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  • 1 de Setembro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

Origens de mitos religiosos

Por

Paulo Franco

Há muito tempo que a civilização moderna repudia o acto do canibalismo.
Então onde foi buscar o cristianismo a ideia repugnante de, num ritual simbólico, comer a carne e beber o sangue de Jesus Cristo?

Qual a génese deste ritual? Qual a diferença entre este ritual e a prática de certas tribos primitivas que comiam o cérebro e o coração dos seus adversários mortos na guerra convencidos que assim absorviam o espírito, a coragem e a vitalidade que lhes admiravam?

Se existe algo em comum entre as religiões, as já extintas e as ainda existentes, é uma aparente compulsão irresistível para a prática de rituais de sacrifícios. Urge perguntar: O que terá acontecido para as religiões terem desenvolvido esta ideia tão excêntrica?

Será que os sacrifícios foram de facto exigências de um Deus de mente perturbada? Ou será que estes rituais foram herdados de povos ancestrais com crenças pagãs?
A resposta a esta última pergunta não é difícil de adivinhar.

As histórias bíblicas do Antigo Testamento têm indubitavelmente imensas parecenças com as lendas antigas das religiões pagãs muito anteriores ao cristianismo. É afirmado pelos historiadores bíblicos que os autores originais dos primeiros escritos que posteriormente foram escolhidos (e portanto canonizados) para serem parte integrante do Antigo Testamento, explanaram, integraram e/ou plagiaram nesses textos muitas das crenças e tradições pagãs que reinavam no imaginário colectivo nos séculos que precederam o aparecimento do Cristianismo.

Analisemos a seguinte hipótese: Durante dezenas de milhares de anos, os hominídeos tiveram de lidar com uma existência difícil: mortalidade infantil muito elevada; esperança média de vida a rondar os 25 anos; mais tribalismo sangrento na luta por
território e por fémeas; ansiedade e frustração face a um mundo de acontecimentos que não compreendiam e que os oprimia. A morte e o sofrimento era uma dura realidade enfrentada diariamente pelos primeiros Homens. Com o advento do pensamento religioso, desenvolveu-se a ideia de entidades sobrenaturais que estariam por detrás de todos os acontecimentos. Com o passar dos séculos, os primeiros resquícios de religião evoluíram para uma consciencialização colectiva de que a morte e o sofrimento ocorriam devido à vontade dos Deuses. Se o sofrimento e a morte era vontade dos Deuses, porque não oferecer a morte aos Deuses?
Poderia tal oferta favorecer os humanos e apaziguar a fúria divina?
Enevoada pelo pensamento supersticioso, a imaginação humana respondeu que sim. E assim nasceu um tipo de comportamento humano tão bizarro como cruel que fez (e ainda faz) correr rios de sangue animal e humano.

Nada disto é possível provar, claro está. São meras conjecturas especulativas impossíveis de comprovar pelos critérios científicos. Mas nada nos diz tanto sobre a nossa antiquíssima ancestralidade como a religião e nenhuma outra particularidade da cultura actual nos faz mergulhar tão fundo na nossa história como a sua origem.

A ideia de que um sacrifício humano ou animal pode agradar a uma entidade divina (ideia muito presente em muitas religiões, particularmente no cristianismo) pode bem ter ocorrido de forma idêntica à hipótese aqui analisada.

O Animismo (visão do mundo em que as entidades não-humanas têm uma essência espiritual), ao contrário do que alguns antropólogos afirmam, desenvolveu-se ainda num período muito anterior ao Neolítico em tribos pré-religiosas.
Desde caçadores primitivos acreditarem que a ingestão da carne implicava a absorção do espírito e da vitalidade do animal, até à concepção de textos gravados na pedra ou em papiro onde deuses exigem serem ofertados com sacrifícios de animais, certamente passaram vários milénios, mas a correlação entre ambos os conceitos parece-me evidente.

Madre Teresa de Calcutá afirmou que “o sofrimento dos pobres é agradável ao Senhor”. Esta (horrível) crença religiosa, transversal a toda a Cristandade, a par dos hábitos de autoflagelação, dos percursos feitos de joelhos à volta do santuário de Fátima ou de Lurdes, e todas as outras práticas ligadas ao castigo corporal, está, a meu ver, ligado ao longínquo pensamento primitivo de que era necessário apaziguar a fúria dos Deuses ofertando-lhes morte e sangue em abundância.

8 thoughts on “Origens de mitos religiosos”
  • Oscar

    Também aqui neste diário, apareceu recentemente, a ideia muito bizarra, segundo a qual a vida humana só começa com o nascimento do bébé.

    Antes disso, segundo alguns, o feto não tem quaisquer sinais vitais.

    A questão que coloco ao sr. Paulo é esta:

    Qual a origem dessas teses tão bizarras ?

    Pode ser fruto da mera estupidez humana ?

    • Citadino

      Pode ser fruto da sua estupidez comparar um feto com 12 semanas com um recém-nascido…

      • Oscar

        E só pode ser fruto da sua cretinice imputar-me uma proposição que nunca defendi, nem vossemecê é capaz de citá-la.

        Porém, como o sr. Citadino tem tanto de cretino como de falseador, não me admira que não consiga elevar-se a um patamar mínimo de decência intelectual.

        Usando uma linguagem popular, vossemecê limita-se a mandar uma ” boquitas”, a esgrimir constantemente com a falácia do espantalho, mas não consegue ir mais além.

        Nem sequer consegue refutar que um feto, com 1, com 12 ou mais semanas, é uma vida humana merecedora de protecção legal.

        Isso é o que o sr. Citadino não é capaz de sustentar.

        Nem de assumir que um feto com 12 semanas pode ser morto, por não ser ainda um recém-nascido

        Fica-se pelas ” boquitas” e pela estratégia dos cobardes.

        Refugiando-se no acessório, para não entrar no debate do essencial.

        • Citadino

          Cobarde, aldrabão e mentiroso compulsivo é quem usa diferentes identidades e faz-se passar por quem não é.
          Quanto às 12 semanas, lamento mas você perdeu o referendo, o seu voto só vale 1 voto…

          • Oscar

            Vossemecê anda perdidinho de todo.

            Como o sr. Citadino não tem capacidade de argumentar de forma educada, aparece aqui a escarrar de forma reles os seus habituais vómitos.

            Nada mais do que a simbologia da impotência.

            Não passa disso.

          • Citadino

            Fingiu que não percebeu que usei o seu argumento de que “1 voto vale 1 voto” quando lhe dá jeito…nada de admirar na sua habitual desonestidade.

      • Ateu Direito

        Também pode ser uma enorme estupidez achar que um feto não é um ser vivo em formação. Como também pode ser fruto de uma enorme estupidez que os obcecados compulsivos com os direitos de todos os seres vivos se coloquem precisamente do lado oposto quando toca a reconhecer que um feto não passa de um ser vivo, humano por mero acaso, a quem lhe está a ser negado o direito à vida. Contradições de quem defende uma causa cega só para parecer bem diante do grupo.

        • Citadino

          “ser vivo em formação” já é um progresso em relação à tese do Oscar, que fala em “vida humana” desde o primeiro momento da fecundação…

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