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  • 20 de Abril, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Os conventos e a liberdade

As religiões têm casas de reclusão, a pretexto da piedade e da oração, onde encarceram débeis de vontade, fanáticos do divino ou devotos depressivos. Às vezes são as vítimas de famílias que lhes querem confiscar a herança, de coação ou de chantagem. Têm, em regra, uma hierarquia rígida, uma disciplina despótica e um tratamento desumano. Bem sabemos que é para maior glória de Deus e para gozo da Santa Madre Igreja.

Os conventos estão atribuídos a Ordens, consoante as patologias. Uns dedicam-se à contemplação, outros ao silêncio, vários à autoflagelação, quase sempre em acumulação de diversas perversões que, no caso da ICAR, são autorizadas pelo Papa e conduzem  em regra o/a fundador/a à canonização.

Admitamos que as vítimas se encarceram de livre vontade, que o desejo do Paraíso as inclina para o masoquismo, que a ociosidade as anula, que a inteligência, a vontade e os sentimentos se consomem na estéril clausura e na violência dos votos. Aceitemos que há seres racionais a crerem que, algures, um deus aprecia a alienação, o sofrimento e a violência. Imaginemos um Deus que se baba de gozo com ambientes concentracionários despoticamente defendidos por madres ou frades ungidos do direito à tirania.

A título de exemplo lembro a Ordem das Carmelitas onde, só a título muito excecional, é permitido falar. E essa magnânima autorização tem fortes grades a proteger qualquer encontro. É nestes ambientes carcerários, privados de nome, de pertences e de memória, que exércitos de inúteis vestidos de forma bizarra se encontram ao serviço do Papa.

Na Irlanda, há anos, o Governo foi constrangido a averiguar o que se passava no campo de concentração «As irmãs de Maria Madalena», tendo fechado a espelunca e libertado as vítimas, condenadas a prisão perpétua pelas próprias famílias, por terem sido mães solteiras ou, apenas, demasiado bonitas, perigosas na sedução dos homens.

Será possível que os Governos democráticos, a quem cabe a defesa da Constituição, o dever de respeitar e fazer respeitar os direitos e liberdades dos cidadãos, se conformem com a renúncia à cidadania e não averiguem se é de livre vontade que bandos de frades e freiras façam de lúgubres conventos o mausoléu da vida?

7 thoughts on “Os conventos e a liberdade”
  • Oscar

    Pela lógica do Carlos Esperança, qualquer dia o governo português deveria transformar-se no Big Brother das consciências de todos os cidadãos.

    Se a moda pega…

  • Frei Bento

    Aqui a uns quilómetros do nosso convento, existe um mosteiro (para quem não saiba: mosteiro e convento são coisas diferentes) onde cada monge só pode dizer uma frase por ano. Um monge de cada vez, numa escala rotativa.
    Conta-se que naquele ano calhou a vez a Frei Bernardino que, na posse da palavra, disse “A sopa está salgada”. E por ali se ficou, que nada mais podia dizer. No ano seguinte, calhou a vez a Frei Policarpo, que sentenciou: “Não acho que a sopa estivesse salgada”. Passou-se mais um ano, e desta vez era o Abade que tinha a palavra. Com autoridade, advertiu: “Não admito discussões à mesa”.
    Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

  • Deusão

    A icar mantém os seus privilégios invocando a famosa “liberdade religiosa”, muito bem, quem garante a liberdade religiosa enquanto uma criança é doutrinada ? qual a liberdade de um jovem inocente levado ao fanatismo religioso pelos urubus carniceiros de xeçuis ?
    A icar não detém o monopólio da fé; detém o monopólio da ignorância.

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA perguntou:

    «Será possível que os Governos democráticos, (…) se conformem com a renúncia à cidadania e não averiguem se é de livre vontade que bandos de frades e freiras façam de lúgubres conventos o mausoléu da vida?»

    Era o que faltava, Carlos Esperança!…
    Os governos averiguarem se a fradalhada está de livre vontade ou se foi posta lá à força…

    Decerto que, tal como noutras profissões, haverá gente que gostaria de exercer outro múnus, desejando estar noutro sítio, mais arejado…
    Mas, se foram para o convento, fizeram-no de livre vontade…
    Aguentem!…

    • GriloFalante

      João Pedro Moura disse: “Mas, se foram para o convento, fizeram-no de livre vontade…”
      Não devemos generalizar. Haverá, certamente, muita gente (a maioria?) que entrou no mosteiro de livre vontade; mas muitos haverá que foram compelidos. Principalmente quando se trata de mulheres jovens e bonitas, cujo namoro era contrariado pela família. Ainda há mentes que se conservam em tempos de antanho. Não tens lido o DduA, recentemente? Olha que eles até nem andam escondidos, e fazem gala das respectivas mentes retrógradas.

      • João Pedro Moura

        GRILOFALANTE

        Não faço ideia se alguém foi compelido ao monaquismo.
        Mas ninguém pode ser compelido…
        Já não estamos nos tempos da repressão clericalista ou do clericalismo de antanho…

  • Carlos

    É difícil saber se o Carlos Esperança escreve estas burrices (e algumas são o cúmulo da burrice) por demência, ou então se é porque pensa que a imbecilidade é humor negro e, talvez, ache que alguém “topa piada” à sua forma acriançada e acanalhada de escrever.

    Como não sou católico e não conheço a fundo o que se passa nos mosteiros, abadias, seminários e conventos, questões sobre a vida interna destes lugares deixo para os ateus que, pelo que dizem, conhecem bem os cantos à casa. Ateus que vivem enfiados em casas de clérigos, em lugares de culto e coisas parecidas, ou são dementes ou charlatães. Em qualquer dos casos são, sempre, desonestos.

    No que respeita à existência e à frequência destes lugares pelo o clero, é uma liberdade que, num Estado livre e de Direito, ninguém lhes pode retirar. Os únicos imbecis que lhes têm retirado esse direito foram, precisamente, os ateus, roubando os seus bens, maltratando as pessoas, negando-lhe as mais elementares liberdades, violando os seus direitos (e também as pessoas, como largamente aconteceu em Espanha, no Leste…), agredindo e até matando. Nada que me espante, pois toda a gente sabe que o ateísmo defendido por estes dementes (a que também chamam neo-ateísmo) é incompatível com a liberdade, a democracia e os Direitos Humanos.

    Não há gente prisioneira nas “casas” do clero. Quem não está bem, se quiser sai.

    A comparação com o caso Irlandês é de uma imbecilidade extrema. A instituição em causa funcionava como uma casa de acolhimento, à semelhança da nossa Casa Pia, das “Misericórdias” actuais, etc. Ora, queixa-se agora a canalha que lá esteve que era obrigada a fazer a cama, a varrer, a cozinhar, a lavar roupa, etc. etc. Esses são os crimes imputados a esta instituição. Quem considera crime, além de ser um demente que nem sei classificar, merecia ser solto dentro duma jaula de leões, para lhes poder ensinar boas maneiras.

    É obrigação destas instituições educar as pessoas. Educar passa por incutir regras e dar tarefas. Nenhuma das tarefas era incompatível com a sua idade, ou coisa que prejudicasse física ou psicologicamente.

    A teoria do “internado” hóspede, do intocável “anjinho”, do não se pode castigar e coisas semelhantes, tem dado como resultado – hoje e agora, no nosso país – o aparecimento de uma legião de delinquentes desde muito tenra idade, capazes das maiores atrocidades, por exemplo, nas escolas publicas que frequentam, próximos das “santas casas da misericórdia” onde eles estão internados, um pouco por todo o país.

    Se lhes dessem educação, castigassem as suas atitudes e lhes dessem tarefas para fazer, não andava a assaltar carros, pessoas e casas, a agredir, roubar, insultar e até violar, de forma livre e impune. Eu sei que este tipo de comportamentos agrada ao Carlos Esperança e os restantes ateus do blogue, pois está de acordo com a sua filosofia de vida e a sua ideologia… É por isso que vos acho uns miseráveis… mortos de inveja da forma como funciona a Igreja e o clero.

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