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  • 25 de Setembro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Os refugiados e a laicidade

Há quem confunda o dever de socorrer refugiados com a obrigação de permitir práticas criminosas ou o proselitismo que apele à violência, ao racismo e à xenofobia.

É mais difícil para o Papa aceitar a demência racista do crente húngaro Viktor Orbán do que para um ateu humanista aliar-se a Francisco na luta contra a pobreza e as alterações climáticas. Quem não sente asco por quem manda a polícia e o exército disparar contra refugiados, a lembrar a Hungria que, em 1944, já com a derrota nazi no horizonte, ainda deportou 800 mil judeus para as câmaras de gás?

Uma coisa é o respeito pelos direitos humanos e as convenções internacionais e outra, bem diferente, é o regime de favor de que as religiões gozam em relação aos partidos políticos e outras associações. Só a subserviência de políticos sem dignidade e estatura pôde consentir às religiões privilégios abusivos e que, em nome da sua crença, possam defender a morte aos infiéis [crentes da concorrência], a pedofilia [casamentos aos nove anos] ou a poligamia?

Quando há pouco o Tribunal Constitucional, ao arrepio da jurisprudência anterior e em atropelo ao espírito da Constituição [CRP], deferiu à associação marginal da D. Isilda Pegado “a anotação das alterações referentes à denominação e sigla do Partido Portugal Pró Vida (PPV) para Partido Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC), abriu a porta ao futuro Partido Cidadania e Democracia Islâmica (PCDI), por exemplo.

É na displicência com que se isentam confissões religiosas, pouco entusiastas das regras democráticas, da submissão às leis do Estado que o proselitismo beato medra e definha a cidadania. O laicismo é a arma que defende a democracia.

Em resumo, acolher os refugiados é uma exigência legal e ética, obrigá-los a respeitar as regras democráticas é uma questão de sobrevivência civilizacional.

5 thoughts on “Os refugiados e a laicidade”
  • Oscar

    Nada a opor. Concordo.

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    1- “a demência racista do crente húngaro Viktor Orbán”

    Viktor Orban não é racista! É patriota e põe a defesa do bem-estar dos húngaros à frente do bem-estar das hordas invasoras…
    …A não ser que tu aches que ele devesse fazer o contrário…

    2- “ Quem não sente asco por quem manda a polícia e o exército disparar contra refugiados, a lembrar a Hungria que, em 1944, já com a derrota nazi no horizonte, ainda deportou 800 mil judeus para as câmaras de gás?”

    No teu desaustinado toledo de identificar patriotismo e nacionalismo com racismo e nazismo e na tua maníaca obsessão de dividir as políticas e os políticos entre “democratas” e “fascistas”, quando não te agrada as ações de democratas, logo as rotulas de ”fascistas”…

    Pior: comparas estupida, tendenciosa e provocatoriamente os impedimentos húngaros contra as invasões dos novos bárbaros com as deportações racistas de judeus, pelos nazis.

    Na atual Hungria, procura-se evitar invasões; na Hungria nazi procurava-se, ativamente, aprisionar judeus para os deportar para campos de concentração.

    E tu achas que os impedimentos húngaros atuais são parecidos com as perseguições mortais de antanho…

    És tendencioso, mentiroso, um provocador criptocomunista reles que transformou o Diário de Uns Ateus numa caixa de ressonância esquerdista e politiqueira…

    3- “Uma coisa é o respeito pelos direitos humanos e as convenções internacionais e outra, bem diferente, é o regime de favor de que as religiões gozam em relação aos partidos políticos e outras associações”

    E o que é que isso tem a ver com “os refugiados e a laicidade” que titula o teu artigo?!

    4- “Quando há pouco o Tribunal Constitucional, ao arrepio da jurisprudência anterior e em atropelo ao espírito da Constituição [CRP], deferiu à associação marginal da D. Isilda Pegado “a anotação das alterações referentes à denominação e sigla do Partido Portugal Pró Vida (PPV) para Partido Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC), abriu a porta ao futuro Partido Cidadania e Democracia Islâmica (PCDI), por exemplo.”

    E qual é o problema em se formar um partido “democrata cristão” ou “islâmico”?!

    Em que é que viola a laicidade?!

    Não andas tu há anos a proclamar (pelos vistos, hipocritamente…) a liberdade, a democracia, a livre expressão, portanto, a liberdade de formação de partidos?!

    • Citadino

      “hordas invasoras…” Hein? Passaram de fugitivos a invasores? Não fogem da guerra no seu país? Além disso nem sequer querem permanecer na Hungria, apenas atravessá-la rumo à Alemanha.

      “És tendencioso, mentiroso, um provocador criptocomunista reles” Parece uma linguagem de quem não aceita pontos de vista contrários…

      “E qual é o problema em se formar um partido “democrata cristão” ou “islâmico”?!” O problema, no segundo caso, tem sido o de que quando chegam ao poder tendem a acabar com a democracia e confundem preceitos corânicos com regras jurídicas…

      • João Pedro Moura

        CITADINO perguntou:

        1- “Passaram de fugitivos a invasores? Não fogem da guerra no seu país? Além disso nem sequer querem permanecer na Hungria, apenas atravessá-la rumo à Alemanha.”

        a) São fugitivos dos seus países e… invasores doutros…

        b) O que é isso de “fugir da guerra no seu país”?

        Mal vai um país e o seu povo, se parte deste foge duma guerra civil, não contribuindo, assim, para a resolução do problema, que é seu, que é do seu país. A guerra civil é um problema interno, dum povo, dum país.

        A fugirem assim, entregam o seu país, mais facilmente, aos extremistas e às facções combatentes.

        A fugirem assim, quase numa só direção e com um único destino, vão criar graves problemas aos países por onde forçam a passagem e onde se acolhem, mais os problemas de acolhimento no país destinatário, que não tem que ter estruturas para acolher tamanha força invasora.

        De caminho, passa-se a mensagem de que a Europa acolhe toda a gente, que é o que está a acontecer, levando a que os hesitantes da guerra e os oportunistas da emigração económica avancem, numa torrente contínua e imparável. Será o caos nos países de passagem e acolhimento e, portanto, a decadência da Europa, tal como a conhecemos, isto é, o fim da nossa qualidade de vida, que tanto nos custou a alcançar.

        c) E atravessar a Hungria implica o quê?! É só passar? Não vão receber alimentos e outros mantimentos? E nos outros países de passagem? E se a Alemanha decidir não receber? Regressam todos à origem?

        2- “O problema, no segundo caso, tem sido o de que quando chegam ao poder tendem a acabar com a democracia e confundem preceitos corânicos com regras jurídicas…”

        Mas para isso, nem precisam de se denominarem de “islâmicos”, Aliás, até usam outros nomes nas designações partidárias, que não a islâmica…

        Está aqui em causa a liberdade partidária e de cada partido usar os nomes que quiser na denominação do partido.

  • Ateu Direito

    “…acolher os refugiados é uma exigência legal e ética, obrigá-los a respeitar as regras democráticas é uma questão de sobrevivência civilizacional.”
    E és tu que vai resolver esse problema sem solução? É que os maomés que já cá estão nunca se adaptaram à democracia e às nossa regras!!!!……….
    Comunistas, socialistas, esquerdistas, utópicos, sonhadores, lunáticos que rejeitam a realidade, ignorantes que escolhem ignorar os factos, crentes. Sim, crentes. Crentalhões como os idiotas dos papas.
    Um Papa comunista é mais do gosto dos ateus. Mais um imbecil que vvive a atacar o capitalismo mas se esquece de chamar a atenção para os cristãos que estão a ser dizimados por esta absoluta escória humana de muçulmanos do médio oriente.
    Este página leninista juntou-se aos papa hóstias que tanto critica a congeminar a destruição da Europa. A maçonaria tem mão nisto. É demasiado óbvio.
    Tinhas que vir com o racismo e a xenofobia, claro. Isso faz-te parecer bem entre os teus amigalhaços do peito.

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