
Militantes do Estado Islâmico cometeram genocídio contra o povo yazidi no norte do Iraque, assim como crimes de guerra e contra a humanidade e limpeza étnica, afirmou o Museu do Memorial do Holocausto dos Estados Unidos nesta quinta-feira (12).
À Embaixada de França
contact@ambafrance-pt.org
Senhor Embaixador Jean-François BLAREL
Excelência:
A Direção da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), profundamente consternada com o terrorismo que ontem ensanguentou a França e feriu o mundo civilizado, vem por intermédio de V. Excelência, apresentar condolências às famílias das vítimas e ao povo francês.
A AAP pede ainda que transmita ao Presidente da República e ao seu Governo a nossa solidariedade com a laicidade de que a França é pioneira e exemplo, e cujo reforço se exige para a defesa da civilização, da democracia e da convivência que são apanágio da Europa.
O proselitismo religioso não é apenas nocivo e prejudicial, é – como tragicamente se vê – letal e potencialmente destruidor da civilização.
Na defesa de uma sociedade plural não se pode contemporizar com o extremismo totalitário, religioso ou outro.
Contamos com a determinação francesa para que a razão se sobreponha aos dogmas e a cidadania à barbárie que alguns confundem com multiculturalismo.
Odivelas, 14 de novembro de 2015
a) A Direção da AAP
Quando se lambem as feridas de mais um atentado terrorista que ensanguentou Paris e feriu a civilização, são inoportunas as referências a crimes que a Europa e os EUA têm cometido no Médio Oriente e noutros países do Planeta.
Lembrar a cimeira das Lajes, agora, é um ato masoquista e a forma de desviar atenções da natureza terrorista do Corão, do fascismo islâmico, dos gritos ululantes com que a rua islâmica assinala entusiasticamente o triunfo da fé sobre a razão.
Todos os democratas e humanistas lamentam que não sejam julgados os cruzados que invadiram o Iraque ou alimentam terroristas bons (os seus) contra os maus (os outros). Sabemos que a sinistra monarquia da Arábia Saudita pertencia aos bons e o Iraque aos maus, mas referir agora esses motivos minimiza a crueldade do Islão e apoia a demência da fé que um beduíno amoral espalhou.
Há hoje um combate que chama ateus, agnósticos e, sobretudo, crentes. É um combate na defesa da laicidade, na proteção dos crentes contra as suas crenças, na erradicação do proselitismo que ameaça a paz e a civilização.
Depois de mais um ato de horror que se repete com monótona regularidade é altura de gritarmos a indignação e de combatermos as pulsões racistas e xenófobas, os demónios que também podem nascer nos herdeiros do Iluminismo e da Revolução Francesa.
Ontem o fascismo islâmico e o cristão tiveram um dia de glória. O Estado Islâmico e a Frente Nacional saíram vitoriosos por entre corpos chacinados e o terror instalado.
O medo é o combustível que alimenta a fé e a extrema-direita. Um califa, algures no Médio Oriente, e Marine Le Pen tiveram ontem uma prenda.
Em Paris vive-se o horror de uma orgia de sangue que, em sete pontos distintos, visaram espalhar o terror, manifestar o ódio e submeter a liberdade.
É cedo para atribuir a origem da bem delineada estratégia de terror. Foi organizada com rigor exemplar, notável eficácia e crueldade insuportável.
É cedo para identificar os autores mas já é tarde para prevenir os danos e não é arriscado dizer que a civilização de que nos reclamamos foi atingida no coração da Europa numa reincidência desmoralizadora.
Se quisermos preservar a democracia, único sistema em que vale a pena viver, seremos obrigados a submeter aos padrões civilizacionais que nos regem todos os que queiram integrar o espaço europeu. Não podemos ficar reféns do terrorismo, seja qual for a sua origem, seja qual for o pretexto, venha de onde vier.
Da Reuters
Militantes do Estado Islâmico cometeram genocídio contra o povo yazidi no norte do Iraque, assim como crimes de guerra e contra a humanidade e limpeza étnica, afirmou o Museu do Memorial do Holocausto dos Estados Unidos nesta quinta-feira (12).
Compras de imóveis teriam favorecido parceiros da instituição, após novas informações vazadas.
Em mais uma série de documentos que vazaram, dentro do escândalo Vatileaks, a Igreja Católica passou por novo constrangimento nessa quarta-feira (11), com a revelação de que o Vaticano possui propriedades em Roma nas quais funcionam saunas e casas de massagem. Nos locais, sacerdotes pagam por sexo. As informações são do The Independent.
No relatório, também foi revelado que o Vaticano está alugando os edifícios, em negociações obscuras, que favorecem colegas poderosos de membros da instituição, além de permitir que as propriedades funcionem como estabelecimentos de prostituição.
O documento cita algumas propriedades, inclusive com endereço. Entre elas estão locais situados em duas ruas próximas ao Parlamento italiano e um solário perto da Piazza Barberini, segundo informou a imprensa local.
Os dois jornalistas, Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, publicaram na semana passada dois livros sobre corrupção e despesismo no Vaticano, com base em documentos internos daquele Estado.
Há cerca de duas semanas, a polícia do Vaticano deteve um prelado espanhol e uma perita leiga italiana por suspeita de fuga de informações e documentos.
Quando oiço falar da tolerância cristã vêm-me à memória dois milénios de violência que culminam na influência maléfica que a hierarquia católica exerce nos países sul-americanos e em vários países europeus, da Polónia à Espanha.
Se é verdade que judeus ortodoxos e muçulmanos, particularmente estes, não temem confronto com as malfeitorias dos cristãos, não podemos absolver a violência que brota dos livros ditos sagrados e do proselitismo dos crentes fanatizados.
Os cátaros e o huguenotes provaram cruelmente as manifestações de tolerância cristã, tal como judeus e muçulmanos. As Cruzadas e a Inquisição não foram epifenómenos de uma época mas inserem-se na matriz genética da doutrina que tem por ambição dominar o mundo.
A Reforma e a Contrarreforma são o exemplo trágico da ferocidade que os cristãos são capazes de desenvolver. E que dizer dos cristãos que santamente acorriam aos locais de suplício para se deliciarem com as torturas e o churrasco de pessoas vivas?
Calvino foi tolerante? Os Evangélicos e os Adventistas são tolerantes? JP2 e B16 foram exemplos de tolerância ou de bondade?
O Opus Dei não alberga o mais leve resquício de tolerância no coração dos seus membros. Monsenhor Escrivá, o tenebroso sacerdote que voou a jacto para a santidade, montado no dorso de JP2, foi diretor espiritual do casal Franco e do general Pinochet, dois terríveis ditadores que governaram respetivamente a Espanha e o Chile.
De Pinochet e esposa dizia JP2 que eram um casal cristão perfeito. Era esta a opinião do futuro santo sobre o torcionário, ladrão e fascista. É de exemplos de santidade assim que o cristianismo está cheio.
Que existem cristãos tolerantes não há dúvida. Que o cristianismo seja tolerante é falso.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.