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Não generalizemos

Já sabemos que uma andorinha não faz a Primavera, que uma árvore não é uma floresta, que a presunção de inocência um direito consagrado, etc. Mas há suspeições que não deviam existir. Ou a que não se devia dar aso.

3 thoughts on “Não generalizemos”
  • João Pedro Moura

    Também já tinha lido, Zé Moreira…
    Vamos seguir as cenas dos próximos capítulos, porque o caso é desconcertante e ainda não se sabe o que se passou…

    • Frei Bento

      Caríssimos irmãos em Cristo, perdoai a minha intromissão no diálogo, mas parece haver desenvolvimentos.
      http://www.jn.pt/PaginaInicial/Justica/interior.aspx?content_id=4890877

      É uma vergonha, Felizmente que nem todos os conventos são iguais. No nosso, os noviços são bem tratados, embora também haja castigos que, normalmente, não vão além das expulsões, como aconteceu ao noviço Bernardino.

      Bernardino era um noviço.
      E quando digo “era” significa, mesmo, era. Foi expulso do nosso convento, por razões que adiante compreendereis.

      Bernardino, na sua existência secular, era um bandalho completo. Frequentador compulsivo de tudo o que era antro de perdição, rara era a noite em que não se embebedava; o dia seguinte, era passado a curtir a bebedeira. Até que, um dia, sentiu aquilo a que chamou “um chamamento”, passe a redundância. Decidiu, então, abandonar,
      parcialmente, a vida de estroinice, e recolher-se ao nosso convento convicto, como estava, de que a diferença entre a vida dissoluta que levava e a que levam os frades seguidores da tradição Goliarda não seria assim tão grande como isso.

      Mas também não exageremos…

      Ao que parece, o tal “chamamento” deve ter tido interferências, ou por falta de rede ou por ruídos parasitas, já que Bernardo sempre que podia, e podia sempre, aproveitava o sono do resto dos
      frades, vestia a roupa secular, escapulia-se do convento e ia “aterrar” num antro de perdição situado à entrada da vila. Aí, bebia os seus copos de uísque e passava a noite a abanar o esqueleto. Donde não vem grande mal ao mundo, dado que também nós, os frades, frequentamos a referida espelunca, mas sempre numa
      perspectiva de salvação das almas. Obviamente, temos de consumir, já que o consumo é obrigatório, e também abanamos o capacete, mas apenas para nos integrarmos. Estratégias missionária, julgo não ser difícil de perceber.
      Bernardino voltava ao convento alta madrugada e, naturalmente, não cumpria os religiosos deveres matinais devidos a quem envereda pelos caminhos do Senhor, por muito ínvios que eles sejam.

      Um dia, ou antes, uma noite, Bernardo lá voltou a reincidir na pecaminosa fuga para a espelunca habitual. Pediu um uísque e sentou-se à mesa. Pouco depois, levantou-se para ir abanar o capacete. Só que, quando voltou, viu que o copo da bebida se
      encontrava vazio. Deus Nosso Senhor estava numa de escrever direito por linhas tortas, como é seu timbre. Bernardo lá pensou que teria bebido o uísque distraído; pediu outro copo e pousou-o na mesa, voltando à pista de dança.
      Quando regressou à mesa, o copo voltava a estar vazio. Desta vez, Bernardo já começou a ficar incomodado, sem se lembrar que Deus castiga sem pau nem pedra.
      Ei-lo que pede mais um uísque, que pousa na mesa. Voltou para a bailação, e regressou à mesa, para voltar a encontrar o copo novamente vazio. Já verdadeiramente furioso, pediu mais um uísque ao atónito empregado. Voltou para a mesa, mas desta vez decidiu tomar uma atitude: pegou num papel, e escreveu: “Não beba deste copo. Cuspi nele”. Um pouco mais tranquilo, embora expectante, abanou, mais uma vez o capacete. Quando regressou à mesa verificou, com um sorriso triunfante, que o copo de encontrava intacto. No papel, por baixo do que escrevera, alguém tinha acrescentado: “Também eu”.

      NOTA: Bernardino foi expulso do convento, apenas por ter envergado trajes seculares nas suas saídas, acto que está formalmente proibido aos noviços.

      Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

    • João Pedro Moura

      Era o que se previa…
      As taras de comando opressivo e totalitário lá vieram à tona, nesta confraria conservadora, e tentaram formatar umas tolas dumas noviças, que, entretanto, não aguentaram e desertaram…

      Enfim, umas toleironas a queixarem-se doutras e do toleirão-mor…
      Que se amanhem…

      http://www.jn.pt/PaginaInicial/Justica/interior.aspx?content_id=4890877

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