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  • 26 de Agosto, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Opus Dei

JosnaL I online – 01/04/2015 00:00:00
A organização da Igreja Católica tem uma listagem de 33 573 livros proibidos, com diferentes níveis de gravidade, sendo que nos três níveis mais elevados encontram-se 79 obras de escritores portugueses, revela o Diário de Notícias. José Saramago e Eça de Queirós são os mais castigados pela “lista negra”.Além de livros, também há uma lista de filmes. A censura da Opus Dei já tem várias críticas, colocando-se mesmo em causa a legalidade desta proibição.Só José Saramago tem 12 livros censurados. “Caim”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “O Manual de Pintura e Caligrafia” e “O Memorial do Convento” são considerados os mais perigosos.

Em declarações ao mesmo jornal, a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, considera “grosseiro e repugnante” este índice, deixando várias críticas: “ É uma organização a que chamamos seita porque somos educados. Por acaso, eles não são”, considera a viúva do escritor.

Pilar reforça ainda que José Saramago nunca escreveu sobre a Opus Dei porque considerava a organização “uma formiga”. Também a escritora Lídia Jorge, que tem dois livros censurados, revelou-se chocada com a existência da lista, afirmando que “a Opus Dei devia ter vergonha”.

Outro autor censurado e mais estudado na cultura portuguesa é Eça de Queirós. Carlos Reis, antigo director da Biblioteca Nacional e especialista na obra queirosiana, defende que “este tipo de procedimento é contrário a princípios fundamentais”, considerando que “qualquer lista de livros ou similar, que contribua para limitar o acesso das pessoas à informação e cultura é, por princípio, inaceitável”. Carlos reis lembra ainda que Eça de Queirós é um escritor lido e estudado.

Legal ou crime. Vários especialistas defendem que, do ponto de vista legal, não há restrições sobre a criação desta lista. No entanto, questiona-se até que ponto é legal um professor, que seja membro da Opus Dei, recusar leccionar determinado autor apenas porque consta na “lista negra” da organização.

O constitucionalista Jorge Bacelar Vasconcelos afirma que “o Estado não pode aplicar sanções nesta situação porque é do domínio canónico. A liberdade religiosa permite às pessoas entrarem e saírem quando quiserem e de cumprirem ou não as regras”.

Sobre o mesmo assunto, Diogo Gonçalves, supranumerário e professor na faculdade de direito de Lisboa, garante que “se as profissões o exigirem, os membros podem ler o que quiserem. Somos libérrimos nesse aspecto”, afirmou ao DN.

5 thoughts on “Opus Dei”
  • João Pedro Moura

    Livros “proibidos”?!
    “Proibidos” a quem?!

    A Opus Dei não tem poderes para proibir, obviamente.
    Trata-se de livros considerados “errados” ou ideologicamente “incorretos” e baníveis da leitura, pelos seus membros, pela direção desse insignificante organismo da ICAR.
    A Opus Dei é uma organização de fanáticos, mas tranquilos, eivada de brios pela perfeição da “santidade”. Tal “perfecionismo”, maníaco e obtuso, leva-os à elaboração de listas de livros e filmes “impuros”, num processo semelhante ao da hedionda escumalha islâmica ou ao de quaisquer censores estatais, briosos de totalitarismo…
    Acontece que os tempos atuais não estão para fanáticos religosos, dentro do decadente cristianismo, em geral, e do catolicismo, em particular.
    Pelo que, as elaborações da Opus Dei não valem nada…
    …Tal como ela…

  • João Pedro Moura

    O que é que está a fazer a alusão à chanceler alemã, no final do artigo?!
    Mais uma referência a assuntos alheios ao ateísmo/religião, no Diário Ateísta, pelas piedosas mão e cérebro dum criptocomunista, que costuma fazer deste diário uma tribuna do seu criptocomunismo passadista e fantasmático…

  • GriloFalante

    Não posso deixar de concordar com o JPM, permite que te trate assim. Na verdade, as proibições só atingem quem por elas quer ser atingido – exceptuando-se, naturalmente, as proibições que digam respeito à ética social intrínseca de determinada cultura. Por exemplo, aqui ao lado, em Marrocos, o álcool é proibido. Mas a verdade é que eu estive lá há pouco mais de um mês, e ninguém me proibiu de beber vinho. Se os islâmicos não o beberam… bom proveito.
    Eu li “O Evangelho”, Caim”, e outros. A única proibição que senti, foi quando minha mulher disse que eram horas de dormir.
    Mas eu compreendo o sentido da mensagem do Carlos Esperança: as religiões vão-se mantendo graças ao obscurantismo que elas próprias impõem; e o O.D. não é mais do que a guarda avançada dessa doutrina obscurantista.

  • Citadino

    Para qualquer escritor é uma honra ter um livro proibido pela Opus Dei, atualmente isso só faz aumentar as vendas…

    • GriloFalante

      Yeap. Já era assim quando os livros eram proibidos pela PIDE. Era um ver-se-te-avias, em tudo quanto fosse quiosque ou livraria.
      questão de inteligência – ou falta dela.

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