Ateísmo, religiões e liberdade
O ateísmo, ao contrário das religiões, não cria pessoas boas ou más, enquanto as últimas moldam o seu carácter soas e as levam a praticar atos da mais sublime bondade ou da mais degradante abjeção.
O Estado Islâmico assassina e tortura segundo a vontade de um ser imaginário, tal como outrora o fez o cristianismo das Cruzadas, da Evangelização e da Inquisição e, ainda hoje, o faz o sionismo judaico.
Há crentes e ateus entre os maiores criminosos da História recente. Dos primeiros, sem necessidade de recorrer ao fascismo islâmico, destacam-se Mussolini, Franco, Pinochet, Videla, Somoza e o padre Tiso, sendo Hitler designado por crente ou ateu, conforme as conveniências. Nos ateus sobressaem Estaline, Enver Hoxha, Ceauşescu, Mao, Pol Pot e Kim Il-sung. Estão bem uns para os outros.
O meu ateísmo leva-me a utilizar a Declaração Universal dos Direitos Humanos como padrão para definir a bondade do ateísmo e da crença de cada um. São correligionários os que a respeitam e adversários os que a renegam ou não a subscrevem. O mundo não se divide entre crentes e ateus mas entre os que partilham os valores civilizacionais que são a herança do Iluminismo e da Revolução Francesa e os que se lhe opõem.
Há ateus nazis, xenófobos, racistas e misóginos à semelhança do pior que nos legaram os monoteísmos. Não deixa de ser ateia essa gente mesquinha e desumana tal como não deixaram de cristãos os que colaboraram no nazismo e no fascismo e os que se lhe opuseram na Resistência.
Há uma boa razão para se combaterem as religiões, sem as confundir com os crentes, a sua falsidade e nocividade. Usar nesse combate as mesmas armas dos mais celerados combatentes do Estado Islâmico, por exemplo, é colocarmo-nos ao seu nível.
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