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  • 26 de Janeiro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

A insustentável leveza do ecumenismo

Na mesquita de Lisboa – disse a comunicação social –, juntaram-se, em oração, cristãos, judeus e muçulmanos, numa comovedora e fraterna devoção ao Deus abraâmico que os empurra para intermináveis guerras numa orgia de sangue que começou com um gracejo divino a dizer a Abraão para lhe sacrificar o filho, o que o troglodita faria se não tivesse sido uma brincadeira de Deus para pôr à prova a sua fé. O Deus de Abraão não confiava nos homens mas estes teimam em confiar nele.

Não penso que as orações pela paz sejam ouvidas, onde ou por quem quer que seja, mas é comovedor saber os três monoteísmos unidos por um intenso e unânime desejo de paz.

Foi lindo ver a notícia mas gostaria que o ato litúrgico tivesse ocorrido simultaneamente numa sinagoga de Jerusalém e numa mesquita da Palestina, que na Arábia Saudita e no Iémen, uns de joelhos, outros de cócoras e todos de rastos, anunciassem não mais matar.

Assim, em Lisboa, numa cidade cosmopolita, pode encenar-se uma cerimónia pacífica, mas onde a correlação das crenças não é mediada pela laicidade do Estado e pela força da democracia, há a sharia, bem mais de difícil de satirizar do que crenças anacrónicas.

Quem detesta decapitações, lapidações, amputações, vergastadas e outros castigos que fazem babar de gozo os funcionários de Deus e as multidões intoxicadas pela fé, não se conforma com espetáculos pios encenados.

14 thoughts on “A insustentável leveza do ecumenismo”
  • Oscar

    Que dizer de um texto tão mesquinho, como este,onde até se censura uma reunião fraterna e pacífica entre crentes de várias denominações religiosas ?

    Às vezes, fico com a sensação que o objectivo do Carlos Esperança não é elaborar textos, que suscitem o interesse de outros ateus, que aqui pudessem comentar.

    Mais parece que o seu intuito não é o de transmitir uma ideia positiva do ateísmo, mas precisamente a contrária, ou seja mostrar como uma pessoa de bem não pode pactuar com esta mesquinhez ateísta de procedimentos.

    • Molochbaal

      Bolas. Eu bem tento ser o primeiro a comentar

      Mas é difícil..

    • Nelson

      Para a reunião fraterna de entre crentes, tenho apenas a frase do catolico Hitler:

      “The greatness of Christianity did not lie in attempted negotiations
      for compromise with any similar philosophical opinions in the ancient
      world, but in its inexorable fanaticism in preaching and fighting for
      its own doctrine.”

      [Adolf Hitler, “Mein Kampf” Vol. 1 Chapter 12]

      • Oscar

        Hitler foi excomungado pela Igreja Católica, não sei se sabias ?

        Por ser adorador do deus Wotan e outras merdas iguais.

        • Nelson

          “I am now as before a Catholic and will always remain so”

          [Adolph Hitler, to Gen. Gerhard Engel, 1941]

          • Oscar
          • Molochbaal

            Sim fifi.

            E pouco depois estavam a votar a favor da ditadura de Hitler e a reconhecer o III Reich pela concordata.

            Já vimos que essa não pega fifi. Não arranjas outra ?

            Explica lá essa treta dos 100 mil nazis a orarem a Wotan, para a gente se rir.

      • João Pedro Moura

        NELSON disse:

        “…tenho apenas a frase do catolico Hitler”

        Este assunto é recorrente aqui, mas ainda ninguém demonstrou o catolicismo do bicho…
        Hitler não era católico…
        Nasceu numa família católica, duma região católica do Império Austro-Húngaro, mas daí a considerar-se católico… vai um passo…
        As perseguições desencadeadas contra a imprensa católica e outras organizações católicas, pelos nazis, em finais de 1935, não indiciam catolicismo nenhum, antes pelo contrário…

        Poderia ser um cristão, sem igreja definida, ou um deísta qualquer.
        A sua megalomania nacionalista e imperialista pouco se coadunava com a dualidade religiosa vigente na Alemanha, entre o catolicismo, mais ao sul, e o protestantismo, mais ao norte.
        O seu grande amigo para as questões ideológicas, Alfred Rosenberg, exprobrou o catolicismo e o papado, em defesa dum neopaganismo, ou, em última instância, duma Igreja do Reich, entidade em formação e espécie de síntese unificadora do campo religoso alemão, mas sem grande sucesso, pois só aderiam alguns protestantes…

        • Nelson

          “I am now as before a Catholic and will always remain so”

          [Adolph Hitler, to Gen. Gerhard Engel, 1941]

          Chega? Ele dizer que foi, era e sempre será???

          • Oscar

            Frio, muito frio, molocho. Tu bem tentas mas não consegues:

            http://www.universocatolico.com.br/index.php?/a-igreja-excomungou-o-nazismo.html

          • Molochbaal

            Outra vez fifi ?

            Não te disseram já que não pega ?

            Então excomungam-no e depois votam a favor dele ?

            Não achas que essa excomunhão ficou um bocadinho ultrapassada ?

            E depois, quantos cristãos queres, que a igreja tenha excomungado fifi ?

            A igreja passou a vida a excomungar cristãos, até bons católicos, apenas por discordarem de alguma ordem papal.

            Desde quando uma excomunhão implica que alguém possa não ser cristão ou até católico ?

            Olha, o Lutero e Calvino foram excomungados, achas que não eram cristãos fifi ?

            Também todos os rebeldes que combateram pela independência da América do sul, contra os impérios português e espanhol foram excomungados fifi, também achas que eram todos ateus e wotanistas ?

            Tu próprio, quando defendes que o antigo testamento não tem nada a ver com o cristianismo, estás a incorrer em crime de heresia e, se alguém te desse a mínima importância, também podias ser excomungado por isso fifi.

            Tu és um tretas pá.

        • Molochbaal

          Concordo que não correspondia àquilo que se espera de um católico ” a sério”.

          Mas conheces muitos católicos a sério ?

          90% dos que se dizem católicos não fazem a mínima ideia do que é o catolicismo, não cumprem 99% das suas regras e, por vezes, afirmam-se em franca discordância com quase tudo o que o catolicismo significa.

          Um bom exemplo é o tótó do bitátá, o fifi.

          Se ele apresentasse as ideias dele sobre o antigo testamento á congregação para a doutrina da fé, era rapidamente excomungado. E era uma sorte ser agora. Se fosse há 200 anos os queridos chefes dele mandavam-no queimar vivo.

          Ora, apesar de saber disso, quando toca a fazer brilharete com a estatística, a igreja reclama toda essa gente, que se está a cagar para ela, como bosn católicos.

          Porque é que o Hitler há-de ser diferente ?

  • João Pedro Moura

    Esses grotescos religionários juntaram-se para quê???!!! Para oração?! Para quê???!!!
    Será para impetrarem alguma coisa aos seus deuses???!!!
    E esses deuses não sabem o que iria ser impetrado???!!!
    Os deuses não poderão resolver os problemas subjacentes a tais impetrações, mesmo sem estas???!!!

    É tudo muito ecuménico e solidário, em versão de pacotilha religiosa…

  • Eduardo Russo

    Seria bem interessante se este ato ecumênico em Lisboa tivesse outro semelhante numa igreja na Arabia Saudita ( ironia). Acho divertido esses encontros que deveriam ser para agradecer a laicidade do Estado , que é a única garantia para a prática religiosa livre. Este fato seguir foi noticiado no jornal Estado de São Paulo na coluna Direto da Fonte : há cerca de dois anos ocorreu uma reunião entre o bispo de São Paulo , o rabino mor da comunidade . um clérigo muçulmano e o bispo protestante ,todos convidados pelo cônsul norte-americano,para participarem de uma confraternização entre as religiões. Muito bem , depois do jantar todos enfatizaram o caráter pacífico das suas crenças e para mostrar o quanto estavam em acordo, resolveram cantar “Imagine” . Deve ter sido constrangedor quando chegaram naquela parte que diz : and no religions too. Ás vezes , as religiões podem ser engraçadas….

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