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  • 21 de Março, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Massacre no Bardo

A Europa deve ajudar a Tunísia a defender sua incipiente democracia do terror jihadista
Estado Islâmico assume autoria de atentado em museu na Tunísia

O ataque terrorista no museu tunisiano do Bardo colocou em destaque, tragicamente, a fragilidade do país do norte da África, o único onde a primavera árabe, depois de uma ditadura interminável, conseguiu estabelecer um processo democrático, apesar de incipiente. O assassinato de cerca de vinte turistas, dois espanhóis entre eles, demonstra também as limitações da Tunísia, na porta da Europa, para se isolar da violência e do caos político na região.

Não se conhece ainda a afiliação precisa dos autores do massacre (cujo relato é confuso e contraditório), que foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) e recebeu elogios entusiasmados em páginas jihadistas afins. O primeiro-ministro, Habib Essid, assegurava na quinta-feira que os pistoleiros mortos não tinham vínculo formal com grupos terroristas. Não há dúvidas, no entanto, de que o mais grave atentado desde a revolução de 2011 foi calculado com o duplo objetivo de dinamitar a incipiente democracia tunisiana e dar, ao mesmo tempo, um golpe decisivo em uma economia dependente em grande medida do turismo, europeu especialmente. Não é casual a escolha de turistas como alvo nem o momento escolhido pelos assassinos para golpear o Governo laico que chegou ao poder depois de derrotar, no ano passado, os islâmicos moderados do Ennahda.

Atacar a democratização da Tunísia é o objetivo declarado dos fundamentalistas, da Al Qaeda aos grupos locais como o proscrito Ansar al Sharia ou os salafistas que se declaram obedientes ao EI. Depois da derrubada do ditador Ben Ali, o país do norte da África viu aumentar de forma incontrolada o extremismo, chegando a se transformar em viveiro de jihadistas que combatem na Síria ou no Iraque. Em suas fronteiras, um Exército pequeno e pouco preparado lida com uma crescente agitação islâmica. A Líbia em especial, inundada de armas e à beira da desintegração, nova plataforma do EI, constitui uma vizinha tão porosa quanto explosiva.

A Tunísia, às portas da Europa, precisa nesta hora do apoio decidido da UE para combater o terrorismo e manter um Estado democrático, uma avis rara na região. O que aconteceu no Bardo volta a demonstrar, depois de episódios similares no coração da Europa, que a luta contra a variante mais sinistra do fanatismo islâmico é um combate de todos. Como tal, e pela sua importância, não deve conhecer fronteiras.

3 thoughts on “Massacre no Bardo”
  • Oscar

    É muito curioso. O troll do molocho já deu às de Vila Diogo e os ateus deste site onde páram ? Continuam nas tintas para este site ? Ou só se insurgem eticamente depois de o troll do molocho ter usado o meu nick centenas de vezes seguidas ?

    Vá, mostrem agora a vosso coerência. Afinal, não andam sempre aqui a berrar que o site é vosso ?

  • Nelson

    Vamos ver se consegues desta vez manter um dialogo construtivo.
    Nem todos os religiosos sao boas pessoas e nem todos os ateus o são, mas não te dá o direito de tentar anular o que os outros pensam.

    Em relação ao tema em particular, a minha visão é muito simples: O que une estas pessoas todas nesta pagina muito triste da existencia humana é uma religião(que alguns apelidam de religião da paz).
    No limite, até se poderia dizer que é o ateismo destas pessoas em relação aos deuses e crenças dos outros que causa tamana violencia, mas não o é apenas… É também a vontade de impor o seu deus, a sua visão, a sua justiça e o seu poder…

    • Oscar

      Então se queres um diálogo civilizado, escusas de começar por me atribuires intenções que nunca possuí.

      Contrariamente ao que pensas, eu convivo muito bem com pessoas, que não acreditam em Deus e com indivíduos de diferentes ideologias.

      Para mim, há no entanto, um pressuposto básico de entendimento.

      Que sejam democratas. A partir daí, dialogo perfeitamente com quem quer que pense diferentemente de mim, com base na exigência de respeito recíproco.

      Se me atiram pedras, eu reajo. Se me respeitarem, eu respeito.

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