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  • 17 de Abril, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Há mais de 10 anos e a realidade continua hoje

A América que não muda

Sob o título «A América que não muda» (Público, 10/11/2004), José Pedro Zúquete (JPZ) justifica com comovente ternura a vitória de Bush com argumentos certamente procedentes e, outros, de beata motivação e manifesta debilidade.

Entre estes últimos encontram-se os que atribuem aos EUA uma religiosidade que lhe terá sido legada pelos fundadores, na sua grande maioria ligados à maçonaria, livres-pensadores e defensores do laicismo, valores que impregnam a Constituição americana e constituem a marca genética dos princípios democráticos, liberais e tolerantes que a caracterizam.

Há, aliás, uma evidente contradição quando JPZ afirma que «desde o início houve a separação da Igreja e do Estado» imediatamente após ter afirmado que «desde o início da história americana que a política abraçou a religião», fazendo tábua rasa do carácter laico, historicamente pioneiro, da Constituição.

Muitos das «figuras sagradas» dos EUA a que alude foram agnósticas e, entre as maiores, houve quem considerasse o cristianismo como um conjunto de meras superstições. Mas, na ânsia de reescrever a história do grande país e justificar os desvios recentes, JPZ não hesita em apoiar-se nas referência religiosas que acompanham os símbolos da soberania como se essas referências fossem uma herança da fundação e não tivessem aparecido apenas no séc. XX sob influência de radicalismos religiosos.

Atribuir a um país com uma constituição profundamente laica o carácter não laico que a deriva metodista e outros fundamentalismos evangélicos se esforçam por desvirtuar, é uma mistificação que serve os desígnios de um proselitismo agressivo e trai a verdade histórica e os princípios de tolerância religiosa de que os EUA são herdeiros.
Quanto à ligação que JPZ estabelece entre Deus e liberdade e entre democracia e religião, deve esquecer-se que a Bertrand Russell foi negada a liberdade de ensinar nos EUA, por ser ateu, e que a religião que obriga ao estudo do criacionismo bíblico e, se possível, à proibição do estudo do evolucionismo não é certamente uma referência democrática nem um caminho recomendável.

«A América que não muda» é apenas a América que mudou. Para pior.

5 thoughts on “Há mais de 10 anos e a realidade continua hoje”
  • Oscar

    O que é que o Carlos Esperança entende por ensino do ” evolucionismo”?

    Aquela teoria pseudo-científica chamada abiogénese ?

    A teoria, igualmente pseudo-científica,da evolução, meramente aleatória, das espécies, mais vulgarmente conhecida por darwinismo ?

    Se essas teorias pseudo-científicas podem ser ensinadas, por que razão outras teorias pseudo-científicas não poderiam ser ensinadas?

    Ou, para o Carlos Esperança, em matéria de teorias pseudo-científicas, há umas melhores do que as outras ?

  • K.

    ..

  • Oscar

    O GRANDE CRIACIONISTA:

    “Certos autores eminentes parecem plenamente satisfeitos com a hipótese
    de cada espécie ter sido criada de uma maneira independente. A meu ver, parece – me que o que nós sabemos das leis impostas à matéria pelo CRIADOR concorda melhor com a hipótese de que a produção e a extinção dos habitantes passados e presentes do Globo são o resultado de causas secundárias, tais como as que determinam o nascimento e a morte do indivíduo.

    Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo CRIADOR a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? ”

    Charles Darwin, ” A Origem das Espécies”

    • K.

      Mas o que é que te ensinaram na escola? Não te ensinaram a interpretar um texto? Bom, pelos vistos não. Deixo-te aqui uma noticia, pede a alguém para ta traduzir, e principalmente pede a alguém, pode ser uma criança, que ta interprete.

      BERKELEY, CA—Challenging long-held views on the origins of divinity, biologists at the University of California, Berkeley, presented findings Thursday that confirm God, the Almighty Creator of the Universe, evolved from an ancient chimpanzee deity.
      The recently discovered sacred ancestor, a divine chimp species scientists have named Pan sanctorum, reportedly gave rise over millions of years to the Lord Our God, Maker of Heaven and Earth.
      “Although perhaps not obvious at first glance, there are actually overwhelming similarities between the Supreme Being of today and this early primate deity who preceded Him,” said Dr. Richard Kamen, a leading biologist who also heads Berkeley’s paleotheology department. “The holy chimp moved around on all fours, but its descendants eventually began walking upright to expend less energy while foraging across the infinite reaches of the universe. This of course led to the bipedalism of modern-day God.”
      “In fact, you can see a distinct likeness to God in the chimpanzee deity’s skeletal structures, not to mention its prototypical expressions of vengeance and wrath,” Kamen continued. “The great-ape god
      was, however, considerably smaller in stature, having not ye developed the capacity to occupy all space and time simultaneously.”
      According to experts, divine life began as a single-celled all-powerful organism roughly 3.6 billion years ago, eventually evolving into a multicelled, sponge-like deity that bobbed and floated across the chaos of the early universe. Kamen explained that over hundreds of millions of years, the godlike life form became more complex, with limbs that allowed for locomotion across the endless expanse of the heavens, and sophisticated photoreceptor cells capable of seeing all things.
      Based on newly obtained evidence, the Pan sanctorum is thought to have first experimented with creation ex nihilo around 7 million years ago. Kamen noted that the chimpanzee deity made several early attempts to produce rudimentary solar systems, but on each
      occasion was spooked upon inadvertently creating fire, which is said to have caused it to screech loudly, angrily swat away the newly formed sun, and then scamper across the universe to hide from the flaming sphere.
      “Natural selection played a huge role in the evolution of divinity, and in this regard, the adaptive value of Pan sanctorum’s immortality proved critical to its survival,” said Kamen, adding that with its opposable thumbs, the divine ancestor was eventually able to fashion primitive tools for creating crude oceans and basic mountain ranges. “Today’s Lord Almighty actually still has a small bony protuberance in the small of His back, the vestigial remains of a tail we believe was used by an even older, monkey-like god to facilitate climbing, allowing it to escape into the heavens when faced with danger.”
      “That potential for threats made it an evolutionary imperative for the primate god to develop omnipotence,” Kamen continued.
      “As well as sharp claws and pointed incisors.”
      Though its smaller brain limited its cognitive abilities, the chimpanzee deity is believed to have possessed not only self-awareness, but also spatial intelligence, object permanence, and a rudimentary capacity for knowing all that is, all that has been, and all that ever will be.
      However, it was only relatively recently that the heavenly species developed the intellectual capacity for higher reasoning, critical thinking, and infinite wisdom, according to Kamen. For Pan sanctorum, he noted, the passage of divine judgment was “purely a matter of primal instinct.”
      “While complex speech would not emerge until the evolution of the Cro-Magnon god from Pan Sanctorum, the chimpanzee deity was capable of using grunts and hand gestures to convey basic emotions such as happiness, anger, or the forgiveness of sin,” Kamen said. “However, it appears that the chimp deity often exhibited extremely aggressive behavior, in some cases unleashing its divine wrath with little if any provocation toward the mortal chimps it created in its own image.”
      He added, “It is our understanding that these creatures lived in a kind of jungle-like forerunner to the Garden of Eden, until a day came when their enraged creator cast them out, flinging feces at them as they fled.”

  • Ateu Direito

    O marxista leninista disfarçado amigo de muçulmanos Obama bem tem contribuído para arruinar o país.

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