Loading
  • 15 de Agosto, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

A interrupção voluntária da gravidez (IVG) e a taxa moderadora

‘O ministério da Saúde aceitou o parecer da Direção-Geral da Saúde (DGS). Só o ato da interrupção é pago (7,75 €). Todo o acompanhamento antes e depois da IVG é gratuito.’

O último relatório da DGS refere que, no ano passado, se realizaram 16.589 IVGs, 97% a pedido da mulher, opção prevista na lei até às dez semanas de gestação. E acrescenta ainda: «Este foi o número mais baixo desde 2007, ‘ano que’ [sic] a opção foi legalizada. Desde 2011 que o número está a descer».

Com indicadores tão favoráveis, com o número de abortos em crescente declínio, após a despenalização, o que levou esta maioria a alterar a legislação pacífica e que renderá ao Estado menos de 130 mil €€ anuais, sem isenções, quando muitos abortos são devidos a graves carências económicas que isentam as pacientes de taxa moderadora!?

Foi uma concessão ao movimento jurássico de ativistas católicos, saídos do concílio de Trento, que levou os mesmos partidos a imitar a decisão da primeira tentativa tímida de legalização da IVG quando estava em causa apenas o risco de vida da mãe, a violação e a malformação do feto, cedendo à pressão do episcopado. Só 4 deputados do PSD, cito de memória, votaram a favor. Há três de quem ainda recordo os nomes: Natália Correia, Helena Roseta e o médico Jaime Ramos.

A vassalagem a um grupo de talibãs romanos originou a cedência a posições misóginas, num desejo irreprimível de humilhação das mulheres, e no incontido horror à mudança de mentalidades que se operou na sociedade portuguesa. A humilhação da mulher é uma tara abraâmica que permanece desde a Idade do Bronze.

D. Isilda Pegado, amiga do peito e da hóstia de uns deputados a cujo grupo parlamentar se quer juntar, logrou ampliar a crispação social, a troco da suposta salvação da alma, ao levar a AR a uma decisão infeliz, gratuita e anacrónica.

9 thoughts on “A interrupção voluntária da gravidez (IVG) e a taxa moderadora”
  • Oscar

    A IVG é um eufemismo envergonhado, normalmente usado pelo sr. Carlos para dizer: tirar a vida a um feto.

    E novamente coloco a vossemecê a seguinte questão:

    O ateu Christopher Hitchens, e todos os ateus que são contra o aborto, também fazem parte do “movimento jurássico de ativistas católicos, saídos do concílio de Trento” ?

    http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/uma-poderosa-argumentacao-laica-e-ateia-contra-o-aborto-5821217999159296

  • Ateu Direito

    Uma causa fanática de esquerdistas dogmáticos que não faz sentido nenhum. Só se for pelo facto de a igreja se opor à prática. O que também não faz sentido nenhum.

  • Ateu Direito

    Já agora, as únicas mulheres que encaram o aborto como uma normalidade anti natural não são mulheres. São uma minoria de cabras badalhocas que envergonham a grande maioria das mulheres normais e decentes. Por isso é triste que se fale aqui em misoginia e em nome das mulheres, quando esta gentalha não representa ninguém. Aborto e humilhação das mulheres é um paradoxo que só a aberração de gente atrasada pode querer enfiar pela goela dos outros com uma naturalidade inconsciente e doentia.

  • João Pedro Moura

    “movimento jurássico de ativistas católicos, saídos do concílio de Trento”…

    …“A vassalagem a um grupo de talibãs romanos originou a cedência a posições misóginas, num desejo irreprimível de humilhação das mulheres, e no incontido horror à mudança de mentalidades que se operou na sociedade portuguesa.”

    Esta linguagem do Carlos Esperança, é típica de caluniador e deturpador, essencialmente emocional e, concomitantemente, nada racionalista, para caracterizar um movimento de tendência católica, antiaborto, que já pouco reivindica, em matéria contra o aborto.

    Esta alteração legislativa visou apenas equiparar os custos do aborto às taxas moderadoras, aplicáveis a outros atos médicos e levar as mulheres que pretendem abortar a refletirem melhor sobre a sua pretensão e consequências, fazendo acompanhar essas mulheres dum plano de educação contracetiva, de modo a evitar mais abortos.

    Mas o criptocomunista Carlos Esperança, em mais um fulgor nostálgico de reivindicação de subsidiação total do Estado e total irresponsabilização das utentes, à boa maneira comunista de antanho, entende que o governo não deve implementar um plano de maior responsabilização das utentes abortistas…

    …E chama nomes feios aos proponentes da Federação Portuguesa Pró-Vida, que estão e foram tão mansinhos, que até só propuseram uns pequenos empecilhos à prática do aborto…

    …De que o governo só aproveitou ou converteu numas coisas mais moderadas, sem consequências na questão do direito ao aborto…

    “Jurássicos… saídos do concílio de Trento”… “misóginos”… “talibãs romanos” (!!!…)…”desejo irreprimível de humilhação das mulheres”…”incontido horror à mudança de mentalidades”… foram os mimos emocionais, de irreprimível fúria deturpadora e caluniadora, deste Carlos Esperança, que faz do Diário de Uns Ateus uma extensão do seu blogue Ponte Europa, publicando artigos que nada têm a ver com o tema, ateísmo/religião, antes enveredando pela propaganda insidiosa de criptocomunista, ressabiado e passadista…

  • Citadino

    Estou de acordo com o artigo de Carlos Esperança, apenas acrescentaria que só o nome “D. Isilda Pegado” dá vómitos.

    • Oscar

      E o do sr. Christopher Hitchens também lhe dá vómitos, sr. Citadino, dada a posição pública do sr. Chistopher contra o aborto ?

      • Citadino

        Não tenho de concordar com Hitchens, não é o meu “Deus”, e a posição dele não é tomada em obediência a nenhum “Deus” mas apenas baseada em razões dele, Hitchens. Já os religiosos, como se abstêm de raciocinar, limitam-se a cumprir mandamentos divinos.

        • Oscar

          Muito curioso…

          O nome da Srª Isilda dá-lhe vómitos por ela ser contra o aborto.

          O nome do sr. Christopher, pelos vistos, já não lhe dá vómitos, apesar de ele também ser contra o aborto.

          Portanto, para o sr. Citadino, os seus vómitos contra os oposicionistas do aborto dependem de os seus militantes serem ou não ateus…

          Deve ser isso a que alguns qualificam de ” lógica ateísta”…

          • Citadino

            Como percebeu mas fingiu que não percebeu, como de costume, a “Dona Isilda” dá-me vómitos por ser uma rata de sacristia, ou seja, por tomar posição em nome de uma fantasia que lhe impingiram desde criança. Quanto aos cientistas que acreditam em Deus, tenho a explicação racional de que lhes lavaram o cérebro quando crianças, tal como à dita rata, e não se conseguiram libertar disso. Como deverá saber por experiência própria, as crenças inculcadas pelos adultos na infância não são fáceis de remover…eu tive sorte! Mas acreditem ou não em Deus, ele não passa a existir por causa disso, e não há nenhum cientista que consiga provar a existência de qualquer Deus (não venha com a costumeira inversão do ónus da prova porque este compete a quem afirma que existe, como é óbvio, já que tal entidade viola as leis da ciência).

You must be logged in to post a comment.