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  • 22 de Fevereiro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Mais um texto para obrigar os crentes ao esforço de pensarem

Para nós enquanto espécie, a religião foi a nossa primeira versão da verdade. Foi a nossa primeira tentativa porque, verdadeiramente, não sabíamos nada. Não sabíamos que vivíamos num planeta esférico. Não sabíamos que o nosso planeta dá voltas em torno do sol. Não sabíamos dos micro-organismos causadores de doenças. Daí as religiões primitivas terem inventado que as doenças eram provocadas por maldições, ou bruxas, ou maus agoiros ou demónios. Não sabíamos nada desde a infantil, aterrorizante e ignorante origem da nossa espécie animal primata que é de onde vem a religião.

Assim como foi a nossa primeira tentativa com a filosofia, com a moralidade, com os cuidados de saúde. Mas porque é a nossa primeira tentativa, é a pior. Em todas estas áreas nós evoluímos incomensuravelmente. Nós temos agora melhores explicações para estes temores, resolvemos todos estes mistérios.

Mas ainda assim vivemos, em pleno século XXI, com sociedades sob regimes totalitários que nos proíbem de pensar sobre o progresso que tem sido feito, ou nos nega o conhecimento que estes avanços tivessem de facto ocorrido. Mas em algum momento no futuro, estas sociedades abandonarão a sua dependência medonha do sobrenatural e compreenderão o quanto mais miraculoso, muito mais bonitas, muito mais elegantes, muito mais iluminadas, muito mais harmoniosas são as explicações cientificas. Pensem sobre o quanto fascinantes Einstein e Darwin são. Pensem sobre o quanto mais elegante e convincente eles são em comparação com a ideia de um arbusto ardente ou a exigência de que sem uma circuncisão não haverá nenhuma redenção.

Eis um exercício mental: se vocês são fiéis de alguma religião monoteísta têm de acreditar no seguinte: Sabemos que a nossa espécie existe há cerca de 200 mil anos e aí se separou dos cro-magnom e de espécies rivais primitivas. Eis o que os monoteístas têm de acreditar: durante 200 mil anos os humanos nasceram como uma espécie primata; com uma mortalidade infantil abundante; esperança de vida talvez de 25 anos; as doenças provocadas por micro-organismos provocavam morte e sofrimento atroz; terramotos, vulcões, tempestades, eras glaciares provocavam mais morte e sofrimento aterrorizante; a luta pela posse da terra, por comida, por mulheres é mais tribalismo igualmente assustador.

Durante 195/196 mil anos os céus olharam para tudo isto de braços cruzados, com total indiferença e frieza. E é então que há cerca de 3/4 mil anos numa parte realmente bárbara e analfabeta do oriente médio (não na China onde as pessoas já conseguiam ler, ou pensar de uma forma evoluída ao ponto de já fazerem ciência, não, não, não).

Foi na parte mais primitiva e analfabeta do oriente médio que Deus pensou e decidiu: “Não posso deixar isto continuar, é melhor intervir. E qual a melhor forma senão através de sacrifícios humanos, pragas e assassínios em massa?
Se isto não os fizer comportarem-se moralmente, Eu simplesmente não sei o que fará?” Se houver alguma pessoa que se ponha a acreditar em qualquer coisa remotamente parecida com esta, ela se condena a ser realmente muito estúpida e muito imoral.

Este texto é da autoria de Cristopher Hitchens.

a) Paulo Franco.

23 thoughts on “Mais um texto para obrigar os crentes ao esforço de pensarem”
  • Molochbaal

    Se existe ou não, algo que possamos classificar de “deus” é um enigma
    absoluto e a única atitude lógica é confessar humildemente que não, não
    fazemos a mínima ideia.

    • Oscar

      Então molocho, já fizeste o teu esforço para pensares ?

      • Molochbaal

        Tanta pretenção ao conhecimento absoluto em relação a um assunto que, precisamente, se difine por ser impossível que dele se saiba alguma coisa parece-me convencimento a mais ou honestidade a menos.

        • Nelson

          Ainda continuas a falar contigo proprio???
          Até dá vontade de rir os teus monologos!

          • HAMONBAAL

            Não te rias do fifi, que é pecado rirmo-nos dos deficientes.

          • Molochbaal

            Ups!

            Então nem sequer é uma hipótese ? Nem isso é ?

            Então, a origem do universo está explicada !

            Basta não pensar nisso que o problema está resolvido.

            Mas então, se nem pensam nisso, como é que sabem que deus não existe ?

            E se nem pensam nesses coisas, como é que rebatem os crentes ?

            E já agora, como é que os rebatem, se na matéria em questão nada, contra ou
            a favor, pode ser comprovado ?

            Vocês são só TRETAS. Falar com vocês ou com um membro da igreja universal é
            a mesma coisa.

          • Molochbaal

            Eu não sou crente, mas sou um leitor assíduo da
            Bíblia que considero uma obra-prima da literatura universal

          • Deusão

            ” Eu não sou crente, mas sou um leitor assíduo da
            Bíblia que considero uma obra-prima (cuméquié ?) da literatura universal ”

            Foi um asno crentóide que fez este comentário.

          • Oscar

            ahahahhhhh ….

          • Oscar

            Não são monologos. São diálogos entre mim e o meu alter ego Molochbaal.

          • Oscar

            “Não são monologos. São diálogos entre mim e o meu alter ego Molochbaal”

            Não fui eu que fiz este comentário.

          • Oscar

            Foi o morto que fez este comentário.

    • HAMONBAAL

      Sim fifi.

      Mas podemos perfeitamente pronunciarmo-nos sobre a plausibilidade de quem diz que fala em nome de deus e da mensagem que essas apresentam como sendo de deus.

      Tu esqueces-te que não és deus nenhum e que não podes dizer qualquer parvoíce em nome de deus, afirmando depois que não podes ser criticado, porque deus seria incognoscível.

      É que deus até poderá ser incognoscível.

      Mas tu não.

      Todos sabemos que és uma besta.

      • Molochbaal

        Prefiro fazer figura de burro, quando sou mesmo burro.

        Mas ao menos tento ser um burro honesto.

  • HAMONBAAL

    De facto é estranho. Em cerca de um milhão de anos de evolução humano deus não disse nada e depois ZÁS, vai logo escolher uma das zonas mais primitivas. Parece que ele próprio não estava lá muito interessado em espalhar a sua mensagem.

    Dirse-ia que parece mais que alguém inventou as mensagens divinas ao sabor das circunstãncias…

    • Oscar

      Não percebes nada de nada. Deus criou-nos a partir do barro, porque naquele dia estava a trabalhar na olaria. Depois quando estava a jantar decidiu mandar uma pomba cornear um pobre coitado que via ali numa zona a que os humanos chamam de médio oriente, e do fruto desse corneamento nasceu o meu filho, que eu como bom pai deixei que tivesse uma morte horrivel na cruz. Sou ou não sou um deus porreiro? O que é preciso é ter fé, a fé é que nos salva dos molochos.

      • Oscar

        “Não percebes nada de nada. Deus criou-nos a partir do barro, porque
        naquele dia estava a trabalhar na olaria. Depois quando estava a jantar
        decidiu mandar uma pomba cornear um pobre coitado que via ali numa zona a
        que os humanos chamam de médio oriente, e do fruto desse corneamento
        nasceu o meu filho, que eu como bom pai deixei que tivesse uma morte
        horrivel na cruz. Sou ou não sou um deus porreiro? O que é preciso é ter
        fé, a fé é que nos salva dos molochos”

        Não fui eu que fiz este comentário.

      • HAMONBAAL

        O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente.

        Gênesis 2:7

        É de facto muito mais plausível do que a formação natural da vida, ter sido um super homem que no-la soprou pelas narinas.

        Daí os judeus, como povo muito próximo a deus, terem grandes narizes.
        Agradeço agora é que não façam, piadas nem trocadilhos com a espressão imnglesa blowjob.

        Obrigado.

  • João Pedro Moura

    CRISTOPHER HITCHENS disse:

    “Foi na parte mais primitiva e analfabeta do oriente médio que Deus pensou e decidiu”

    Não foi na parte mais primitiva do oriente médio, mas sim na parte mais evoluída…

    O conceito de “deus” não é um conceito de “atrasadinhos”, mas sim de “adiantadinhos”…

    Esse conceito nasceu no Crescente Fértil (https://www.google.pt/search?q=crescente+fertil&espv=2&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=HerpVIzrC4e7UdqrhJAD&ved=0CCUQsAQ) aquele arco de terras férteis, onde nasceu a agricultura e a pecuária mundiais, a primeira vanguarda do mundo…

    O conceito de “deus” implica muita elaboração mental, ao contrário do que parece…

    O problema é que foi suplantado, posteriormente, pela ciência e pelas revoluções liberais, a partir do séc. XVIII, e aquela região do Médio Oriente, ocupada pelos muçulmanos, não deu o salto qualitativo que a Europa deu, no seguimento do Renascimento e da Expansão…

    O Médio Oriente, berço da civilização, ficou estagnado e ocupado por civilizações pouco dadas à reflexão científica e ao progresso…

    • Oscar

      Dizem alguns evolucionistas que o conceito de Deus faz parte do processo evolutivo de sobrevivência, como instrumento necessário ao enfrentamento de situações de angústia e de dificuldades existenciais.

      Logo, só aqueles que acreditam em Deus é que estariam em consonância com essa matriz evolucionista, exceptuando aqueles que são conhecidos por ateus.

      Aliás, a ciência médica já veio demonstrar que a esperança média de vida daqueles que acreditam em Deus, a larga maioria dos seres humanos,é superior à dos ateus.

      Portanto, ser-se ateu é um handicap na luta pela sobrevivência. Uma degenerescência no processo evolutivo, exactamente similar àqueles seres humanos que têm outras deificências físicas e psicológicas, menos adequadas à sobrevivência.

      Logo, a religiosidade está de acordo com os postulados evolucionistas e dawrinistas.

      O ateísmo é que não.

      Os ateus são, portanto,similares aos suicidas, afastando-se do instinto basilar de sobrevivência.

      P.S. Ficou claro ou é preciso repetir ?

      • HAMONBAAL

        “Ficou claro ou é preciso repetir ?”

        Até na maneira de falar se vê que és um cromo a armar ao pincareiro.

      • Oscar

        É melhor eu repetir. Os ateus vivem menos do que os crentes, e eu como bom crente tento converter os ateus a crentes para que assim eles vivam mais. Sou um filantropo, um humanista, e Darwin teria orgulho em mim.

  • GriloFalante


    Mais um texto para obrigar os crentes ao esforço de pensarem”
    Este Carlos Espetança é tão mauzinho…! Crentes a pensar? Não sei porquê, cheira-me a oxímoro.

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