pen de malas à porta da Europa, reconheço-lhes o direito à sua opinião, mesmo que execrável… Pode considerar que o que vou dizer raia o politicamente correto, mas a pertença (‘allegiance’) às nossas Sociedades é algo que não se impõe, constrói-se. Ora isso requer políticas de inclusão, de combate ao radicalismo ao nível da educação (e aqui os muçulmanos moderados têm um papel e uma obrigação crucial nesta matéria, e felizmente já se começam a ouvir mais vozes de condenação do terrorismo nessa comunidade) e também, claro, trabalho de polícia e de ‘intelligence’. E vai provavelmente requerer que nos atravessemos e estejamos prontos para intervir militarmente em alguns Países do Médio Oriente, com todos os riscos que isso acarreta…

      • João Pedro Moura

        JAIME SANTOS disse:

        1- “Já defendi que se deveria levar em conta as especificidades culturais dos refugiados numa primeira fase, permitindo, por exemplo, que escolham o sexo do clínico que deve ser o seu médico de Família, ou que possam começar por ter aulas de Português em turmas exclusivamente masculinas ou femininas, sem colocar em causa a co-educação no momento em que ingressarem no ensino oficial.”

        a) Pois é em casos como estes, que a arrogância discriminatória muçulmana, sexista e misógina, deve ser cerceada e reprimida.

        A escumalha islâmica é que tem que aceitar e afeiçoar-se aos usos e costumes dos países onde estão inseridos e não estes àquela…

        A pedagogia cívica, democrática e liberal, típica dos países ocidentais acolhedores, é que deve prevalecer e não as conceções reacionárias, patriarcais e totalitárias, dessa escumalha imigrante e étnico-religiosa…

        b) Se os ocidentais forem viver para os países árabo-muçulmanos, também se sujeitam aos usos autóctones, nomeadamente na Arábia Saudita, em que as mulheres, muçulmanas ou não, não podem conduzir automóvel e, nos hospitais, há médicas para mulheres e médicos para homens. Além de discriminação sexual entre discentes, a todos os níveis de ensino.

        Se vêm viver para os países ocidentais devem sujeitar-se aos usos e costumes nossos.

        2- “Acima de tudo, não devemos nunca deixar que de novo na Europa se pratique a política de que aqueles que são diferentes de nós não podem viver entre nós…”

        Mas quem é que preconiza essa discriminação senão a hedionda escumalha islâmica?!

        Quem é que procura impor as suas conceções aos outros?!

        O Jaime sabe o que pensam os muçulmanos sobre a apostasia? Sabe o que eles defendem se algum deles proclamar outra religião ou tornar-se ateu?

        Sabe o que eles pensam sobre adultério e relações sexuais sem casamento?

        Pois o que pensam para isso tudo é a punição mortal. E serão poucos os liberais que preconizam outra atitude…

        À taxa de crescimento dessa gentalha imigrante na Europa, eles serão 20 a 30%, daqui a 20 ou 30 anos, em países como a França, Bélgica e Holanda, em meados deste século, e 50%, no final do século…

        Imagine este cenário de pesadelo na vida europeia, a médio e longo prazo…

        • Jaime Santos

          João Pedro Moura, O tom do seu comentário é inaceitável. O Senhor começa por tratar indiscriminadamente os Muçulmanos com termos insultuosos que não deveria aplicar nem ao pior dos criminosos, mas que usa para designar todos, incluindo aqueles, e há muitos, que defendem a Liberdade, a Democracia e os Direitos Humanos. Claro, recorre aos mesmos estereótipos que em tempos foram utilizados para referir os asiáticos (o famoso ‘perigo amarelo’) e os Judeus. Depois, acha sinceramente que devemos ter para com outros um comportamento semelhante àquele que, justamente, criticámos? A razão que teria, perde-a num minuto. Cito-lhe a resposta admirável de um Colega Alemão a uma aluna recém-chegada iraniana que lhe perguntou se deveria prescindir do lenço que trazia pela cabeça: ‘a diferença entre o Ocidente e o Irão não é que aqui estejas obrigada a retirar o lenço, como lá estás obrigada a usá-lo, mas que aqui podes escolher se o usas ou não’… Ela optou por não o usar. Finalmente, faço-lhe notar que no Ocidente, punimos comportamentos à margem da Lei, não punimos posições ideológicas ou religiosas, o que, pelos vistos, é algo que o Senhor não entende. Ou se calhar entende, mas o que diz é uma mera justificação (falaciosa) para querer expulsar indiscriminadamente as pessoas que não lhe agradam, não é? P.S. Fique sabendo que esta é a única resposta que terá…

          • João Pedro Moura

            JAIME SANTOS disse:

            1- “João Pedro Moura, O tom do seu comentário é inaceitável. O Senhor começa por tratar indiscriminadamente os Muçulmanos com termos insultuosos que não deveria aplicar nem ao pior dos criminosos, mas que usa para designar todos, incluindo aqueles, e há muitos, que defendem a Liberdade, a Democracia e os Direitos Humanos.”

            É…acho-os uma escumalha…
            Lá tenho as minhas razões para isso…
            Razões, pelos vistos, diferentes das com que o Jaime os encara, pois parece que os acha liberais, democratas e defensores dos direitos humanos… continuando a serem muçulmanos…

            O Jaime, quiçá, até é capaz de vislumbrar dois ou três ou “muitos” países muçulmanos, nomeadamente os árabes, praticantes de liberdade, democracia e direitos humanos…

            Logicamente, em teoria, há algumas pessoas, ditas “muçulmanas”, que até serão defensoras e praticantes da liberdade, mas o problema é descobri-las e pô-las a dirigir os seus países…
            São tantas que até custa escolhê-las…

            2- “ Claro, recorre aos mesmos estereótipos que em tempos foram utilizados para referir os asiáticos (o famoso ‘perigo amarelo’) e os Judeus.”

            Nunca achei que “os amarelos” e os judeus fossem um perigo…
            Portanto, não recorro a nenhuns estereótipos para definir a gentalha muçulmana como o principal perigo mundial, em termos de segurança e prosperidade dos países liberais e democráticos…
            …Como se vai vendo…

            3- “Depois, acha sinceramente que devemos ter para com outros um comportamento semelhante àquele que, justamente, criticámos?”

            O nosso padrão intelectual, democrático e liberal, não permite exterminá-los e cerceá-los, como eles são capazes de fazer a tudo o que é diferente deles. Todavia, impedir ou dificultar a proliferação infrene dessa gentalha, no meio ocidental, deverá ser política estratégica.

            A cultura islâmica é essencialmente liberticida, totalitária, segregacionista e, tendencialmente, cruel e mortífera.

            Logo, ou eles… ou nós…

            Tentar integrar homens e mulheres islâmicos, geneticamente atávicos, que repetem, no ambiente democrático e liberal da imigração ocidental, os estereótipos ascorosos da sua cultura, é suicidário, a longo prazo…

            4- “Finalmente, faço-lhe notar que no Ocidente, punimos comportamentos à margem da Lei, não punimos posições ideológicas ou religiosas, o que, pelos vistos, é algo que o Senhor não entende.”

            Claro que entendo que não se devam punir posições ideológicas ou religiosas, à salutar maneira liberal e democrática ocidental, mas a proliferação da peste emocional islâmica, com o inevitável suporte demográfico crescente, se avassalar o mundo ocidental e convertida em votos políticos e práticas consuetudinárias de massa, deixar-nos-á em minoria ou constrangerá ao máximo a liberdade e democracia de que usufruímos…

            As pessoas de mentalidade capitulacionista e colaboracionista, como o Jaime Santos, terão, decerto, o seu lugar no futuro do poderio islâmico…

            5- “Fique sabendo que esta é a única resposta que terá…”

            O seu verniz de “tolerante, democrata, liberal & tal” estalou…

            Como quem afirma, à falta de argumentos ou pendor sereno para o diálogo franco e aberto: “eu é que tenho razão e não estou para ler ou ouvir mais réplicas que me adversam. (porque, no fundo, eu sou um intolerante…)…”

            O Jaime e o Carlos Esperança fazem um lindo par…

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