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  • 22 de Janeiro, 2015
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

A burka e a liberdade

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) considerou em 20-01-2014 “legítima” a proibição do uso de véu integral em França, rejeitando um pedido de uma francesa que reivindicava o direito a usar o niqab ou a burqa.

Parece um paradoxo que a decisão mereça o aplauso de quem defende as mais amplas liberdades e a censura dos que geralmente as negam, mas são os mais permissivos nos costumes que condenam o analfabetismo, a recusa de vacinas ou o uso da burka. Quanto a normas de higiene, a regras de saúde ou hábitos de educação, por exemplo, não devem permitir-se sistemas alternativos. Incoerência? A democracia proíbe e a teocracia impõe.

Há, quanto à burka, um argumento irrefutável se for comparada aos capacetes, máscaras ou outros adereços que impeçam, por motivos de segurança, o reconhecimento de quem os usa. Basta esse fundamento para legitimar a decisão proibitiva do Estado.

Mas vamos à sub-reptícia defesa da liberdade de religião, também apelidada de cultura. É natural que uma mulher criada numa sociedade ou família onde se incentive o uso, se sinta disponível para o aceitar ou defender, mas, por cada mulher a quem se recusa esse símbolo de humilhação, há milhares a quem é imposto, se a lei o não impedir. Os filhos de escravos adaptavam-se mal à liberdade e houve escravos que preferiam permanecer.

Não se trata do conflito entre culturas diferentes, digladiam-se a civilização e a barbárie, a modernidade e o anacronismo, a igualdade de género e a submissão da mulher.

Quem sustenta que não se pode satirizar uma religião, entende talvez que não se deva impedir o uso público da burka porque, depois, se persegue a excisão do clitóris, a seguir a lapidação de mulheres e, finalmente, se esvazia uma religião pacífica quando se impedir a amputação de membros, a decapitação de hereges e a venda de noivas.

A situação é diferente quanto ao uso da palavra e da imagem. Se hoje proibimos uma revista satírica, amanhã condenamos a pornográfica, depois o filme que é ofensivo e, finalmente o livro. Voltamos à censura e reiniciamos as guerras que nos outorgaram a liberdade.

18 thoughts on “A burka e a liberdade”
  • Oscar

    Como eu sou um gajo porreiro, desta vez não comento em primeiro lugar.

    Deixo a primazia para o tótó do molocho.

    • Nelson

      Oscar: Ainda continuas ateu? Ou voltaste á tua religião? Qual é?
      Pela militancia, nao acredito que sejas católico, a menos que pertenças a um Opusdei…

      • Oscar

        Estou-me a cagar para aquilo que tu pensas ou deixas de pensar.

        • Nelson

          Que bruta!!Tens o teu lugar lá em cima reservado 🙂
          O menino jesus, vai gostar de conversar contigo.

          • Oscar

            É o tipo de linguagem que vocês entendem.

          • Nelson

            A menina está mesmo chateada hoje!
            O teu namorado não te telefonou foi?

          • Oscar

            Estás certamente a confundir-me com as tuas próprias preferências sexuais.

          • Nelson

            Eu podia tentar responder-te,tótó, mas tu não conseguirias entender, nem mesmo se eu te fizesse um desenho muito redondinho.

            Se não consegues perceber o que claramente escrevi no comentário, a que respondes, não há mais explicações que consigas captar.

            A natureza não foi especialmente benigna contigo em matéria de capacidade neuronal, ainda permaneces no estado da idiotia congénita.

            Mas podes continuar a fazer a tua habitual figura de bronco, que eu divirto-me imenso contigo, tótó.

          • Oscar

            Ah, agora temos plágio. Sim senhor, que grande capacidade de imitação.

            O Nelson anda a espiolhar os debates que tenho vindo a ter com o tótó do molocho.

            Às tantas, ele é a versão soft do alter- ego do choné.

            Uma espécie de porco nazi,mas escondido sob a pele de cordeiro.

          • Nelson

            Foi só para te mostrar que as generalidades que eu dizes podem ser aplicadas a qualquer conversa 🙂
            Como costume, em vez do humor(prova básica de inteligência) , só te saem insultos ( prova básica de baixo QI)

          • Oscar

            Insultos ? Deves também estar completamente choné. Onde é que estão as generalizações, no comentário qur citaste, se eu apenas me dirigi ao tótó do molocho ? Não sabes contar ? Não consegues discernir as mais elementares quantidades numéricas, como o número 1 ? Desde quando o molocho é mais do que um 1 ?

            E quando ele aqui sistematicamente insulta todos os comentadores de ” baldes de merda” e outros epítetos da mesma jaez, isso já não te incomoda, grande hipócrita, já não sais a terreiro a falar em aspectos éticos ?

            Quando um dos teus coleguinhas ateus, como o Luís Grave Rodrigues, insultava todos os crentes de ” montes de merda”, onde estavas tu, fariseu ? E onde estavas também quando o Carlos Esperança afirmou que ” a crueldade é apanágio dos crentes”, onde estavas tu ? Caladinho como um rato.

            Portanto, pela tua lógica, devo concluir que todos os teus colegas ateus têm baixo QI ou é só quando te dá jeito ?

            Aliás, eu nem sequer insultei o molocho, limitei-me a sustentar que ele tem um baixíssimo Qi. Também estou no mesmo direito que tu,não ? Ou em matéria de avaliação de QI, tu usas dois pesos e duas medidas: uma para ti e outra para os teus interlocutores ?

          • Nelson

            Como nem te das ao trabalho de ler o que escreves, vou transcrever o que me chamaste:

            “Uma espécie de porco nazi,mas escondido sob a pele de cordeiro.”

          • Oscar

            Mas se eu acabei por te chamar cordeirinho manso onde está a ofensa ? Não é desse modo que aqui tentas passar a tua mensagem ?

          • Nelson

            Deves pensar que o tua inteligência é muito superior e os outros são estúpidos…
            Cordeirinho manso é o que tu es nos encontros da igreja, quando tens o pastor por perto nos intervalos em que aprimoras o teu lado de porco nazi.
            Onde está a ofensa se é a imagem que passas aqui?

        • Frei Bento

          Caríssimo irmão em Cristo, isso já é o Plano C. Que se deve aplicar quando o irmão, depois de levar tareia, fica sem argumentos razoáveis ou não lhe jeito ir à Internet à procura de textos para fazer “copy-paste”.. Aí sim, recorre-se à escatologia. Aliás, e como diz o Frei Venceslau, “quem caga e come, não morre de fome”. Por isso, ainda não é desta que Deus Nosso Senhor o chamaeá à Sua Divina presença.
          Saúde e merda, que Deus não pode dar tudo.

  • Zeca Portuga

    A proibição do Hijab – o hijab é um lenço que apenas tapa a cabeça e as orelhas -, é um bom exemplo da hipocrisia de quem diz que a França é um país que prima pela liberdade.

    Curiosamente é um assessório de moda em algumas colecções ocidentais, mas proibido no país que, segundo alguns zarolhos, é o simbolo do respeito pela liberdade. Que faria se não fosse!

    • Nelson

      Por cada pessoa que defendes para ter liberdade de usar existem milhares que sao submetidas a obrigacao religiosa de o usar
      Alem de nao ter que o usar poder ser uma forma de as proteger contra os malucos radicais de outras religioes

      • carlos

        Deves ser doente.

        Conheci muita gente islâmica em França e não conheço ninguém que usasse coagida.
        O uso do véu é feito tão contra a vontade como o uso do crucifixo ao pescoço dos católicos.

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