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A cerimónia da bênção das pastas

Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas beneficie os benditos ou seja uma carta de recomendação para o primeiro emprego.

Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a hóstia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.

Tirando o colorido fotográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes vestidos a imitar padres, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade conserve o coiro da pasta ou do próprio.

Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa do «porque sim», que impele os estudantes para a missa a pedir a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.

Vão ao confessionário falar dos «pecados» em que reincidirão, começam na eucaristia e continuam na cerveja, despacham umas ave-marias e mergulham na estúrdia de oito dias de todos os excessos.

Deus é um aperitivo amargo que a tradição manda, a festa é o ritual que o corpo e os sentidos exigem. O bispo leva Deus para o Paço episcopal enquanto os estudantes vão fazer a digestão da hóstia em hectolitros de cerveja ou acabar no banco do Hospital em coma – uma espécie de êxtase místico induzido por excesso alcoólico.

Até à data não há registo de qualquer lavagem gástrica por excesso de hóstias. Talvez a eucaristia tenha lugar no início dos festejos porque, no fim, não há estômago que ainda aguente.

No fim do curso, os alunos começam a festeja-lo, de joelhos e, com a falta de emprego, acabam de rastos.

6 thoughts on “A cerimónia da bênção das pastas”
  • Oscar

    O sr. Carlos Esperança ainda tem muito para aprender:

    ” Our research provides the link between religion and health. By
    understanding how the brain works during certain religious experiences
    and practices (e.g., meditation and prayer), we can begin to understand
    how religion affects psychological and physical health. For example, our
    model of brain activity during meditation indicates that there may be
    very demonstrable reasons why people who frequently practice meditation
    experience lower blood pressure, lower heart rates, decreased anxiety,
    and decreased depression”

    http://www.andrewnewberg.com/research

  • Oscar

    Por acaso, mas só por acaso, já testaram as vossas descrenças, hoje ?

    https://youtu.be/pDyyMkrJ6FU

  • João Pedro Moura

    Sobre a bênção das pastas, cerimónia completamente imbecil, está aqui o meu artigo definitivo sobre a matéria…

    http://www.diariodeunsateus.net/2013/05/04/a-bencao-das-pastas/

  • Carlos

    “Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas beneficie os benditos ou seja uma carta de recomendação para o primeiro emprego.”

    Não é bem assim. Conheço dois casos em que, ao contrário do que dizes, foram admitidos no primeiro emprego, onde um ainda permanece, precisamente porque participaram na bênção das pastas.

    Também conheço vários académicos que devem a sua formação cientifico-académica aos valores católicos. Não duvido em afirmar que os crentes têm maior propensão para o recato, o respeito por compromissos e a obediência a deveres e compromissos que os ateus não sabem o que é.

    • GriloFalante

      “…que os ateus não sabem o que é.”
      Tu, quando eras ateu, devias ser cá um sacana de primeiríssima água. Mas agora, que já tens medo de ir para o inferno, portas-te bem. A hipocrisia é assim mesmo.
      A propósito: já te confessaste dos pecados cometidos quando eras ateu? Ou tu foste ateu na época em que eu era papa?

  • carlos cardoso

    Acho que não perceberam nada desta cerimónia. Devo dizer que nunca assisti a ela mas, pela descrição, parece-me óbvio que os estudantes levantam as pastas para se protegerem da “água benta”, numa clara rejeição dessa manifestação de superstição, como seria de esperar de estudantes de ciências.

    E como o Carlos deixou escrito, essa atitude tende a favorecer os que assim
    rejeitam essas parvoíces pois ele até conhece dois que foram admitidos no
    primeiro emprego.

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