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  • 1 de Novembro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

O animal que se tornou num Deus

Por

Casa do Oleiro

Há 70 000 anos, o Homo Sapiens ainda era um animal insignificante preocupado consigo próprio, num canto de África. Nos milénios que se seguiram transformou-se no senhor do mundo inteiro e num dos flagelos do ecossistema. Hoje está prestes a tornar-se num Deus, preparado para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas da criação e da destruição.

Infelizmente, o domínio Sapiens na Terra produziu, até agora, pouco de que possamos orgulhar-nos. Dominamos o meio envolvente, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, estabelecemos impérios e criamos extensas redes de comércio.

Mas diminuímos o nível de sofrimento no mundo?

Vezes sem conta, um aumento considerável do poder humano não correspondeu,
necessariamente, ao bem estar do Sapiens individual, provocando também, por norma, um enorme sofrimento aos outros animais.

Ao longo das últimas décadas conseguimos, por fim, fazer um progresso real no que diz respeito à condição humana, com a redução da fome, de pragas e das guerras. No entanto, a situação dos outros animais está a deteriorar-se mais rapidamente do que nunca e os melhoramentos da humanidade são demasiado recentes e frágeis para serem certos.

Além disso, apesar das coisas espantosas que os humanos são capazes de fazer, continuamos sem ter a certeza dos nossos objectivos e parecemos estar mais desligados que nunca. Avançamos das canoas para as caravelas, para barcos a vapor, para vaivéns espaciais – mas ninguém sabe para onde vamos.

Estamos mais poderosos do que alguma vez estivemos, mas não fazemos a
mínima ideia do que fazer com todo esse poder.

Ainda pior: os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca.

Deuses auto-proclamados, com apenas as leis da física para nos fazer companhia, não somos responsabilizados por ninguém. Estamos, assim, a espalhar o caos sobre os nossos companheiros animais e o ecossistema envolvente, em busca de pouco mais do que o nosso próprio conforto e divertimento sem, no entanto, nos darmos por satisfeitos.

Existirá algo mais perigoso do que Deuses insatisfeitos e irresponsáveis, que não sabem o que querem?

Este texto foi retirado do livro de Yuval Noah Harari “Sapiens: de animais a Deuses”.

4 thoughts on “O animal que se tornou num Deus”
  • GriloFalante

    Excelente texto!

  • João Pedro Moura

    Mais uma indigência de artigo, que nada tem que ver com a temática deste blogue…

    Desta vez, Carlos Esperança espeta-nos com um autor (!…), chamado “Casa do Oleiro”, sobre o qual, rigorosamente, nada se diz, se calhar porque não há nada para dizer sobre tão indigente autoria…

    CASA DO OLEIRO disse:

    1- “Há 70 000 anos, o Homo Sapiens ainda era um animal insignificante preocupado consigo próprio, num canto de África.”

    Há 70 000 anos, o Homo Sapiens já existia no leste do Mediterrâneo e, provavelmente, no Médio Oriente…

    2- “Nos milénios que se seguiram transformou-se no senhor do mundo inteiro e num dos flagelos do ecossistema.”

    Se o “senhor do mundo” não se tivesse tornado “num dos flagelos do ecossistema”, a esta hora o senhor “Casa do Oleiro” seria um qualquer mamífero a lutar diariamente pela sobrevivência…

    …E nem saberia escrever nem ler e, muito menos, teria a possibilidade material de debitar as inépcias grosseiras com que distingue o seu arrazoado inepto…

    Chamar “flagelo do ecossistema”, ao desenvolvimento e à civilização do bem-estar, decorre do habitual, grosseiro e primário discurso miserabilista, típico de radicais ecologistas de pacotilha, daqueles que usufruem da evoluída civilização material, mas que se queixam, nem eles sabem explicar bem de quê…

    3- “Hoje está prestes a tornar-se num Deus, preparado para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas da criação e da destruição.”

    Hoje, o sr. “Casa do Oleiro”, no seu toledo larvar, está tornado num raquítico intelectual de pacotilha ecológica, que chama “divinas” às capacidades normais de criação e destruição, próprias dos animais e ainda mais do animal humano…

    4- “Infelizmente, o domínio Sapiens na Terra produziu, até agora, pouco de que possamos orgulhar-nos. Dominamos o meio envolvente, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, estabelecemos impérios e criamos extensas redes de comércio.
    Mas diminuímos o nível de sofrimento no mundo?”

    Lê-se e fica-se siderado pelo brilhantismo inepto do Casa do Oleiro…
    A brilhante civilização material que construímos, a diminuição do sofrimento causado por tal evolução, o aumento constante da longevidade humana, tudo isso é pouco de que nos possamos orgulhar para o tolinho do Oleiro…

    Quiçá, a “sui generis” criatura C. do O. não quereria dominar tanto o meio envolvente, ou aumentar tanto a produção de alimentos, ou construir tantas e grandes cidades ou estabelecer menos impérios e menos redes de comércio…
    Isto é escrever frases, mas sem se saber o que se está a dizer…
    …Portanto, a escrever tolices…

    5- “Vezes sem conta, um aumento considerável do poder humano não correspondeu, necessariamente, ao bem estar do Sapiens individual, provocando também, por norma, um enorme sofrimento aos outros animais.”

    Ora aqui está um escrito corroborável pelos senhores e senhoras do PAN, Partido Pessoas, Animais, Natureza, novel peça do anedotário político português…

    Com que então, o aumento do “poder humano” provocou um “enorme sofrimento aos outros animais”…
    É! Provavelmente, comemo-los mais…
    Coitadinhos!…

    Que nexo será esse do “poder humano” e do “sofrimento dos animais” e para que é que esse dito servirá?!…

    6- “… No entanto, a situação dos outros animais está a deteriorar-se mais rapidamente do que nunca e os melhoramentos da humanidade são demasiado recentes e frágeis para serem certos.”

    E o que é que o sr. Casa do Oleiro propõe para inverter tal “situação” animalesca???!!!…

    7- “Além disso, apesar das coisas espantosas que os humanos são capazes de fazer, continuamos sem ter a certeza dos nossos objectivos e parecemos estar mais desligados que nunca.”

    ???!!!…

    8- “ Avançamos das canoas para as caravelas, para barcos a vapor, para vaivéns espaciais – mas ninguém sabe para onde vamos.
    Estamos mais poderosos do que alguma vez estivemos, mas não fazemos a
    mínima ideia do que fazer com todo esse poder.”

    Isto é de quem vive, mas não percebe nada do que anda a fazer na Terra!…
    Pior: pensa que a humanidade tem ou deveria ter algum objetivo pré-definido, quiçá, comandável por botões…

    Este tipo de badamecos, pretensamente ecológicos, mas no fundo não passando duns intelectualoides de meia tigela, acha que o objetivo da vida humana não é o de sobreviver e, portanto, criar e prosperar nas melhores condições possíveis, mas sim, a fazer fé no que o lorpa do Oleiro diz, “não fazermos a mínima ideia do que fazer com todo esse poder”…

    9- E remata o maluquinho do Yuval Noah Harari, retransmitido pela Casa do Oleiro (que o C.E. não identifica o que seja…) e pelo Carlos Esperança:

    “Existirá algo mais perigoso do que Deuses insatisfeitos e irresponsáveis, que não sabem o que querem?”

    O que é mais perigoso, senhores Harari, Casa do Oleiro e Carlos Esperança, é os regimes contrários à liberdade humana, à liberdade de organização política, económica, social, cívica…

    Mas o menos perigoso e anódino é, certamente, os artiguelhos como o exposto, autênticas braquilogias, batologias e logomaquias prolixas, que infelizmente ameaçam emoldurar o Diário de Uns Ateus, sob a gestão dum desatinado Esperança…

    • Oscar

      O sr. João ataca por todos os lados, agora desanca em qualquer ateu que lhe apareça pela frente com uma fúria absolutamente impiedosa.

  • GriloFalante

    Fico com a impressão de que a Síndrome do Heteronimista Metastático é contagiosa…

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