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O pastor de peregrinos (crónica)

Por

[Pode dizer que é um texto da autoria dos Irmãos Cavaco da escrita criativa, texto esse que integrará um livro de contos variados a publicar em breve…

Sua benção,
a) ]

Embora haja muitos pastores peregrinos, raros são os pastores de peregrinos. Flávio Manso é um deles.

Um dia, levado por um súbito assomo de crença, decidiu passar a apascentar os caminhantes impelidos pelo poderoso motor da fé.

Como voluntário da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Viana do Castelo, conduz rebanhos de peregrinos ao longo das estradas nacionais e florestais, impedindo que se tresmalhem, que saiam do trilho, que sejam “aspirados” por pesados de mercadorias, que utilizem os SOS para “acicatarem” a líbido das amantes…

Condu-los com um cajado, reagrupa-os à “calhoada” quando se afastam do grupo e, sempre que atravessam cadeias montanhosas, coloca-lhes uma coleira de espinhos à volta do cachaço, para evitar que se tornem presas fáceis das famintas alcateias.. Os peregrinos “alzheimarados”, esses, são municiados com o respectivo chocalho.

Flávio não se poupa a esforços para que os seus rebanhos realizem, nas melhores condições possíveis e a médias assinaláveis, as longas e penosas transumâncias religiosas. Para tal, e depois de lhes ministrar workshops de marcha olímpica, organizou uma eficaz e cómoda rede de lameiros (devidamente mapeada), onde os caminhantes pastam num ambiente pousado e bucólico, hidratando-se nas bermas baixas.

Montou diversos pontos de tosquia ao longo da estrada, onde os peregrinos de pêlo mais comprido podem aliviar-se do excesso de carga capilar.

Transformou ainda uma série de casas de cantoneiro abandonadas em confortáveis currais. E que bem acantonados ali ficam os “papa-léguas”, vigiados por diligentes párocos que, atentos ao menor perigo ou movimento suspeito, cumprem na perfeição a exigente função de cães de guarda.

Mas tal como qualquer pastor, Flávio tem de fazer pela vida. Por isso ordenha as peregrinas mais carregadas de leite, fabricando com tão precioso líquido o saboroso queijo de leite de peregrina, pago a peso de ouro por retalhistas gourmet. E aproveitando o bigode dos peregrinos e o buço das peregrinas, que emprestam uma maleabilidade única à grossa lã caseira, confeciona resistentes peças de burel e de surrobeco.

Com a bênção e o apoio da Diocese de Leiria-Fátima, assim vai Flávio Manso cumprindo, como Bom Pastor da Igreja, a devota missão de guiar pelos caminhos da Fé os rebanhos de cristãos que Deus lhe confiou, recompensando os mais obedientes com periódicas visitas a lojas de turismo religioso, cuja perspectiva os deixa sedentos de consumir…

Enviado do púlpito do meu dispositivo Samsung

a) ………………….

4 thoughts on “O pastor de peregrinos (crónica)”
  • João Pedro Moura

    Mas que palhaçada vem a ser este artigo???!!!

    • Oscar

      O sr. João está a chamar palhaço ao sr. Carlos ?

      Olhe que os palhaços são artistas dignos e não merecem ser comparados ao sr. Carlos, quando ele usa a sua pena para insultar e amesquinhar os peregrinos de Fátima.

      O problema do sr. Carlos é exactamente o mesmo que faz este mundo estar repleto de crueldades: o ódio no coração a tudo aquilo que lhe seja ideologicamente diferente.

      Como aconteceu com o ovo de serpente do nazismo ou do ateísmo comunista, como hoje acontece com os fundamentalistas do estado islâmico, como já sucedeu com os cruzados e com a inquisição.

      São todos filhos do mesmo diabo.

      E quem escreve um artigo como este só pode querer abandalhar o ateísmo.

  • Ateu Direito

    Devo estar a ficar senil. Não percebo patavina.

    • Be Talhante Talhante

      Eu, aos peregrinos atropelados acusava-os de (tentativa de) suicidio por nigligência uma vez transformarem as movimentadíssimas estradas nacionais em pedovias da fé… Indecente… Imprudente! Vão passear-se para as planícies alentejanas (onde há muitas e boas pastagens – mas peçam, na casa de partida, à santinha, um par de estômagos extra para digerir a dita!) em vez de fazerem fila (forrada a coletes reflectores) para adorarem uma santa que vive num edifício de uma só assoalhada,é certo, mas que custou 60 MILHÕES DE EUROS!

      Despeço-me com uma saraivada de flatos bentos…

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