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  • 16 de Junho, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Há dez anos

Sr. Ministro de Estado e da Administração Interna

Dr. António Costa – Lisboa

Excelência:

Carlos Esperança, residente em Coimbra, eleitor n.º 1675, vem expor e solicitar o seguinte:

1 – Grassa na cidade de Coimbra uma onda de tal santidade que levou o presidente da Câmara, Carlos Encarnação, a baptizar a Ponte Europa com o nome de Rainha Santa Isabel;

2 – Uma procissão católica recente (creio que do Corpo de Deus) contou com a presença e terminou com uma homilia do dito autarca, temendo eu que, de futuro, em vez da gestão do Concelho, que lhe cabe, passe o pio edil a dedicar-se a tarefas religiosas e à salvação da alma;

3 – Nada tenho contra a presença particular nos actos litúrgicos mas vejo a laicidade do Estado ameaçada quando o autarca participa na qualidade das funções que exerce;

4 – Agora, a Junta de Freguesia passou a exibir um imenso painel na ampla parede que dá para a via pública com uma enorme imagem de Santo António e encimada com os seguintes dizeres:  «António, cidadão de Coimbra». Ao fundo destacam-se as letras garrafais de «Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais».

Em face do exposto, venho solicitar a V. Excelência, senhor ministro, o seguinte:

1 – Que peça à diocese de Coimbra para colocar numa das paredes da Igreja de Santo António, sita no lado oposto do largo que a separa da Junta de Freguesia, um painel de dimensões equivalentes onde se leia: «Afonso Costa, Lente da Universidade de Coimbra», com a foto de igual tamanho à do santo.

2 – Na impossibilidade de se prestar homenagem ao antigo primeiro-ministro nas paredes da Igreja, que seja mandado retirar o painel do Santo, da Junta de Freguesia, para evitar a promiscuidade entre a autarquia e a sacristia.

Certo de que o País não deve menos ao estadista do que ao Santo, confio no ministério  da Administração Interna para exigir o respeito pela laicidade do Estado e preservar o pudor republicano.

Apresento-lhe respeitosos cumprimentos e saudações laicas e republicanas.

a) F…, 16_06_2005

4 thoughts on “Há dez anos”
  • Oscar

    Afonso Costa ? Quem ? Aquele caceteiro e arruaceiro que desafiava tudo e todos para a pancada ?

    É esse modelo de comportamento que o sr. Carlos gostaria de ver evocado nas ruas de Coimbra ?

    Mas vossemecê não tem ao menos sentido da mais elementar razoabilidade ética ?

  • GriloFalante

    Passaram-se dez anos, e o que é que se verifica? Que o Estado português continua ajoelhado.
    Note-se que eu estou perfeitamente de acordo em que qualquer cidadão, enquanto tal, vá à missa, devore hóstias, se embebede com o sangue de Cristo, e rompa os joelhos em Fátima; É um direito que assiste a qualquer cidadão. Só não concebo é que um membro da administração pública, enquanto tal, tenha esse ou similar, tipo de comportamento.
    Ainda admito que os hospitais “santificados” mantenham os nomes de origem; enfim, não sou fundamentalista. Mas já não concebo que um hospital inaugurado já depois de a Constituição decretar o Estado como laico, seja baptizado com um nome a tresandar e religião.

    • Oscar

      O estado português continua ajoelhado ?

      Vosssemecê importa-se de fundamentar a sua afirmação ?

  • Ateu Direito

    Isto é assim um bocachinho para o ridículo, não?

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