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  • 26 de Março, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Secularização

Um texto* que, quase dez anos depois, voltaria a escrever.

*****

A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.

A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.

Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.

Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.

Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.

Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes da Europa e dos EUA.

Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores sionistas laicos.

O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contaminou o aparelho de Estado dos EUA.

O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2), que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.

JP2 transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI é herdeiro e protetor, se é que não esteve na sua génese.

A recente chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado, constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.

A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias – uma forma de despotismo que urge erradicar.

A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade.

A ameaça de Deus paira de novo sobre a Europa. Os saprófitas da Providência vestem as sotainas e ensaiam o regresso ao poder. Os pregadores do ódio voltaram aos púlpitos.

* Artigo de opinião publicado no Expresso em 27 de agosto de 2005

15 thoughts on “Secularização”
  • BAAL

    DESPEDIDA DO BLOG

    Caros ex-colegas de conversa. Voltei passados uns dias e verifico que o Troll não foi apagado.

    Antes pelo contrário.

    Pessoas que me tinham pedido para EU não responder mais ao gajo, agora falam animadamente com ele, como se ele fosse um frequentador normal e nada se tivesse passado nos ultimos dez anos. Nada de nada.

    Isto é incrível e verdadeiramente espantoso.

    Então pedem-me para EU não lhe responder e depois desata tudo a conversar amigavelmente com ele ?

    As sabotagens, as ameaças, as clonagens, o estar constantemente durante dez anos a gabar-se de que só cá vem para gozar com vocês e destruir o blog – tudo isto é como se nunca tivesse existido.

    Agora é só amor.

    A fraca memória do pessoal é que foi apagada, não o troll.

    O Daniel, que ainda há uma semana tinha sido efectivamente impedido de participar – na prática foi expulso do blog por clonagem do troll – agora conversa carinhosamente com ele, como se não tivesse acontecido nada.

    O Moura, que me tinha pedido, a mim, expressamente para NÃO RESPONDER ao troll, não só lhe está a responder, como ainda por cima dá-se ao luxo de responder ao nick Carlos. Logo o avatar com que o fifi nos ameaçou a todos de morte – muitas vezes.

    Toda a pose de atheistic warior do Moura era treta. O homem que quer matar mouros e que disse que os agnósticos são uns mariquinhas por não terem a agressividade guerreira dos ateus, afinal fala delicamente com o nick falso com que um fanático católico o ameaçou de morte.

    Recuperando a expressão inglglesa do talk to the hand, o troll não só o põe a falar com a mão.

    Põe-no a falar com a mão com que disse que o havia de estrangular !

    O fifi deve estar a rir a bandeiras despregadas.

    Se o isis invadir, o Moura não vai nada desatar aos tiros. Dez minutos depois da invasão o Moura vai mas é á pollux comprar um turbante e um tapetinho de oração para cumprir obedientemente as suas novas obrigações religiosas.

    Todas estas cenas idílicas levaram-me por momentos a pensar que tinha falecido e estava no paraíso, o tal sitío onde as feras se dão com as pessoas. Mas não, era mesmo o DDUA, só que muito mais amoroso.

    Parece mesmo que, afinal o troll é que é um gajo porreiro e eu é que estava a causar problemas.

    Saltei depressa de mais e com dureza de mais, em defesa de uma comunidade blogista que afinal ama mesmo o troll que a quer destruir.

    Evidentemente, eu contribui para a “porreirice” momentânea do troll, meti-lhe um susto do caraças, pondo pessoal a pressionar para que fosse apagado, que é a única coisa de que tem medo.

    Mas sabe dar-vos a volta, que é o que interessa. Claro, continua a gozar com vocês usando multilinks e, pelo que vi no post da gravidez da menina, já recomeça, a pouco e pouco a provocar grosseiramente e a insultar os ateus.

    Mas constato que gostam de ser seviciados por um católico, o gajo tinha razão e gostam mesmo de viver à “sombra dele”.

    A única alteração foi o admnistrador ter tornado as respostas mais difíceis para todos, não prejudicando o troll em especial e apenas contribuindo para pessoas menos assíduas deixarem de responder, porque não estão para isso. Exactamente o que o troll quer.

    Sendo assim, não quero incomodar, não tenho problema nenhum em entregar a taça ao troll, até porque constato que é de papelão.

    Vitória a ti troll, ganhaste em toda a linha. Parece que sou mesmo um loser, porque há campeonatos em está fora de questão eu concorrer.

    Há prémios que prefiro perder.

    Vou manter-me fiel à minha resolução e, visto que preferem o troll, não participo mais em discussões neste blog.

    De vez em quando venho cá só espreitar, apenas para me divertir a ver uma comunidade ateia a ser ovinamente apascentada á sombra de um troll católico.

    Tchau. Fui.

    • Nelson

      Ball,

      Pela minha parte acho que deverias ficar e enriquecer a discussão, mesmo que existam formas menos correctas de estar na discussão.
      Como neste momento a cópia de nicks não está a ser feita, foi continuar a dar a minha opinião.
      Existirem opiniões diferentes apenas torna a discussão mais interessante, desde que não desande em ameaças, insultos, falsificação de nicks, etc.
      Nesse caso eu próprio sigo o teu caminho e mais vale criar um forum de discussão fechado fora daqui.

      • BAAL

        Eu também sou a favor da troca de opiniões diferentes e até do uso de linguagem socialmente incorrecta.

        Nunca protestei por o fifi ser diferente ou até ocasionalmente mandar-me á merda, coisa que também faço.

        Aliás, muitas vezes defendi aqui a sua participação.

        Uma certa agressividade pode fazer parte da discussão entre adultos que não são necessariamente socialmente correctos.

        Simplesmente a falsificação de nicks em massa e o roubo de identidades é sabotagem técnica pura e simples.

        Quando alcança um determinado nível não permite a manutenção de uma discussão com os outros participantes e é o fim de uma caixa de comentários.

        A única resposta teria de ser a intervenção do admnistrador APAGANDO todos os comentários que fossem identificados como pertencendo ao troll.

        Como o admnistrador, durante anos, nunca fez nada, e totalmente impedido de usar o meu nick acabei mesmo por fazer como outros participantes já tinham feito e usei o dele, como resposta.

        Mas nesse jogo ele estava em vantagem, como o seu objectivo é apenas destruir isto, quanto mais confusão melhor e não precisa de manter um discurso compreensível para isso.

        Basta-lhe impedir as discussões dos outros. Por isso parei, porque o meu objectivo não é prejudicar o blogue.

        Quanto ao facto de agora, neste momento, não haver clonagens, podes agradecer a mim, não só parei como o assustei, levando outras pessoas a equacionar a questão da sua expulsão – é só disso de que ele tem medo, porque aí já não podia lixar o blog.

        Só que, penso que devas ser novo aqui, isto já aconteceu 50 vezes no passado. Ora nos deixa falar ora decide que este ou aquele não pode falar, como fez contigo.

        Agora está assustado, quando se sentir seguro volta ao mesmo e temos outra vez roubo de identidades.

        Simplesmente eu não estou para estar num blog ateu para ter de pedir por favor a um fanárico católico que me deixe falar – se lhe apetecer.

        Por isso pedi o apagamento dos comentários identificados como sendo do fifi.

        Não sendo isso feito e ainda por cima estando o pessoal a falar com ele como se fosse um participante normal, inclusivamente quem me havia pedido para não falar com ele, nunca mais participo em discussões sobre os assuntos postados neste blog.

        É uma escolha do admnistrador e da comunidade em geral.

        • Oscar

          Afinal o “troll” do molocho ainda por cá anda à conversa com o seu maninho siamês…

          Custa-lhe a desamparar a loja, mas a verdade é que, sem ele, o ar ficaria muito menos infestado.

          • Nelson

            Never argue with stupid people, they will drag you down to their level and then beat you with experience. – Mark Twain

          • Oscar

            Pois é, molocho,tens toda a razão.

            O Mark Twain assenta-te como uma luva…

    • Oscar

      Entradas de leão e saída de sendeiro…

    • João Pedro Moura

      BAAL disse:

      1- «O Moura, que me tinha pedido, a mim, expressamente para NÃO RESPONDER ao troll, não só lhe está a responder, como ainda por cima dá-se ao luxo de responder ao nick Carlos. Logo o avatar com que o fifi nos ameaçou a todos de morte – muitas vezes.»

      Meu caro Molochbaal, em heterónimo Baal

      Eu respondo e comento a quem quiser e o que quiser.

      Não costumo replicar a gente de mau caráter, como esse “troll”, mas não tenho que reconhecer a assinatura do bicho em todos os comentários com diversos nomes, como tu fazes…

      2 «…e que disse que os agnósticos são uns mariquinhas por não terem a agressividade guerreira dos ateus, afinal fala delicamente com o nick falso com que um fanático católico o ameaçou de morte.»

      Nunca disse que os agnósticos eram uns “mariquinhas” nem reconheço a assinatura do “troll” no “Carlos” nem me lembro de alguém me ter ameaçado de morte…

      3- “Se o isis invadir, o Moura não vai nada desatar aos tiros. Dez minutos depois da invasão o Moura vai mas é á pollux comprar um turbante e um tapetinho de oração para cumprir obedientemente as suas novas obrigações religiosas.”

      Blasfémia! Eu a pactuar com a hedionda escumalha islâmica?! Jamais!
      E conto contigo para o combate…

      4- «Sendo assim, não quero incomodar, não tenho problema nenhum em entregar a taça ao troll, até porque constato que é de papelão.

      Vitória a ti troll, ganhaste em toda a linha. Parece que sou mesmo um loser, porque há campeonatos em está fora de questão eu concorrer.»

      Lamento esta tua posição de perdedor, derrotista e desistente.

      Exorto-te a continuares neste blogue, porque fazes falta, pois deste um valioso contributo à causa do combate à religião.

      Espero que reconsideres e voltes ao combate.

      O que tu não deves fazer é replicar constantemente a quem não merece, tornando a caixa de comentários num lamaçal de impropérios e provocações escusadas.

      Volta!

      • Oscar

        Eu, se fosse a ti, abria uma petição on line, para o regresso do molocho.

        O gajo precisa muito de atenção, desde que foi ostracizado pelos seus camaradas nazis.

      • BAAL

        “nem reconheço a assinatura do “troll” no “Carlos” nem me lembro de alguém me ter ameaçado de morte…”

        “MORTE AOS CABRÕES DOS ATEUS DESTE BLOGUE!

        cs.novosty@mail.ru

        Carlos dixit

        http://www.diariodeunsateus.net/2014/02/14/a-intolerancia-catolica-2/

        Não só foram ameaçados de morte como foram todos tratados de cabrões por esse mesmo nick, Carlos, que todos sabemos de quem é.

        Andas desatento…

        O que demonstra um bocado o problema que se passa aqui.

        Se nem tu te lembravas de uma coisa destas, é impossível ao Esperança, que raramente vai ás caixas de comentários, detetar todas as falsificações.

        Era necessário alguém que cá estivesse frequentemente, para topar o gajo.

        Esse é o meu caso. A seguir ao Troll, muito a seguir :), sou o gajo que mais cá anda, por isso é-me relativamente fácil topá-lo.

        Acontece que nem sou colaborador do blog nem sequer faço parte da associação, por isso é impossível candidatar-me a moderador.

        Por isso, se calhar, o que estou a pedir, o apagamento do troll. será impossível.

        Porque o Esperança nunca vao poder compreender o que se passa realmente aqui. Seriam precisos admnistradores interassados activamente na caixa de comentários.

        Mas francamente, é impossível continuar a depender dos humores de um católicuzinho desvairado.

        Agradeço o apoio, mas, se não aparece uma solução para o problema do troll, não posso participar mais nisto.

        • Carlos

          Se o teu problema é comigo, tens aí o e-mail e podes marcar um encontro para resolvermos a situação.

          Se pensas que me intimidas por ser skin/nazi, estás enganado. Vivi demasiado tempo na Europa de Leste para ter visto e vivido situações que tu nem imaginas.

          Vou ter que repetir:

          Olhando para a vossa conversa, para o tipo de expressões que usais para os crentes, para a forma insultuosa e mentirosa como criais os vossos textos (sempre baseados em mentira ou interpretação mentirosa), vendo que a única razão que vos move e fazer guerra aos crentes, tentar gerar confusão e revolta, acho que o ateísmo devia ser banido definitivamente.

          Se a Inquisição limpou gajos como tu, fez um favor à humanidade que é difícil de lhe pagar. Tu e os ateus deste blogue, são pessoas nojentas, execráveis mesmo, pelo que o mundo seria muito mais justo, fraterno, seguro e higiénico se todos fossem varridos da face da terra.

          Por que é que tu achas que o Egipto condena um ateu e não um crente de outra religião?

          Porque o ateu é um perigo. São os ateus que “ateiam” o fogo da revolta em todo o mundo. O exemplo de França, e de muitos outros imbecis da Europa, é flagrante.

          Quando um individuo é burro, ignorante, demente e estúpido, se começar a escrever ou desenhar umas imbecilidades para provocar os outros, deveria ser internado como demente e nunca lhe ser dado o estatuto de inimputável (sob a forma de “artista”, ou seja inimputável por não saber distinguir a verdade da mentira, nem ter capacidade de ajuizar dos seus actos).

          Deveria ser presos todos os extremistas do mundo, começando pelos ateus que são responsáveis pela quase totalidade das insurreição no mundo, passando pelos fanáticos nazis, comunas (tipo a seita do Zhirinovsky), talibãs… tudo. Todos deveria ter prisão definitiva e irrevogável. Os casos piores, como o molochobaal… acabar com ele de uma vez.

  • Oscar

    O troll do molocho foi-se ” embora” mas deixou cá o seu ” maninho” Nelson a falar por ele.

    Se o ridículo pagasse imposto…

    • Nelson

      As Mark Twain once said:”
      Never argue with stupid people, they will drag you down to their level and then beat you with experience.”

  • Oscar

    A DESVENTURA DO MENINO QUEIXINHAS…

    O molocho saiu pela porta pequena, como, aliás, já seria expectável.

    Muita garganta, muito bitátá, mas, lá no fundo da sua pequena alma, um perdedor nato.

    Ele que aproveite para ler livros instrutivos

    http://www.publico.pt/cronicas/jornal/retalhos-da-vida-de-um-queixinhas-27196482

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