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A Irmã Lúcia e o Quincas – no 10.º aniversário do passamento da primeira

A Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, Lúcia para os amigos, íntima da Senhora de Fátima, morreu carregada de anos e de visões a 13 de fevereiro de 2005.

Em 19 de fevereiro de 2006 foi trasladada para a Basílica de Fátima onde foi sepultada junto dos primos, Francisco e Jacinta, adiantados no processo de santidade devido à precocidade na defunção. Chovia. As bátegas não pararam de fustigar os peregrinos. As novenas dos padres não conseguiram que S. Pedro contrariasse a meteorologia.

Não foi a inutilidade das rezas ou a ausência de Deus que dissuadiu os crentes, alagados de fé e chuva até aos ossos, de estarem presentes na segunda edição do funeral de Lúcia.
Não houve na repetição das exéquias fúnebres a saudade genuína das prostitutas de S. Salvador da Baía a passearem o cadáver do Quincas Berro D’Água, nas ruas em cujos botequins devorou cachaça com a mesma sofreguidão com que as beatas chupavam hóstias.

A freira, a quem o terrorismo religioso do catecismo induziu alucinações, nunca terá um Jorge Amado que a celebre em «A morte e a morte da Irmã Lúcia, vidente».

O Quincas, quando devorou, de um só trago, água em vez de cachaça, deu tal berro que passou a ser carinhosamente tratado por «Berrinho» e fez-se personagem de romance. Lúcia comungava por hábito e obrigação pia, mantinha olhos vagos e a postura de quem vive morta por dentro envergando como mortalha o hábito.

Quincas é o delicioso personagem que diverte e comove o leitor de «A morte e a morte de Quincas Berro D’Água», marginal que viveu a vida, pecador que amou e foi amado.
Lúcia é o exemplo trágico de criança pobre, fanatizada com orações e amedrontada pelo Inferno, que sonhou virgens nas azinheiras, cambalhotas do Sol no caminho das cabras, profecias de conversão da Rússia e churrascos de almas para absentistas da missa.

A criança amestrada com pios embustes sobre o divino tornou-se cadáver de estimação, acolitada pela força pública, a viajar com padres, bispos, freiras e romeiros, num cenário com quatro missas, orações pias e um futuro promissor de oferendas de gente aflita.

Não foi o final da história de uma encarcerada de Deus, foi o início da caminhada para a santidade, à espera de milagres e oferendas que hão de alimentar funcionários de Deus e manter Fátima como uma das mais lucrativas sucursais do Vaticano.

A fraude não acabou, começou um novo ciclo. Faz hoje 10 anos que iniciou a etapa da santidade.

12 thoughts on “A Irmã Lúcia e o Quincas – no 10.º aniversário do passamento da primeira”
  • Oscar

    Só uma pergunta: o Carlos Esperança esteve na Cova da Iria quando a Lúcia era cachopa, para saber se ela estava com alucinações ?

    • HAMONBAAL

      Diz-me uma coisa fifi.

      Tu precisas de ter estado no cerco de tróia para saber que Apolo não mandou serpentes nenhumas para estrangular Laocoonte ?

      • Oscar

        Estou-me a cagar para os teus bitátás, tótó.

        • HAMONBAAL

          Sim ?

          Então porque é que roubas constantemente a minha identidade ?

          • Oscar

            És muito lerdinho de entendimento, mas eu volto a repetir:

            Estou-me a cagar para os teus bitátás, tótó.

  • Nelson

    Muito interessante a teoria que existiram 2 Lucias.
    O facto do queixo ter passado de metido para dentro e passado para fora, é que é o verdadeiro milagre de Fátima.

    http://www.traditioninaction.org/Questions/B652_Lucys.html

    • Oscar

      Ó molocho, mas,na tua opinião, qual das duas Lúcias é a verdadeira e a falsa, a 1 ou a 2?

      E depois onde foste buscar a ideia de que existe uma falsa ?

      Se eu for à Net buscar uma foto de uma fulana qualquer e depois a apresentar como uma impostora de outra pessoa, só porque eu digo que uma das fotos corresponde a uma impostora, tu passas logo a acreditar na teoria da conspiração ?

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    “Lúcia para os amigos”…

    …E Virgem Lúcia para os inimigos…

  • Frei Bento

    Caríssimo irmão em Cristo e estimado Nelson:
    “Muito interessante a teoria que existiram 2 Lucias.”
    Tudo depende do que se considerar “teoria”. Na verdade, cada um pode teorizar como muito bem lhe apetecer, e ninguém tem nada com isso. E essa cena das “duas Lúcias” (com acento, registe-se) não é nada mais do que uma teoria fo… foleira. Deus, Ser supremo e omniinteligente, pode fazer o que quiser, e não tem que dar satisfações dos Seus actos.
    Claro que não podemos, de forma alguma, deixar de encarar as seguintes perguntas: Deus, como Criador do Céu e da Terra, pode, ou não, puxar o queixo da Lúcia para a frente? Resposta: pode, sim senhor. Conheço um cirurgião plástico que fez isso, e não é deus. Nem Deus, muito menos.

    Pode, Deus Nosso Senhor, pespegar uma gengivite na zona onde os dentes voram dar uma volta sem regresso? Os dentistas dizem que não, mas os dentistas não são Deus. Nem deus. Deus, todo-poderoso, pode fazer nascer cabelos num ovo de avestruz. De galinha que seja, sendo que já é mais difícil fazer nascer cabelos em ovo de galo. Quanto mais não seja, porque galos não põem ovos. Mas já os pombos podem fecundar virgens. Mas não vamos por aí.
    Que não haja dúvidas: Lúcia, só há uma: é aquela e mais nenhuma.
    Um pouco de fé não lhe fazia mal nenhum, irmão Nelson. Siga o exemplo do irmão Oscar-sem-acento. Aquilo é que é uma fé do car.. do caraças.
    Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

  • Neves

    Art. 185º
    Ofensa à memória de pessoa falecida.

    1 – Quem, por qualquer forma, ofender gravemente a memória de pessoa falecida é punido com pena de prisão até seis meses ou pena de multa até 240 dias.

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