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  • 17 de Setembro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Catolicismo

Momento zen de quarta_16_09_2015

Julgava-se que o Papa Francisco tinha feito o milagre de afastar o beato João César das Neves (JCN) da exegese bíblica e das homilias contra o divórcio, a IVG e a sexualidade alheia à prossecução da espécie. No púlpito do DN passou a perorar sobre economia, disciplina que rege na madraça romana de Palma de Cima, defendendo aí este Governo com a mesma fé com que acredita em Fátima e nos dogmas da Igreja romana.

A acidez do silêncio pio doía-lhe mais do que o cilício e a abstinência do proselitismo já o consumia. É de crer errasse os mistérios do terço e tropeçasse nas orações para sentir mais necessidade de falar da sua Igreja do que de defender Passos Coelho.

Na homilia de ontem ‘O sínodo e a balbúrdia’, JCN fala do Sínodo dos Bispos de Roma e do seu pavor pela influência do mundo profano nessa assembleia porque “muita gente de fora tenta influenciar uma doutrina que não segue, aceita ou sequer respeita, mas que não se coíbe de tentar mudar”. JCN pergunta “Como deve um católico lidar com tal balbúrdia?”, e logo responde com a fé de um devoto e a doutrina do Concílio de Trento:

“Primeiro é importante [um católico] não se perturbar ou escandalizar”. “Depois é importante acompanhar o que vai acontecendo, mas de forma sólida e adequada”, prevenindo que “Muitas das posições, bem ou mal-intencionadas, pretendem mudar a Igreja para a adaptar ao mundo. Ora isso é precisamente o inverso do que deviam, pois o propósito fundamental da Igreja é mudar o mundo”. Entra em esquizofrenia mística com o temor de que “Até se podem conseguir discípulos, mas não para o Evangelho do crucificado. Quando ouvimos defender que a Igreja deve alterar aquilo que recebeu do Senhor, sabemos que não vem por bem.”

JCN, que, sem hóstias, entraria em delírio, sabe que “num dos dramas mais debatidos, o acesso à comunhão sacramental por parte dos divorciados recasados, estão em causa, por um lado a suprema dignidade da eucaristia e a indissolubilidade do matrimónio, elementos incontornáveis da doutrina …”. Noutro tema recorrente das suas pretéritas homilias diz que “o tratamento eclesial da homossexualidade exige combinar o repúdio de «depravações graves…, actos… intrinsecamente desordenados… contrários à lei natural» (catecismo da Igreja Católica 2357) …”, sem “sinal de discriminação injusta… pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental” (idem 2358-2359).”, queixando-se de que “O mundo não o entende. Como considera o casamento perfeitamente solúvel e a homossexualidade uma prática recomendável, a dificuldade nem se lhe coloca.”

O beato JCN diz o que devem fazer os seus correligionários na fé: “agora devemos rezar com fervor pelos trabalhos e esperar, na paz do Senhor, as determinações do encontro.”, antes de, no fim, fazer “o que nos toca: seguir o Pastor”.

Amém.

5 thoughts on “Momento zen de quarta_16_09_2015”
  • Oscar

    O sr. João das Neves tem o especial condão de irritar pela bem discutível firmeza das suas posições, mas, pelo menos, não defende, como vossemecê, o abate indiscriminado dos seres vivos em gestação.

  • João Pedro Moura

    O abominável César das Neves pressente a mudança… uma mudança qualquer, tímida, da sua igreja…
    Daí a inquietação que emerge do seu artigo e pensamento…
    Calma, C. das N., não há de ser nada…
    …De especial…

    • GriloFalante

      Não me paree haver inquietação, mas sim “ovelhação”. “Seguir o Pastor”, viste?

      • João Pedro Moura

        GRILOFALANTE perguntou:

        “…viste?”

        Vi. É normal, dentro da mansuetude ovelhum do catolicismo, as “ovelhas” (designação típica com que eles se referem à massa de néscios e crédulos, mais os teólogos leigos, tipo JCN…) seguirem o seu pastor…

        Este pastoreia as ovelhas. Estas seguem-no…

        Tudo normal. É o modo como esta chusma insipiente encara a conceção de comando ideológico e teológico: uma massa acéfala, que, por o ser e por ser comparada ao gado ovino, precisa de quem os controle e os leve a bom pasto e bom aprisco…

        Um rebanho de sandeus, mas com deus, conduzido pela alta teologia sinodal, encimada pelo “pai”-mor, sínodo esse que se dedicará a assuntos intrincados, de excelsos raciocínios e grave seriedade, do género:

        – Poderão os divorciados civis recasarem-se, pela Igreja, tal como os divorciados… pela Igreja?

        – Poderão os homossexuais serem admitidos ao aprisco eclesiástico, apesar da grave “desordem moral e sexual” que os afeta?

        E mais uns temas interessantes…
        …Para gáudio dos ateus…

        Parece-me, porém, meu caro GriloFalante, que os da Igreja sinodal deverão falar, no seu próximo ajuntamento, para uma espécie de câmara de vácuo ideológico e redoma purpurada, com relicário pútrido, a que nenhum “católico”, mormente a maioria de “não-praticantes” dará importância.
        Só se importarão os 13 000 católicos portugueses e congéneres mundiais, que responderam ao inquérito, há meses, sobre a temática do sínodo de outubro…

        Logo que os dessa tal coisa do sínodo não ponham em causa a heteronimista metastática e suas festas populares de “come-e-bebe-e-sê-feliz”, mais os andores processionários e as respetivas figurinhas estatuais, amadeiradas ou porcelânicas do santoral, mais ou menos altos e floridos e coloridos e propelidos pelos liturgistas populares e oculares, a coisa católica prosseguirá incólume e as decisões sinodais passarão como um vento ténue…

  • GriloFalante

    .
    Esta frase é emblemática do pensamento religioso. Não nos preocupemos, não nos abespinhemos. Podemos não concordar, agora, com o que o Vaticano pretende fazer, mas não há problemas: depois, concordaremos. Sempre. Mesmo se, por hipótese absurda e meramente académica, o Vaticano decidir que Deus não existe, não há problemas: seguiremos o pastor.
    Como diria o alentejano, “cabecinha pensadora!”

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